Qual o preço total dos tratamentos de medicina chinesa?
Imensos pacientes têm esta dúvida. Qual o peso total dos tratamentos de medicina chinesa para a sua carteira. Esta dúvida pode ser expressa de várias formas desde: “quantos tratamentos serão necessários?” a “qual o custo das sessões?”.
É uma dúvida perfeitamente normal e compreensível. Não tem lógica iniciar um tratamento sem saber se conseguirá pagá-lo. Tive um amigo que frequentava consultas de psicologia há uns anos e acabou por desistir. A razão foi simples: chegava ao final do mês a ter de pedir emprestado para pagar as consultas. Em jeito de piada referiu-me que se sentia melhor com ele mesmo tendo um pé de meia no banco no final do mês do que com as consultas de psicologia.
Não pretendo, obviamente, desvalorizar o trabalho dos psicólogos. Desejo chamar a atenção para este facto: os pacientes têm de fazer contas à vida. Mesmo aqueles pacientes que afirmam inicialmente que o dinheiro não é problema começam a contar as consultas de medicina chinesa e a tentar espaçá-las na medida que se sentem melhor.
Apesar de ser uma dúvida que qualquer paciente tenha e, independentemente, de ser uma dúvida perfeitamente compreensível, ela levanta um problema para o acupuntor. É uma dúvida à qual ninguém consegue responder. Um acupuntor consegue dizer se determinado tratamento é indicado para determinado paciente ou não (infelizmente isto não é tão generalizado como eu gosto de imaginar!) mas nunca lhe consegue dizer o número de tratamentos de medicina chinesa necessários.
Existem imensos fatores associados que são impossíveis de analisar. A idade do paciente, o sexo, a queixa, a intensidade da queixa, os hábitos de vida, a capacidade de resposta do paciente, etc…
Como um amigo fisioterapeuta costuma dizer aos pacientes: “se você fosse um carro eu podia dizer que peças faltavam e deixar um orçamento fidedigno. Como você é um ser humano não lhe consigo dizer isso. Cada um tem as suas especificidades.” Eu não costumo usar a analogia do carro, a não ser que decida escrever alguma comédia. Mas vejo-me obrigado a deixar os pacientes na minha douta ignorância. Tal como o meu amigo fisioterapeuta eu não consigo dizer quantos tratamentos de medicina chinesa serão necessários.
Posso, no entanto, dar um mínimo possível a gastar. Regra geral aviso os meus pacientes que na possibilidade de ausência completa de melhoras após 4 ou 5 tratamentos de medicina chinesa paro os tratamentos. Se não conseguir melhorias nesse tempo de pouco mais de 1 mês a grande probabilidade é que não consiga melhorias nenhumas.
Isto indica ao paciente um mínimo possível. Mas efetivamente nunca lhe consegue responder à questão: “em quanto vai ficar o tratamento de acupuntura?”
Olá. Discordo desse principio de parar um tratamento após 4 ou 5 sessões com ausência de melhorias. Este é o 2º artigo aqui no blog em que leio esta tua “teoria”. Discordo porque: 1- O Ser humano é complexo e cada um responde aos tratamentos de forma especifica; ás vezes demora algum tempo a obter-se os primeiros resultados, não significa que não vá haver resultados. 2- A fito e a acupunctura são terapias naturais, logo menos potentes a provocar reacções imediatas ( do que farmacos convencionais p.e.), assim a “força” de uma afecção pode ser superior á “força” da terapia o k resulta num atraso á melhoria, terá de haver um esforço continuo/acumulado para k a força da terapia se sobreponha á força da afecção. 3- Já li vários casos em k os pacientes não apresentavam melhorias até ao 8º e até ao 12º tratamentos, sendo k apartir dai as melhorias foram muito boas, nalgumas situações até se obtem a cura (há pouco tempo li sobre 1 caso de obstipação numa criança k até ao 8º tratamento não melhorou, ao 12º havia alguma melhora e ao 26º verificava-se a cura!).
Boas Catarina
Tens razão na grande maioria das coisas que escreveste.
Sem dúvida que o ser humano é complexo e diferentes pessoas respondem à terapia de diferentes maneiras.
Sem dúvida que a fitoterapia e acupuntura, são terapias cujo poder de acção imediato não é tão forte quanto outras terapias. E eu também já tomei conhecimento de casos cujas melhorias surgirão a partir do 10º tratamento.
Mas diz-me: isto é a média geral? Os pacientes em média costumam sentir melhorias a partir do 10º tratamento? Ou a grande maioria dos pacientes sentem melhorias “mesmo que poucas” nos tratamentos iniciais? E quantas consultas tens tu de dar até chegar à conclusão que não vai mesmo resultar?
Eu não tenho dúvidas que há pacientes que irão responder ao tratamento no 10 tratamento. Também não tenho dúvidas que a maioria dos pacientes que não respondem nos primeiros 5 tratamentos dificilmente irão responder nos restantes. Não tenho estatisticas perfeitas para dar a ninguêm. Na maioria das vezes quando dizemos 5 tratamentos falamos de um espaço de quase mês e meio. Tu, como terapeuta, não te preocupas que ao final de mês e meio de tratamento o teu paciente não sinta qualquer tipo de alterações?
Para mim as 5 consultas não são algo de absoluto. Tratar um apciente com ciática ou um paciente com AVC e afuncionalidade do membro superior há 6 meses não é a mesma coisa. No segundo vou precisar de mais tempo para se observar alguma melhoria.
No entanto isso não significa que não existe um tempo limite que deva existir para se conseguirem resultados.
Quantos tratamentos tens de fazer a um paciente com ciática até te aperceberes que não está a fazer efeito? Ou vais fazer como fizeram a um doente que escreveu para mim e que após 30 consultas ainda não tinha resultados visiveis?
Na minha prática, naquilo que observo, naquilo que estudo noto que as probabilidades de sucesso após 5 consultas sem qualquer resultado são muito diminutas. Isto não signifcia que sejam nulas.
Se no final desse tempo não tiver resultados aconselho o paciente a parar uma vez que as probabilidades de sucesso irão ser muito diminuidas. Não vejo como isto possa estar errado.
Se o paciente quiser continuar continua. Eu limito-me a passar-lhe a melhor informação disponível.
No entanto não concordo que se peguem em casos isolados e se transformem em regra.
abraço