Escolher escolas de medicina chinesa em Portugal

Muitos poderão olhar para este texto como um ataque às suas escolas de medicina chinesa. Em várias ocasiões até poderá se-lo. No entanto, pretendo mostrar aos diferentes leitores as diferentes escolas de medicina chinesa e medicina chinesa e os problemas que se colocam em algumas delas. Antes de escrever este texto debati-me com uma interrogação moral entre não escrever para não afetar outras escolas ou escreve-lo e dar a minha opinião (mais fundamentada do que muitas pessoas gostariam de admitir) acerca dos diferentes cursos de medicina chinesa. Acima de tudo existe a necessidade de discutir abertamente todos os factos presentes. Não pretendo com o meu artigo mostrar a realidade objectiva a 100%. Acho que ninguém o conseguiria fazer. No entanto pretendo apresentar o meu ponto de vista. Uma coisa posso garantir: as minhas afirmações serão sempre fundamentadas.

Este é um assunto que gera imensas polémicas. Muitos alunos do secundário procuram nos fóruns, informações sobre as diferentes escolas de medicina chinesa e conselhos acerca das mesmas. As minhas posições relativamente a este assunto não são muito populares. Mais não seja pelas criticas constante que faço aos cursos de fim de semana. Apesar destas discussões acabarem por focar principalmente a APA-DA, na realidade, elas são dirigidas a todos os cursos de fim de semana no geral. A APA-DA acaba por ser a escola mais referenciada pelo facto de ter mais alunos, ser a mais conhecida do grande público e de ter alunos mais participativos nos diferentes fóruns.

Este artigo versa sobre estas discussões. Versa igualmente sobre os critérios que creio serem os mais importantes para um aluno escolher escolas de medicina chinesa. Podemos dividir este artigo em 3 partes: (1) contexto em que se encontra o ensino e prática da acupuntura, (2) critérios para escolher escolas fundamentados no contexto atual e, finalmente, (3) resposta a algumas críticas relativamente aos meus pontos de vista.

Escolas de medicina chinesa na atualidade nacional

Em Portugal a acupuntura não se encontra regulamentada. Em termos práticos isto significa que qualquer pessoa se pode afirmar como acupuntor, qualquer pessoa pode ministrar cursos de acupuntura independentemente da sua qualidade e qualquer pessoa pode dizer o que bem lhe apetecer, tanto acerca do seu sucesso clínico como acerca da qualidade dos seus cursos.

A ausência de regulamentação que credibilize os profissionais e separe o trigo do joio, a ausência de leis que diferenciem os cursos realmente válidos daqueles que não reúnem condições para o ensino e o marketing inerente a qualquer escola de acupuntura que procure ter alunos para sobreviver associada ao facto de não existirem órgãos independentes que avaliem os profissionais de forma independente faz com que qualquer escola ou qualquer profissional seja o melhor do mundo sem na realidade ter de dar provas para tal.

Um curso superior de saúde homolgado implica já por si a qualidade suficiente para poder formar profissionais. Isso significa que existe uma profissão regulamentada e cursos devidamente credenciados pelos ministérios responsáveis. A Acupuntura apresenta imensos cursos mas nenhum deles se encontra homolgado, logo, qualquer pessoa interessada nos mesmos não saberá como escolhe-los.

A publicidade inerente ao curso está sancionada por códigos deontológicos estritos: por exemplo, muito dificilmente veremos uma Universidade Portuguesa apresentar os seus cursos para o grande público como os melhores de Portugal ou da Europa. No entanto isto acontece na Acupuntura. Para tal basta visitar a página Web da APA-DA, onde é afirmado:

“É um dos cursos mais completo existente em toda a Europa.(1)

Os Acupuntores, uma vez terminado o curso, trabalham sozinhos ou então como assistentes de outros acupuntores que tiraram o curso na mesma escola. Ao contrário das outras profissões de saúde, onde os diferentes serviços servem para avaliar a qualidade dos profissionais, a acupuntura resume-se a meia dúzia de feudos. Por exemplo, os serviços de enfermagem dos hospitais públicos e privados e das clínicas privadas apresentam preferência por enfermeiros de determinada escola. Esta escolha está diretamente relacionada com a experiência que tiveram com outros profissionais provenientes dessa instituição. Esta é uma das formas de poder credibilizar o ensino de uma instituição de forma independente.

