Quando pensamos sobre sistema de pontos a idade devia ser um posto. Será?
Os acupunturistas mais velhos não tem formações em saúde. Pelo menos a maioria não tem. Uma pequena minoria terá licenciaturas noutras áreas o que lhes poderá dar 3 pontos.
De resto os seus cursos base foram extremamente pobres. Cursos de fim de semana ou cursos por correspondência sem componentes práticas ou ilusões acerca de estágios clínicos. O que significa que perdem a possibilidade de ganhar 8 pontos associados à formação.
Em termos de prática clinica, aqueles que se inscreveram nas finanças, poderão demonstrar provas de trabalho há 10 anos ou mais e assim ganhar 4 pontos. Na presença de alguma publicação poderão ganhar mais 1 ou 2 pontos.
Ou seja, alguns dos acupunturistas mais velhos e influentes não tem pontuação suficiente para receber a certidão profissional definitiva. Alguns poderão não conseguir 8 pontos para se candidatarem à certificação profissional provisória.
Vários problemas surgem em consequência deste facto.
suponhamos que no plano de estudos define-se conhecimentos em anatomia, química, bioestatística, farmacologia, entre outros como necessários para se exercer a profissão. Estarão acupunturistas com 60 anos, sem vontade e capacidade para estudar matérias que lhes são completamente alheias, dispostos a fazer esse sacrifício? Será justo pedir-se-lhes este sacrifício? E se não, será justo discriminá-los face a todos os outros candidatos? Qual a fronteira entre bom senso na aplicação da lei e discriminação abusiva? E se a idade é um posto onde fica a pedra base que iniciou muitas das lutas e intrigas baseada na separação do trigo e do joio? A regulamentação era necessária para separar o trigo do joio mas isso não se aplica a acupunturistas com mais de 50 anos? E qual é a meta que se define e com que bases? 50 anos? 55 anos? 60 anos?
Os acupunturistas mais antigos não tem formações científicas relevantes (isto pode observar-se na pobreza do curriculo científico nas atuais escolas de medicina chinesa e acupuntura do país), foram educados por professores ainda mais antigos e ligados a esoterismos fúteis.
Estes esoterismos e falta de formação científica são bem visíveis nos acupunturistas atuais. Basta ver as referências constantes a “energias” e outros conceitos religiosos que abundam na linguagem dos acupunturistas, nas formações das suas escolas e na própria lei de regulamentação.
Uma formação científica forte devia ser condição sine qua non para uma classe profissional da área da saúde. E não deveriam existir exceções! A idade não pode servir de desculpa para manutenção de ignorância e crenças esotérico-religiosas. Especialmente quando se pensa em formar uma classe profissional de saúde.
Obviamente que alguns acupunturistas mais antigos são bons. Mas uma parte relevante (pela minha experiência profissional) são categoricamente maus. Encontram-se ligados a esoterismos infantis com bruxedos, pêndulos, astrologias incas, associações de pontos de acupuntura com deuses gregos e/ou romanos e filosofias herméticas do antigo Egito!
Lembram-se de separar o trigo do joio?
Se acupunturistas mais antigos e influentes tiverem problemas com o sistema de pontos eles poderão levantar problemas e tentar contrariar o processo. Os mais antigos tem escolas com imensos alunos agregados, pertencem e dominam associações profissionais com alguma influência social. Ou seja, pelo seu poder mediático tem a capacidade de colocar os acupunturistas mais novos contra um sistema de pontos que é claramente bom. Fica a questão: uma maioria a servir interesses pessoais de uma minoria que se quer acima da lei?
Independentemente destas questões é verdade que não é justo colocar uma pessoa de 60 anos a estudar com uma pessoa de 23 anos. A mais nova tem mais capacidade, mais iniciativa e não se sentirá tão revoltada com a mudança de status social de grande acupunturista, diretor de escolas, fundador de associações, etc… para um simples candidato com prazos a cumprir caso deseje continuar na profissão.
Seria então mais justo dar um tempo maior a pessoas mais velhas para adaptação? Por exemplo a lei define que o candidato tem o dobro do tempo necessário para fazer a sua formação. Ou seja, se a comissão estipular que o aluno precisa de uma disciplina que demora um semestre o aluno tem efetivamente dois semestres para ganhar a cédula profissional definitiva. Poderíamos ampliar este prazo para acupunturistas mais velhos para 3 semestres por exemplo?
Dar mais tempo de adaptação aos mais velhos mas manter a lei idêntica para todos parece-me uma boa alternativa.
E deverão os mais novos opor-se a um sistema de pontos claramente bom porque o seu acupunturista favorito não foi discriminado em relação a ele? E será justo que muitos acupunturistas mais velhos que lutaram a favor de uma regulamentação sejam agora colocados fora da mesma? “Podes lutar pelo futuro mas não podes fazer parte do mesmo”?
E como se discrimina a idade dos profissionais? Pela sua idade ou pelo tempo de prática? A lógica geral é que os acupunturistas mais antigos são os que tem mais prática. Mas isto tanto pode não ser verdade como pode nem sequer ser valoroso.
Pode ter-se um acupunturista com mais de 60 anos mas menos de 5 anos de prática. Deverá ele ser beneficiado face a outro acupunturista de 40 anos de idade mas com mais de 10 anos de prática?
Sem problemas se pararmos de pensar sobre sistema de pontos
Creio que a maioria dos acupunturistas mais velhos tentarão não usar o sistema de pontos e procurar antes outra via: entrevistas e análise curricular. Para muitos este seria o caminho mais justo e fácil. Para outros acupunturistas que não podem seguir por esta via pode ser altamente discriminatório. Mas isso depende de fatores que não podemos ainda analisar: quem fará a revisão curricular? Baseados em quê? Estas interrogações geram ansiedade e algum medo por parte dos acupunturistas mais velhos. De qualquer forma é inegável que, apesar de bom, o sistema de pontos mexe com a segurança de muitos profissionais.
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