O Futuro da Acupuntura
Ao longo das épocas, a Acupuntura, conheceu o esplendor do trono das artes médicas e vagueou, esquecida, nas ruas da amargura, voltando um tempo depois ao topo do mundo. No tempo em que vivemos assistimos a um ressurgir da acupuntura. De tratamento chinês que os chineses não gostavam porque era “tradicional” e, como tal, pouco revolucionário, passando por um namoro recente à cultura chinesa sem esquecer a sua aceitação médica mundial.
Podemos perguntar-nos as razões que estão a conduzir a uma grande aceitação da acupuntura nesta nova era. Elas são simples. A grande parte dos problemas de saúde, que afetam a população dos países ricos, são problemas crónicos sem cura. Alzheimer, dores crónicas, Parkinson, Fibromialgia, etc…
O futuro da acupuntura: no início do século XX e século XXI
No passado mais recente, a acupuntura foi abandonada, porque os problemas de saúde eram diferentes. Doenças infecciosas e mortalidade infantil eram dos problemas endémicos com que o mundo se confrontava. E apesar da acupunctura poder aliviar alguns sintomas não os tratava. A Medicina Ocidental conseguiu tratá-los, daí ter sido preferida.
No momento presente não existem curas para muitas doenças crónicas resultantes do envelhecimento e maus hábitos de vida. O poder da acupunctura reside na sua capacidade de aliviar os sintomas decorrentes dessas doenças, sem contudo, as curar. Mas o resultado final procurado por todos os doentes e médicos (ou terapeutas) é a cura. Na medida em que os nossos conhecimentos dessas doenças forem amadurecendo a probabilidade de encontrar uma cura será maior. E com a cura vem o fim da acupuntura.
Poderemos suspirar, então, com um anúncio precoce da morte da acupuntura? Vai depender das situações, mas em grande medida, não considero que a acupuntura ainda seja um tratamento válido daqui a 100 anos.
A principal queixa apresentada pelos doentes que recorrem à acupuntura é a dor. Pode ser dor devido a uma patologia degenerativa da coluna, dor por inflamação do nervo ciático, dor de origem desconhecida, dor miofascial, dor por síndrome do canal cárpico, dores crónicas, etc…
Inovação médica e o futuro da acupuntura
O desenvolvimento de novas cirurgias mais seguras e eficazes irão diminuir, com o tempo, o número de pacientes com síndrome do canal cárpico ou com patologia degenerativa que recorrem às consultas de acupuntura. A descoberta de novos medicamentos, com efeitos analgésicos e poucos ou nenhuns efeitos secundários, irão diminuir o número de doentes com dores crónicas. É mais fácil tomar um medicamento do que pagar um X número de consultas onde se inserem agulhas, algumas bastante dolorosas.
Atualmente existem estudos de novos compostos mais fortes que a morfina e com menos efeitos secundários, existem estudos de novos fármacos e novos procedimentos cirúrgicos para curar ou melhorar a qualidade de vida de pacientes com patologias degenerativas como Alzheimer, Parkinson ou esclerose múltipla. A eficácia destas novas intervenções, e das suas futuras descendentes, ultrapassa, em muito, aquilo que a acupuntura poderá oferecer.
É evidente que a acupuntura serve para muito mais do que tratar dor. Temos o exemplo, da sua aplicação clínica, no alívio de sintomas decorrentes da quimioterapia e radioterapia. No entanto a quimioterapia e a radioterapia estão a desenvolver-se de forma a destruir as células neoplásicas com maior eficácia, preservar as células saudáveis e diminuir os efeitos secundários. Outras drogas também se estão a desenvolver de forma a combater os efeitos secundários destes tratamentos de forma mais satisfatória do que aquela que a acupuntura pode oferecer (que é muito limitada).
O campo terapêutico da Medicina Nuclear apresenta um grande desenvolvimento com aplicação de engenharia genética em anticorpos, uso de novos emissores radioativos mais potentes e uso de bases lisosomotrópicas para aumentar o tempo de captação celular dos emissores radioativos. Investigações paralelas estudam o potencial terapêutico da fitoterapia tradicional na protecção celular dos efeitos radioativos, assim como na sua recuperação.
A mesma direcção é seguida por todas as áreas onde a acupuntura apresenta aplicações clínicas seguras desde a psiquiatria à ginecologia. Poderá, então, a acupuntura sobreviver daqui a 100 anos? Na minha opinião, assistimos aos últimos momentos de brilho da acupuntura. No entanto é possível imaginar uma forma de nanoacupuntura.
O futuro da acupuntura e a nanotecnologia: um combinação possível
A nanotecnologia tem sofrido grandes evoluções e será uma parte integrante do corpo de conhecimento médico daqui a 100 anos. Atualmente começam a criar-se ligaduras com cristais de prata que impedem a formação de infecções. Os mesmos cristais podem ser usados em meias para evitar o tão famoso cheiro a cholé (daqui a uns tempos vai ser muito seguro descalçarmos os sapatos, num ambiente fechado, cheio de pessoas, sem ouvir bocas de bastidores). Poderão a acupuntura e nanotecnologia acasalar numa nova ciência? Numa nova forma de tratamento?
A ideia mais leiga que me vem à cabeça consiste num conjunto de máquinas muito pequenas a percorrerem os nervos ao longo do corpo à procura de pontos de acupuntura. Mas seria possível, realmente, criar esse tipo de nanotecnologia que nos permitisse obter uma estimulação constante de determinadas regiões do corpo? Sem provocar dor ou sensações desagradáveis e permitindo à pessoa levar uma vida normal? Acima de tudo, ficam as perguntas: será realmente necessário face ao desenvolvimento de todos os outros campos de tratamento? E não passará esta ideia justamente do que é? Uma ideia interessante mas sem aplicações clínicas válidas?
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