Regra geral dentro dos cursos válidos pode haver um ou outro com mais qualidade. Essa diferença observada pelos diferentes alunos das diferentes escolas que lá podem estagiar ou pelos diferentes profissionais que lá se encontram a trabalhar pode ser relevante para um profissional entregar currículo e ser chamado. Na Acupuntura nada disto se passa. Os alunos só estagiam na clínica associada à escola que os ensina (assumindo que existe uma clínica para eles estagiarem) e raramente trabalham com profissionais de outras escolas.

Face a estes factos como pode um aluno fazer uma escolha consciente de um curso que lhe possa garantir uma formação minimamente adequada. Não estando a profissão regulamentada, não existindo cursos homolgados (credenciados pelo governos português), estando sujeito a todo o tipo de publicidade, sem a existência de serviços ou instituições que possam fazer uma avaliação secundária (homolgar um curso significa que o mesmo tem capacidade de formar condignamente os futuros profissionais), como pode um futuro profissional olhar para as diferentes escolas e escolher?

3 critérios na escolha de escolas de medicina chinesa

Na minha opinião existem 3 critérios que qualquer pretendente a uma destas escolas de medicina chinesa pode usar. Como veremos algumas pessoas opõem-se a estes critérios considerando-os subjectivos. Outras consideram-nos um ataque às suas escolas de medicina chinesa uma vez que os seus cursos acabam por não ser os mais aconselhados. Não creio que estes critérios sejam 100% seguros e fiáveis mas não tenho dúvidas que são os melhores face à situação actual em que se encontra o ensino da Acupunctura. Defini estes parâmetros no sentido de os empregar no contexto presente e não num contexto futuro em que a Acupunctura se possa encontrar regulamentada com cursos homolgados.

Os 3 parâmetros seriam: (1) número de horas teóricas com correspondente currículo; (2) número de horas de aulas práticas com correspondente currículo e (3) estágio clínico, tanto em clínicas privadas em Portugal como fora de Portugal. Crucial será salientar que quando falo do curso de Acupunctura estou na realidade a falar do curso de Medicina Chinesa (Acupunctura Japonesa e Coreana são diferentes mas tem uma base comum. Neste artigo não irei fazer distinções. Estas distinções estão associadas a outra problemática do processo de regulamentação que irei comentar num texto próprio).

Face à complexidade do curso, das matérias a leccionar dentro do diagnóstico, teoria básica, matéria médica, dietética, acupunctura, etc… um currículo teórico complexo e exigente torna-se essencial. Por outro lado é um curso essencialmente prático. Muitas cadeiras como Introdução à Acupunctura e Moxibustão, Técnicas Avançadas de Acupunctura, Massagem Tui Na, Topografia dos Meridianos e Pontos, Tai Qi Quan e Qi Gong são cadeiras com maior componente prática que teórica e que exigem determinadas condições. Finalmente temos a componente de prática clínica que é o culminar do ensino teórico-prático e sem a qual muito dificilmente se poderão formar bons profissionais.

Estes 3 parâmetros podem ajudar o futuro aluno a decidir-se pelos diferentes cursos. Baseados nestes 3 parâmetros há várias questões que se podem colocar na escolha do curso: Qual a complexidade das matérias estudadas? Quais as condições que determinada escola oferece para as aulas práticas? Qual a prática que realmente poderá ser feita atendendo às condições materiais e de horário de determinada instituição? Quais as reais condições para prática clínica que o aluno de determinada instituição poderá usufruir?

