O sistema de pontos: as massas não contam
Das poucas conversas que tive ninguêm mostrou a mínima preocupação com uma massa de candidatos que existem. Sem cursos de saúde, com formações base muito fracas, sem horas de estágio representativas e sem grande experiência clinica. Muitos destes acupunturistas ou especialistas em medicina chinesa não vão ter pontos necessários para uma cédula provisória e dificilmente estarão preparados para enfrentar exames (que se presume exigentes) ou fazer apresentações convincentes frente a juris que lhes garantam cédulas provisórias ou definitivas.
Muitos poderão ter de fazer novos cursos tudo de novo. Muitos alunos de cursos de fim de semana que por falta de vontade de estudo, falta de dinheiro ou falta de tempo para lidarem com cursos a tempo inteiro terão de repensar o seu futuro imediato.
Mas até ao momento ninguêm fala nisso. Os mais poderosos estão mais preocupados em tentarem garantir os seus pontos (coisa que muitos não vão conseguir fazer) e só depois irão usar isto para ganharem pessoas nas suas fileiras se decidirem irem contra o sistema de pontos. Se chegarmos a esse ponto as massas vão contar e muito… pelo menos para alguns acupunturistas!
O sistema de pontos: profissionais de saúde saem beneficiados em relação aos profissionais da área
Já me referiram este problema e apesar de existirem algumas exceções, eu não concordo com o mesmo. Um licenciado em saúde tem 3 pontos. Um mestrado em saúde tem 4 pontos. Por serem graduações em saúde ainda recebem mais 2 pontos.
No entanto um acupunturista com formação base boa tem acesso a 4 pontos e com horas de estágio suficientes consegue mais 4 pontos. Ou seja uma boa formação na área garante 8 pontos. Na presença de prática clinica com 10 anos ou mais esse acupunturista chega aos 12 pontos. O dobro de pontos que um mestrado em saúde pode ter.
O sistema de pontos: corrupção dentro de associações
Ainda não falei com ninguêm sobre este problema mas é algo que decididamente poderá vir a acontecer. Poderão algumas associações deliberadamente aldrabar o curriculo académico ou profissional de associados de forma a ganharem mais “amigos” no mundo pós-regulamentação? Poderão alguns acupunturistas mais poderosos tentar algo mais surrealista neste campo? Vamos esperar para ver. A atenção que o estado dará ao processo de regulamentação e a transparência do processo serão essenciais para prevenir algo menos ético. De qualquer forma não tenho dúvidas que pequenas contribuições para currículos imaginários irão aparecer.
O sistema de pontos: sem pontos mas com equivalências
Pequenos problemas que não surgem quando se pensa no sistema de pontos de forma mais geral mas podem surgir quando pensamos em casos particulares. Lembro-me de ter alunos que estudavam em cursos de saúde e desistiram. Esses alunos não poderão ter pontos de uma licenciatura em saúde pois não terminaram o curso.
Mas suponhamos que as disciplinas pedidas pela comissão que analisa a sua candidatura (anatomia, por exemplo) já se encontra feita. Poderão não ter a cédula definitiva através dos sistema de pontos mas seria justo dar equivalência caso as disciplinas exigidas já tivessem sido concluídas com sucesso?
Conclusão sobre o sistema de pontos na regulamentação das TNC
É impossível criar um sistema que seja 100% justo e razoável para todos. Mesmo um sistema de pontos 100% justo seria muito contestado mal batesse contra os interesses de algum acupunturista mais poderoso! E isso seria quase certo acontecer.
Este sistema de pontos é excelente na medida que beneficia todos os aspetos necessários para a formação de uma classe profissional! Formação científica, formação base teórica e prática e experiência clinica.
No entanto existem incógnitas futuras que são importantes. O bom senso na aplicação da lei, o bom senso por parte dos candidatos e a forma como se podem deixar manipular por interesses pessoais que não os deles podem ser fatores de estresse no futuro!
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