Religião e acupuntura: uma mistura que nunca deveria ser feita

Apesar de nunca ter visto um acupuntor dizer que tipo de religião os seus doentes deveriam seguir (o que não significa que não aconteça, significa somente que é raro), infelizmente, já vi muitos religiosos indicar aos fiéis que tipo de tratamento deveriam seguir.

A história entre religião e medicina é antiga e muitas vezes misturou-se… quase sempre em grande prejuízo dos pacientes.

História e histórias de religião e medicina

Muito do avanço da medicina está dependente das prisões culturais impostas pela religião. Mesmo nos dias de hoje a religião continua a afetar a evolução da medicina fazendo com isso que quem pague sejam populações de fiéis inocentes. Desde a luta contra investigação em células estaminais por parte da Igreja Católica à recusa da vacinação contra a poliomielite por parte de muitos movimentos do Islão.

O avanço da medicina foi limitado no Islão (no curto período de tempo em que existia alguma produção científica) pela proibição religiosa de dissecação de cadáveres. Fora desse período (3 primeiros séculos) de ouro não existiu simplesmente avanço na medicina.

No Ocidente que adoptou a tradição grega (ao contrário do Islão que após um abraço inicial acabou por repudiá-la) a Igreja tornou-se mais permissiva. Isto poderia ser um ponto a favor da Igreja mas na realidade a Igreja nem deveria ter nada a dizer sobre este tipo de assuntos!

A Igreja Católica opôs-se no inicio da vacinação porque as doenças eram provocadas por Deus e o homem não tinha direito de as tratar ou prevenir com a vacinação. Nos dias que correm a polieomielite podia estar erradicada não fossem religiosos muçulmanos a opor-se, sistematicamente, a vacinação em grande escala de populações muçulmanas. Em alguns países, afeganistão e paquistão, assassinam-se profissionais de saúde inocentes que vacinam crianças vulneráveis (estes movimentos ganharam sustentação na psique coletiva muçulmana com a estratégia da CIA de usar um programa de vacinação local para detetar a localização de Bin Laden).

A prevenção nunca foi o forte da Igreja, seja por ignorância ou incapacidade de pensar fora da sua pequena esfera de ilusões. Na Idade Média quando aparecia alguma epidemia as pessoas refugiavam-se nas Igrejas para rezarem por proteção tornando o contágio mais fácil.

Desde o início que a Igreja se opõe ao uso do preservativo fazendo com que no início do século XX centenas de milhar (ou mais) pessoas fossem afetadas pela sífilis pela recusa de muitos católicos de usarem preservativos. A mesma recusa que prejudica as estratégias de planeamento familiar em países africanos pobres ou permite a disseminação de doenças como a SIDA em pleno século XXI.

O genocídio do Ruanda foi um período que ninguêm gosta de recordar (os ruandeses pelo que fizeram e todos os outros pelo que não fizeram). Este genocídio surge em consequência do excesso populacional em relação à riqueza e meios disponíveis para a sobrevivência da população. Mas como controlar o crescimento populacional no país mais católico de toda a África quando a Igreja dificulta estratégias de planeamento familiar, uso de preservativo e onde a máxima de João Paulo II “crescei e multiplicai-vos” (frase dita por João Paulo II quando visitou o Ruanda nos anos 80) é levada como lei universal a ser seguida por todos?

Além da prevenção, a religião também se focou na criação de doenças. Baseados numa leitura ignorante da história de Onão afirmava-se, na Idade Média, que a masturbação podia provocar loucura e licantropismo. No início do século XX colocava-se ferro em brasa na vagina de raparigas que tivessem sido apanhadas a masturbar-se mais de um vez.

A homossexualidade era uma disfunção que merecia condenação social e tratamentos médicos desumanos. Ainda hoje a homossexualidade é vista como “anti-natura” em muitos círculos religiosos sendo o natural definido pelas suas crenças e não por qualquer conhecimento de biologia que possuam. Em muitos países africanos, graças à religião, a perseguição, violação, tortura e assassinato de homossexuais é comum. Ficam na lembrança as sucessivas tentativas do Uganda de estabelecer uma lei que condene à morte homossexuais reincidentes ou as execuções de homossexuais pelo Estado Islâmico (projetados de prédios para as ruas).

Religião e acupuntura: exorcistas new age

Existem várias misturas entre religião e acupuntura. É comum vermos acupuntores a falarem de acupuntura numa esfera esotérica com princípios religiosos onde tratamentos médicos acabam por ser misturados com astrologia e energias esotéricas que podem ser sentidas por qualquer pessoas com a mente aberta a novas realidades.

A acupuntura não é só um tratamento para sintomas. Ela é uma forma de equilibrar planos emocionais, espirituais, energéticos, etc… e no meio de verborreias esotéricas sem sentido nos padrões de raciocínio lógico ocidentais ou nas culturas asiáticas (de onde provêm a acupuntura) procura oferecer-se uma nova perspetiva do mundo livre da corrupção de instituições religiosas, da ganância farmacêutica ou da irresponsabilidade médica.

Do outro espetro encontram-se cristãos que avisam os seus fiéis para não fazerem acupuntura. Religião e acupuntura não combinam! Acupuntura não vem falada na Bíblia logo é obra do Diabo. Os mesmos cristãos que se esquecem de dizer que as Ressonâncias Magnéticas, Radiografias, tratamentos de quimioterapia, aviões, etc… também não vem falado na Bíblia. Chegamos ao ridículo de ter exorcistas portugueses a aconselhar os fiéis a não fazerem homeopatia porque não está comprovada cientificamente (como se o exorcismo fosse uma ciência exata) e acupuntura porque tem origem noutra cultura (nada mau para um cristão cujas histórias da figura principal, Jesus Cristo, são um plágio de outras religiões e culturas).

Religião e acupuntura: prisões culturais

Infelizmente para os exorcistas a acupuntura tem sustentação científica e tem sistematicamente obtido bons resultados no tratamento da dor. Mas muitos pacientes não podem usufruir dos benefícios dos tratamentos de acupuntura para melhorar a sua qualidade de vida porque se deixam influenciar pelas opiniões ignorantes de uma profissão obscurantista e ultrapassada. As prisões culturais impostas pela religião continuam bem vivas na mente de alguns crentes. Chegámos ao momento em que tive um leitor brasileiro a perguntar se eu conhecia algum local no Brasil onde se fizesse acupuntura cristâ. Pelos vistos em alguns locais é possível fazer acupuntura desde que se promova a discriminação religiosa.

Se a única coisa que a religião tem para oferecer à saúde humana são opiniões ignorantes sobre tratamentos que não conhecem ou a mais pura discriminação social inútil, então os religiosos deveriam abster-se de fazer qualquer tipo de comentário. Acima de tudo, os doentes (são os mais interessados) não deveriam permitir que pessoas sem formação nenhuma ditassem a forma como tem de resolver os seus problemas de saúde! Religião e acupuntura simplesmente não combinam.