Inteligência Artificial e o futuro dos cuidados de saúde

A advocacia como exemplo

A advocacia é uma profissão de respeito que exige anos e anos de estudo. No entanto, atualmente a IBM desenvolveu um programa de Inteligência Artificial (IA) chamado ROSS que consegue bater a maioria dos advogados. Se os advogados acertam cerca de 70% das vezes o sistema da IBM acerta 90%.O programa compreende a linguagem humana, está feito para dar respostas a perguntas, consegue formular hipóteses e monitoriza os desenvolvimentos do sistema legal.
Na firma Lawgeek usam-se algoritmos matemáticos para revisão de contractos. O relatório indica o que está de acordo ou contra a lei e que partes do contrato podem ser discutidas ou devem ser melhoradas.
De acordo com os clientes atendidos por este sistema de IA poupa-se cerca de 80% do tempo em análises de contrato,  conseguem fechar negócios 3 vezes mais rápido e poupam 90% do dinheiro gasto anteriormente.
No futuro as pessoas vão ter acesso a conselhos legais específicos sem ter de pagar preços elevados a advogados. A pessoa mais pobre terá direito ao melhor advogado do mundo. Um mundo perfeito onde todos são idênticos aos olhos da lei (ou pelo menos algo parecido!). Um sistema mais justo, eficiente e transparente… mas à conta de quantos postos de emprego perdidos? Qual o futuro da advocacia num mundo onde algoritmos conseguem prever decisões de tribunais de forma muito mais eficiente que os advogados? Num mundo onde contratos são analisados por Inteligência Artificial garantindo que todos os contratos são justos e o procedimento mais barato e eficiente?

Inteligência Artificial nos cuidados de saúde

A Inteligência Artificial vai ter impactos profundos imediatos em algumas profissões e menos noutras. No curto prazo de tempo (próximos 40 anos diria eu) vai afetar principalmente profissões que dependam de opiniões informadas e no longo prazo (próximos 80 a 100 anos) vai afetar profissões de saúde com forte componente manual. A grande diferença é que nestas últimas é necessário conjugar sistemas de Inteligência Artificial com sistemas robóticos bastante avançados.

Inteligência Artificial nos próximos 40 anos

Os profissionais de saúde cujo trabalho se foque em opiniões informadas ou trabalhos mais repetitivos serão afetados mais cedo. Um médico de família será mais afetado do que um massagista nos próximos 40 anos.
Pegando somente na questão da Inteligência artificial podemos ver que tanto a advocacia como a psicologia ou a nutrição irão sofrer grandes alterações. Atualmente já existem computadores de Inteligência Artificial que são capazes de enganar as pessoas e levá-las a pensar que estão a conversar com outra pessoa (fim da linha para os psicólogos). 
Na nutrição, se associarmos algoritmos específicos com a informação gerada pela vulgarização de testes clínicos, então, qualquer pessoa pode ter um conhecimento exato da sua bioquímica seguido de um relatório muito exato do que deve comer, do que deve evitar ou de como deve fazer as suas refeições.

Inteligência Artificial na saúde

Aplicativo My Fitness Pal usado por muitos atletas para controlarem as calorias que comem. A evolução deste tipo de aplicativos, do acesso universal a análises clinicas e de Inteligência Artifical vai colocar em causa o trabalho dos nutricionistas.

O desenvolvimento de aplicativos com Inteligência Artificial para controlo de peso e exercício aliado a uma maior integração de aparelhos (telemóvel, frigorifico, tablet, balança, etc…) vai fazer com que cada pessoa possa ter o seu nutricionista 24 horas por dia, 7 dias por semana, 52 semanas por ano. Vai saber em tempo real a variação hormonal que o corpo sofre, a falta ou excesso de nutrientes, alterações minimas em marcadores tumorais, etc…

Inteligência artificial e a revolução do sexo: o principio do século XXII

Os profissionais de saúde cujo trabalho esteja muito dependente das mãos, de um toque apurado e de um trabalho manual inovador e criativo vão expandir-se nos próximos anos e só verão ameaçado os seus trabalhos daqui a 60 ou 80 anos (previsão minha).
Enquanto a cirúrgia vai usar aparelhos cada vez mais desenvolvidos (guiados por médicos e com variados graus de autonomia) a terapia manual e de movimento (fisioterapia, fisiologia do exercício, acupuntura, osteopatia) vai permanecer razoavelmente livre da revolução na Inteligência Artificial e da robótica. Explicando melhor: a robótica e a IA vão ser usadas para melhorar os serviços prestados por esses profissionais sem colocar em causa o seu trabalho.
Pode não parecer mas, na minha opinião, o grande desafio futuro a estes profissionais vem do mercado do sexo, em particular de robots criados para o prazer sexual. As bonecas insufláveis do futuro não só vão revolucionar as relações humanas, vão acompanhar as mudanças culturais e ajudar a definir um novo conceito de núcleo familiar como vão ser adaptadas para funções diversificadas onde entram profissões de saúde com base em terapia manual.
Os robots sexuais atuais são feitos de polímeros cujo toque se assemelha à pele humana, gemem, a vagina humedece, tem alterações de temperatura, simulam orgasmos e estimulam sexualmente os seus parceiros humanos. E quando não fazem isso respondem a questões no twitter.