Muitas pessoas, em particular alunos de outras escolas de medicina chinesa que não poderão oferecer respostas muito positivas, poderão afirmar que existem outras coisas mais importantes, que este é um ponto de vista condicionado, que as suas escolas são das melhores com os melhores profissionais seja de Portugal, da Europa ou do Mundo. Pessoalmente não ligo muito ao suposto currículo nem à bajulação pessoal ou à adoração cega de ídolos semi-endeusados. Para mim conta a análise de argumentos, a sua solidez e, acima de tudo, a frontalidade e honestidade intelectual com que se possa discutir determinados assuntos. O que estas questões fazem é permitir às pessoas pensarem para lá da fama ou do prestígio popular e focarem-se nos argumentos e na lógica de forma a poderem decidir de forma mais consistente e consciente. Nas linhas abaixo aprofundarei o pensamento subjacente às questões acima colocadas.

As críticas dos alunos da APA-DA

Costumo ser muito atacado por alunos da APA-DA que não concordam com as minhas ideias. Uns tentam um diálogo mais construtivo, pelo menos numa fase inicial, em que pensam conseguir sustentar os seus argumentos. Outros nem isso:

“Nem precisam de ter sempre um qualquer indivíduo a fazer de advogado do diabo nas respostas à critica à sua instituição, intitulando-se professor da mesma, dando o  aspecto de que só é professor por dar a cara e fazer o “trabalho sujo” dos responsáveis da mesma instituição, na sua defesa. O chamado…”(1)

Um terceiro tipo de pessoas prefere tentar sistematicamente manipular o que é escrito e discutido. Por exemplo, quando discutia com um aluno da APA-DA sobre a importância do número de horas de aulas teóricas e práticas recebi a seguinte resposta:

“e ganha o curso que tiver mais horas, imagino que valha tudo nessa corrida pela qualidade até aulas sem professor”.(2)

Já para não falar no problema de se ver todo o tipo de informação manipulada seja por pessoas particulares ou por instituições, seja no processo de regulamentação, seja na discussão da exigência do ensino ainda há uma verdade bastante infeliz. No seio da Acupunctura, em Portugal, os profissionais discutem sobre a validade de cursos de fins de semana, algo intolerável para qualquer outra profissão de saúde.

Muitos podem não querer ver isto, mas como antigo aluno e como professor de acupunctura clínica, sei que existe uma grande diferença entre aquilo que posso exigir e ensinar aos alunos se os vir 1 vez por mês durante 2 horas ou se os vir 1 vez por semana durante 2 ou 3 horas. Qualquer professor, seja do ensino secundário ou superior sabe isto (e eu venho de uma família de professores). A acupunctura, o campo que conheço melhor, dificilmente pode ser bem ensinada, nas condições que, muitos cursos de fins de semana, oferecem. Não digo com isto que os professores destes cursos não sabem o que estão a ensinar ou que não sabem ensinar. Digo que os cursos não apresentam condições para que os professores possam fazer um bom trabalho.

Quando critico licenciaturas de fins de semana, alguns porque são dados em salas de conferência de hoteis muitos interrogam-se:

“E olha, eu, tal como todos os que “têm aulas de fim de semana e em hotéis”, ainda não consegui perceber qual é a influência de uma sala de hotel na formação, e na qualificação profissional.”(3)

Na realidade, é importante na medida em que nas aulas práticas são necessários determinados materiais como marquesas (para o aluno poder praticar acupunctura no colega, marcar pontos de acupunctura, treinar técnicas de massagem), agulhas, algodão, álcool (para treinar as diferentes técnicas de acupunctura, seja numa pessoa ou não, por exemplo), ventosas e aplicação de moxa (técnicas importantes da acupunctura). Como se pode oferecer as condições para estas práticas numa sala de conferência de um qualquer hotel? Uma aula prática não passa por mostrar uns quantos slides e descrever a técnica.

