Volta e meia surge um artigo, na maioria das vezes escrito por um médico, que mostram as falhas das TNC em 3 pontos importantes. As TNC exigem os mesmos direitos que outros profissionais de saúde mas prescindem da mesma certificação que os seus produtos tem de usar, não tem formação científica e aplicam tratamentos sem credibilidade científica pondo a segurança do paciente em causa.

Independentemente do valor moral ou científico que cada um reconhece a esses artigos eles devem ser encarados com seriedade. Assumir as falhas das TNC é essencial para não os voltarmos a cometer. Evoluir a partir dos nossos erros é fulcral para tirarmos a razão de crítica a muitos que se opõem a estas áreas.

Credibilidade científica

Crenças sem credibilidade científica

Existe uma grande mistura de terapêuticas na lei que enquadra as TNC, desde a mais fundamentada análise osteopática em biomecânica humana à mais fantasista ideia de que a água tem memória. Muitas vezes quando criticos e céticos atacam as TNC fazem-no recorrendo a exemplos de homeopatia (o mais fácil) e depois tratam tudo o resto como se tivesse o mesmo valor.

Falta de estudos

Efetivamente faltam estudos em muitas áreas; acupuntura tem um problema particular uma vez que tem estudos acerca dos seus mecanismos de ação de boa qualidade mas depois tem estudos clínicos que são pura perda de tempo, homeopatia tem estudos mais que suficientes a dizer que não serve para nada, mas a osteopatia tem bons estudos a sustentar a sua eficácia.

Prescrição

Poder prescrever fórmulas que não estão comprovadas cientificamente enquanto os médicos só podem prescrever medicamentos devidamente comprovados (ou pelo menos com um número de estudos viciados suficiente). Este argumento está associado tanto à falta de comprovação científica como à segurança. É verdade que existem problemas científicos e sociais com estas fórmulas mas estes serão trabalhados num artigo à parte pois é um problema mais complexo.

Segurança

Prescrição de plantas

Muitas escolas ensinaram os seus alunos que os efeitos das plantas não interagem com os efeitos dos medicamentos pois as primeiras atuam a nível energético e os segundos a nível químico. Este ensinamento entrou no pensamento mainstream das TNC e temos dificuldade em livrar-nos dele ou mesmo aceitar que este problema existe. Devemos aceitar os erros que foram cometidos e alterar os programas curriculares de forma a educarmos os alunos para estes problemas, mesmo que isso prejudique a credibilidade de muitos gurus que passaram anos a ensinar disparates (está na altura de reconhecermos que os nossos reis andam nus). Devia ser prioritário ensinar as interações conhecidas e estratégias clinicas para as impedir ou minimizar e mostrar a importância do acompanhamento constante dos pacientes e do trabalho multidisciplinar.

Controlo de qualidade:

Não opor à fiscalização destas empresas e certificação de qualidade dos seus produtos tal como acontece com os medicamentos. Pelo contrário devíamos exigir isso mesmo. Muitos dos terapeutas que prescrevem também tomam as fórmulas fitoterápicas. Enquanto terapeuta e consumidor eu quero garantir que estou a prescrever ou a tomar algo que não tem excesso de metais pesados ou outra planta qualquer que eu não desejo tomar.

Aplicação de terapêuticas

O uso de acupuntura sem conhecimentos de anatomia e sem a capacidade de reconhecer a importância primordial de anatomo-fisiologia humana no desenvolvimento de métodos de racíocínio clínico objetivos é a grande falha dos acupuntores. Outra é a sua incapacidade de saber definir corretamente qual o seu método de ação clínica e limitações na aplicação das suas terapêuticas. A acupuntura é publicitada como um remédio que cura tudo e pode ser usada para todo o tipo de males. Isso faz com que a profissão perca credibilidade.

Na osteopatia temos que muitas vezes a inexperiência e a falta de formação faça com que osteopatas apliquem técnicas contra-indicadas em determinados pacientes pondo em risco a segurança dos mesmos.

Formação

Fraca formação científica

A falta de formação científica é o grande problema destas áreas. Os acupuntores acreditam em energias e não tem raciocínio clínico baseado em anatomo-fisiologia humana porque foram educados por escolas cujos professores não tem formação científica nem clínica.

Enquanto as outras profissões de saúde são obrigadas a ter formação científica muito avançada as TNC são baseadas muitas vezes em terapêuticas sem credibilidade científica e fundamentadas em manipulações de conceitos científicos. A medicina quântica, adotada por muitos naturopatas, é um claro exemplo disso.

Enquanto a medicina ocidental desenvolve valências dentro da medicina nuclear, radiologia ou radioterapia onde o conhecimento de física clássica e física quântica é essencial as TNC aceitam uma qualquer versão iletrada de física quântica que fale de vibrações, energias e homeostasia.

Enquanto os fisioterapeutas tem de saber anatomia, biomecânica e passam horas a estudar física os acupuntores são ensinados a acreditar que existem umas energias no corpo.

Conclusão sobre falhas das TNC

Os erros que nos apontam não têm problema. Temos de aceitar as falhas das TNC e evoluir a partir daí para nos tornarmos mais fortes.

Enquanto continuarmos a negar a existência dessas falhas das TNC, a não fazer nada para os mudar e a usar argumentos para não se debater nada (como não vamos falar publicamente deste assunto!) só vamos conseguir barreiras de comunicação e contacto com outras profissões de saúde com as quais precisamos e devemos trabalhar.

Sem a humildade de reconhecer os nossos erros e a nossa ignorância, sem a força de carácter para mudar o nosso sistema de crenças, sem a coragem de abandonar as verdades absolutas de gurus ignorantes e aceitar o valor e a força do conhecimento científico, não há futuro.