A questão importante é esta: com o desenvolvimento da Inteligência Artificial vem a capacidade de diagnosticar situações usando inteligência analógica e capacidade de compreender os pacientes usando inteligência emocional. A integração de sistemas de inteligência analógica e emocional é crucial para o sucesso de qualquer profissão de saúde.
Com o desenvolvimento da robótica vem a capacidade de transpor essa inteligência Artificial para um corpo móvel com capacidades mais diversificadas que um carro ou um frigorifico. Os robots pensados para os militares tem de sofrer impactos, resistir mudança de temperatura bruscas e ser adaptáveis a diferentes tipos de terreno. Mas os robots desenvolvidos a pensar no prazer humano tem de ser o mais parecidos com o nosso principe/princesa encantado(a). Em particular tem de ter a capacidade de abraçar e tocar o parceiro como se fosse um ser humano real.
Se nós aliarmos esta capacidade de toque intimo robótico com Sistemas de Inteligência Artificial então temos um osteopata ou acupuntor (ainda exisitrá daqui a 80 anos?) pessoal disponível 24 horas por dia.
Os robots de prazer sexual serão excelentes massagistas e saberão fazer manipulações. Poderão ter incorporados sistemas de imagiologia médica que lhes permitem ver vasos sanguineos e fazer ecografia em tempo real enquanto manipulam ou perfuram tecidos. Sistemas de Inteligência Artificial avançada integrados em sistemas de robótica com funções especializadas.
Se fosse hoje em dia alguns dos meus amigos teriam a Jennifer Lopez como osteopata pessoal (e a verdadeira Jenifer não poderia fazer nada em relação a isso) enquanto amigas provavelmente teriam o Brad Pitt (mas sem o problema do álcool!).

O problema destas previsões

Estas previsões são feitas por mim com base nas leituras que faço e na minha cultura. É essa mesma cultura que limita a capacidade de previsibilidade do que defendi no artigo.
Existem imensos fatores que não se conseguem equacionar  num todo coerente e que apesar de não fazerem parte da saúde, podem afetar esta mesma.
Temos notado uma cada vez maior distanciação entre países pobres e ricos porque os países pobres não conseguem acompanhar o grau de crescimento dos países ricos. O mesmo acontece com educação e evolução tecnológica. Os países ricos vão depender cada vez mais de sistemas robotizados e Inteligência Artificial o que significa que vão precisar cada vez menos de trabalho pouco especializado. Isto terá implicações gigantes na forma como esses países ricos olham para a migração e permitem a entrada de emigrantes.
Esta evolução será acompanhada de reformas revolucionárias na forma como ajudamos os países pobres ou irão manter-se as políticas atuais que tem falhado constantemente em ajudar esses países?
Qual o grau de evolução que a Inteligência Artificial e sistemas robotizados vão ter? Estará o Ocidente disposto a fazer projetos ambiciosos como o projeto Manhatan da Segunda Guerra Mundial para fazer crescer ainda mais o nosso conhecimento? E de que forma o crescimento desse conhecimento irá afetar milhões de postos de trabalho pouco especializado na China? A China irá continuar a fazer depender a sua economia dessa trabalho ou irá focar-se na criação de Know How?
Até que ponto o crescimento da Inteligência Artifical será suficientemente rápido para gerar medo por parte da população que o desenvolveu ou tensão internacional pelas diferenças entre países mais desenvolvidos e menos desenvolvidos?
Como pode o fator humano, social, politico ou histórico afetar a evolução da sociedade humana no próximo século e a forma como adaptamos e evoluimos as nossas crenças culturais e sistemas sociais para integrar sistemas de inteligência Artificial que poderão tornar-se completamente autónomos?

Conclusão sobre inteligência artificial na saúde

A Inteligência artificial na saúde é uma realidade inegável e uma necessidade futura. Devido ao envelhecimento da população os japoneses estão a investir em sistemas de Inteligência Artifical e Tecnologia robotizada para substituir o trabalho de profissões de saúde como enfermagem.
De forma geral as primeiras profissões a serem mais afetadas serão aquelas que exigem funções pouco criativas e mais repetitivas tipo caixas de banco. Profissões como Agentes de autoridade que exigem alguma criatividade no dia a dia irão manter-se mais tempo usando sistemas de inteligência artificial mas mantendo trabalho humano.
Na saúde as profissões que exijam uma associação avançada de robótica com inteligência artificial irão manter uma certa independência durante mais tempo. Profissões que dependam essencialmente de opiniões informadas serão mais rapidamente substituídas por sistemas de Inteligência Artificial com algoritmos específicos para inteligência analítica e outros para inteligência emocional.