Muitos alunos necessitam tirar formações extras onde poderão ter aulas práticas de massagem Tui na. Regra geral estes seminários são fomentados pelas escolas (pelo menos no que concerne à APA-DA) o que ajuda o aluno a melhorar a sua perícia e os seus conhecimentos teórico-práticos. No entanto estes seminários não são minimamente suficientes e nem todos os alunos os fazem. A verdade é que um curso de fim de semana não consegue dar o acompanhamento desejado à formação de um profissional. Por muito que nos esforcemos só com um lascismo enorme conseguiremos dar credibilidade a esse tipo de cursos.

Quando critico a prática clínica que é rara ou totalmente ausente em muitos cursos de fins de semana também sou atacado. Há pessoas que tiram cursos de fins de semana, recebem o diploma e vão para o mercado de trabalho sem ter visto um único paciente durante todo o curso. Muitos têm de aprender as técnicas de acupunctura por eles ou noutras formações à parte. Isto deveria ser inadmissível. Na realidade nem é admitida abertamente a existência deste tipo de problemas. Muitas vezes sou acusado de não saber do que estou a falar:

“Nuno desculpe que ponha as coisas desta maneira mas você só diz coisas sem nexo, injustificadas e sem conhecimento de causa.”(1)

A experiência dos alunos da APA-DA

Na realidade eu nem preciso saber do que estou a falar. Basta deixar os alunos e profissionais das escolas falarem:

“Quem assistiu às 1ºas aulas do Prof P.Choi e mesmo depois de se falar com os responsáveis do curso, percebe que a programação de base do curso assim como o nível de exigência parecem ser bastante bons, mas que o tempo não chega, de longe, para tudo o que se pretende ensinar. Daí, a redução enorme das aulas práticas de base e a forma acelerada como eventualmente vão ser dadas grande parte das matérias. Mas se todos percebem isto, como os próprios responsáveis corroboram, então porque se continua a manter as aulas concentradas apenas num fds por mês e não se aumenta para pelo menos mais um? (idealmente até acho que poderiam ser todos os fds, mas acredito que seria mais complicado agradar a toda a gente). Julgo que se todos estivessem alinhados neste sentido, este curso poderia certamente ser melhorado em muito, com as vantagens obvias daí inerentes.(2)

“Olá, sou aluno do 2º ano da APA-DA e estou a adorar o Curso. É verdade sim que a frequência das aulas deveria ser maior e com mais componente prática,”(3)

Entre acusações de não saber do que falo ou outros ainda mais ridículos esconde-se um problema epidémico em muitos cursos de fins de semana. A prática clínica é inexistente ou cronicamente fraca. Num tópico da comunidade de medicina chinesa datado de 15 de Março de 2007 é dito, por um aluno da APA-DA:

“Pela primeira vez, a APA-DA, iniciou a chamada “prática clinica” que consiste em fazer-se um tratamento – a pelo menos um paciente- por ano-que constitui o “estágio”.(4)

Noutro tópico sobre a prática clínica da mesma instituição:

“Alguém que me possa “situar”. Ouvi dizer, relativamente à apa-da «”OBRIGAR cada aluno a tratar, em cada ano lectivo, pelo menos um doente, a qual contará para a nota final do respectivo ano.. numa das clinicas do Dr.Pedro Choy ou dos seus assistentes… o “doente” paga consulta inicial, um tratamento e uma consulta de revisão…………e, a isto chamam de: obtenção de treino clinico Prático.agradecia que colega /alunos da apa-da podessem partilhar opinião sobre este assunto…”(5)

A resposta de um colega da APA-DA:

“Para mim, que estou no 4º ano, só tenho a ganhar em poder fazer um diagnóstico a um caso real, poder discuti-lo com um profissional… A não ser que se tenha conhecimentos no meio, não temos muitas oportunidades de o fazer.”(6)

Noutro tópico de 26 de Abril de 2007 é escrito, por uma aluna da APA-DA:

“Relativamente ás aulas praticas, a APA-DA obriga o aluno a realizar a “prática Clinica” – a pelo menos um paciente, em cada ano lectivo. Isto é, cada aluno terá que – devidamente acompanhado /seguido por um prof. – “tratar” um paciente ao longo de cada ano lectivo. Tb existe calendarios de formaçao mensais de aulas praticas ao longo de todo o ano.”(7)

Quando alunos de outras escolas se manifestaram contra a insuficiência que representa 1 doente por ano receberam a seguinte resposta:

“A quantidade não equivale a qualidade!!!”(8)

Vale tudo. Para quem estuda medicina chinesa deixo aqui um provérbio chinês: “a quantidade tem uma qualidade muito própria”. Desde quando é que podemos aceitar cursos onde os alunos só vêm 1 doente real por ano com o argumento de que a quantidade não equivale a qualidade? Isso também justifica o facto de que antes de 2007 os alunos poderem terminar o curso sem tratarem um único doente? E este argumento também deve ser válido quando se defende o doente português? Em algumas escolas com menos alunos e meios que a APA-DA a situação ainda é pior: literalmente não tratam um único paciente ao longo de todo o curso.

Argumentos falhados na defesa de escolas de medicina chinesa

Entre os vários ataques aos 3 parâmetros que usei para aconselhar os futuros alunos constam: (1) a sua subjectividade e (2) a apresentação de outros factores que sejam mais benéficos à sua escola como a qualidade dos métodos de ensino, a competência e nível de formação dos docentes, saídas profissionais ou relação com outras instituições estrangeiras.

Na realidade os parâmetros que aconselho, nas circunstâncias actuais, são os mais objectivos. Todas as escolas de medicina chinesa tem bons e maus professores. Um bom professor para um aluno pode ser mau para outro. No entanto fica difícil avaliar a credibilidade dos diferentes professores nas condições actuais. E quando falamos do número de horas teóricas ou práticas falamos das condições para ensinar as matérias necessárias. Um bom professor sem as condições necessárias dificilmente fará um bom trabalho.

As saídas profissionais são idênticas para todos pelo que não tem relevância nenhuma. Os métodos de ensino variam consoante as capacidades tecnológicas da escola, o tempo de ensino e do professor. Finalmente temos a relação com outras instituições estrangeiras que só por si não significa necessariamente qualidade. Evidentemente que o que um aluno da APA-DA pensa outro pode não concordar.

A hipocrisia no ataque a outras escolas de medicina chinesa na defesa do mesmo tipo de escolas de medicina chinesa

Quando um interessado em tirar um curso de acupunctura interrogou os membros do forumMTC acerca de um novo curso de “centrozen” em Aveiro, recebeu a resposta de um aluno da APA-DA:

“Um conselho amigo “não compres gato por lebre” limita te ás escolas que já tÊm credibilidade e nome na praça. Não desperdices o teu tempo com escolas sem certificação segura.”(1)

Depois do outro membro da do fórum ter perguntado a opinião acerca do curso afirmando que ele era reconhecido pelas entidades: Fundação Europeia de Medicina Chinesa (certificado nº 050004); PEFOTS (Pan European Federation of TCM Societies); Practitioner´s register e Beijing Herbal Medicine Acupuncture Institute, recebeu a seguinte resposta do mesmo aluno da APA-DA:

“Pois pode ser certificada segundo eles, mas nunca ouvi falar, há quanto tempo existe?O Drº Pedro Choy é membro da direcção da Fundação Europeia de MTC e é Vice-Presidente da WFCMS – World Federation of Chinese Medicine Societies, e a Universidade de medicina chinesa do dr pedro choy é o unico polo no mundo de uma universidade chinesa, por isso comparativamente a essa escola não sei…Qual o curriculo do curso, quantos anos etc…”(2)

Qual o currículo do curso? Quantos anos? É curioso que quando eu defendo os cursos diários (tal como outro curso superior normal) e critico os cursos de fins de semana devido à falta de horas curriculares suficientes, seja atacado por membros da APA-DA que se mantêm calados quando um dos seus colegas usa os mesmos argumentos contra outros cursos.

Curiosamente a credibilidade, das escolas de medicina chinesa, é dada pelo nome da praça e numa profissão de saúde que não está regulamentada e em que qualquer pessoa pode fazer as afirmações que bem entender todos sabemos que o nome da praça é o mais importante. Pensar seriamente em horas curriculares? Pensar em condições de aulas práticas e na exigência curricular dessas aulas? Pensar em estágios clínicos? De nada vale quando se tem o nome na praça.

E o que dizer sobre certificação segura? Para o autor deste comentário a APA-DA tem certificação segura. Se a acupunctura fosse regulamentada e os acupunctores trabalhassem junto aos outros profissionais de saúde nunca iriam existir acupunctores a saírem de escolas de  medicina chinesa de fins de semana. Nem existe nenhum representante de qualquer profissão de saúde que aceite tal para a sua profissão. Onde está, então, a certificação segura? A certificação segura parece estar mais associada à credibilidade (não se sabendo bem como se valida) e ao nome na praça (o que ainda é mais enganador. O professor Karamba e outros tem grande nome na praça e isso não os torna mais honestos ou credíveis… nem à Astrologia).

Entre a falta de argumentos e a bajulação pessoal

Na maior parte das vezes não se pensa nos argumentos. Não se usa a lógica. Basta unicamente a bajolação pessoal e um qualquer semi-deus para seguir. Seja no que concerne à discussão de validade dos diferentes cursos seja no que concerne ao problema da regulamentação. Quando ataquei os comentários feitos à regulamentação e acusei os seus autores de incompetência e falta de honestidade intelectual, quase ninguém se preocupou a analisar os argumentos que usei. Um aluno da APA-DA, apesar de não concordar com a forma do processo de regulamentação, afirmou publicamente aceitar os meus argumentos, mas outros decidiram antes escrever:

“Nuno, no dia em que tiveres os anos de prática, os anos de estudo, o nível de formação, as provas dadas e testemunhadas pela comunidade mundial do mais alto nível e tiveres feito o que qualquer uma dessas pessoas de quem falas tão levianamente já fez, terás moral para dizer coisas dessas.

Barbaridades destas no teu texto mostram bem quem és e ao que vens e o porquê das interpretações continuamente deturpadas de tudo o que é dito neste assunto. Eu por mim terminei a minha discussão contigo. Serve-me de consolo saber que ninguém da DGS e dos Ministérios implicados baixará a níveis destes, assim como que estes textos inqualificáveis não terão qualquer tipo de relevância ou representatividade. (3)

Não interessam os argumentos nem o conhecimento. Em que parte se destrói os argumentos nos quais fundamentei as minhas análises? Em lado nenhum. Basta a idolatria para se eliminar qualquer processo de raciocínio. Infelizmente muitos futuros pretendentes a cursos são expostos a este tipo de idolatria. No entanto, ao escolher um curso superior, um futuro aluno de MTC devia estar mais preocupado em analisar parâmetros que, na condição actual, lhe poderão ser úteis a conseguir uma boa formação do que a sorrir para a imagem de um qualquer iluminado que tem nome na praça e supostamente é uma grande reverência mundial.

Não tenho a mínima dúvida que muitos profissionais credenciados por escolas de medicina chinesa de fins de semana se tornarão excelentes nesta arte de tratar. Tenho amigos que tiraram o curso na APA-DA e estão a exercer com sucesso. Já tratei doentes que anteriormente tinham sido tratados por acupuntores licenciados pela APA-DA e nada de mal tinham a dizer. Pelo contrário. Então qual a razão destes artigos? A necessidade de poder discutir livremente este problema que afecta a MTC em Portugal e acima de tudo, a necessidade de poder oferecer aos futuros alunos de MTC uma base pela qual possam ser guiados no seu processo de escolha.

Se mencionei mais vezes a APA-DA é porque os seus alunos são os mais interventivos e logo são aqueles que passam mais informações relativamente ao tipo de curso que tiram ou tiraram. Como mencionei inicialmente, eu sou contra todos os cursos de fins de semana. São academicamente pobres e profissionalmente desprestigiantes. Quando falo de profissionais que acabaram por adquirir bons conhecimentos louvo esses profissionais pela sua dedicação à profissão e não o curso onde aprenderam.

Não é uma perseguição pessoal a ninguém em particular como alguns preferem pensar. Na realidade nunca critiquei a UMC. Não posso dizer se é um bom curso ou não, mas sei que tem as condições para servir de forma correcta os interesses da profissão. Tem um curso com horas teóricas e práticas exigentes e oferece prática clínica aos seus alunos (pelo menos no papel. Mais uma vez volto a relembrar a minha ignorância acerca do funcionamento prático do curso).

Escolas de medicina chinesa a tempo inteiro são preferíveis

Aos futuros alunos aconselho sempre a ESMTC e a UMC pois são os únicos cursos que conheço e apresentam as melhores condições. Obviamente que dou sempre preferência à ESMTC, uma vez que lá sou professor e conheço a qualidade de muitos profissionais que lá exercem. No entanto não aconselho ninguém a tirar cursos de fins de semana.

Com falta de horas teóricas não consegue ter o tempo necessário para ajudar o aluno a saber pensar em MTC. E não basta estudar por um livro. Na acupunctura, existe todo um processo de raciocínio que dificilmente é passado pelos livros. A falta de horas práticas é ainda pior visto falarmos de um curso que é essencialmente prático (massagem, interrogatório na fase de diagnóstico, palpação na fase de diagnóstico, análise de sinais clínicos, aplicação de ventosas e moxa, acupunctura, etc…).

O defeito mais grave destas escolas de medicina chinesa é a ausência de prática clínica ou a existência de uma prática clínica muito débil. É inconcebível que existam pessoas a entrar no mercado de trabalho sem nunca terem visto um único doente, sem nunca terem feito acupunctura num doente.

Muitos participantes nos fóruns preferem escolas de medicina chinesa mais completas mas acabam por tirar outros cursos por dificuldades financeiras, incapacidade de deslocação geográfica ou falta de tempo. Não condeno esses alunos. Procuram aprender uma determinada profissão e escolhem de acordo com as suas capacidades. No entanto condeno os fundadores desse tipo de escolas de medicina chinesa que procuram ganhar dinheiro à conta de uma formação pobre e de liberdade sem limites quanto às ofertas de cursos.

NOTAS
(1) http://www.apa-da.pt/
(1) Este comentário já não se encontra no fórum uma vez que, devido ao seu conteúdo menos educativo e mais vulgar, foi eliminado, e muito bem, pelos administradores do fórum.
(2) http://www.medicinachinesa.com/viewtopic.php?f=7&t=453
(3) http://mtcforum.net/index.php?topic=449.0. Esta citação fazia parte do comentário eliminado do fórumMTC.
(1) http://www.medicinachinesa.com/viewtopic.php?f=7&t=453
(2) http://www.medicinachinesa.com/viewtopic.php?f=7&t=403
(3) http://www.medicinachinesa.com/viewtopic.php?f=7&t=403
(4) http://www.medicinachinesa.com/viewtopic.php?f=7&t=245
(5) http://www.medicinachinesa.com/viewtopic.php?f=7&t=296
(6) http://www.medicinachinesa.com/viewtopic.php?f=7&t=296
(7) http://www.medicinachinesa.com/viewtopic.php?f=7&t=357
(8) http://www.medicinachinesa.com/viewtopic.php?f=7&t=357
(1) http://mtcforum.net/index.php?topic=265.0
(2) http://mtcforum.net/index.php?topic=265.0
(3) http://mtcforum.net/index.php?topic=295.0