O futuro das escolas de acupuntura tradicional

No artigo sobre o futuro dos cursos na ausência de regulamentação, defendi que, muito provavelmente, escolas com cursos a tempo inteiro vão fechar portas devido à perda de alunos, enquanto os cursos de acupuntura de fim de semana vão ter mais capacidade de resistir.

Uma coisa parece-me certa. As licenciaturas a tempo inteiro, vão ressentir-se. Algumas escolas de acupuntura poderão mesmo fechar portas. O excesso de profissionais está a tornar intolerável a entrada no mercado a novos acupuntores. E isto está a ser difícil tanto para os novos acupuntores como para os que já cá andam há mais tempo.

A competição está tão grande que uma boa parte dos profissionais desiste da profissão por não conseguir viver da mesma. Estes dados implicam que mais tarde ou mais cedo o futuro da formação em acupuntura poderá ficar condenado.

No entanto o excesso de profissionais também faz com que existam imensas pessoas desejosas de aprender mais e investir na sua formação de forma a ganhar vantagem no extremamente competitivo mercado de acupuntura.

As provas são visíveis. Existem cada vez mais empresas a trazerem profissionais estrangeiros para dar formação a acupuntores em território nacional. As empresas que já traziam profissionais tornaram esse fenómeno mais comum devido a um pedido cada vez mais crescente por parte dos profissionais.

De licenciaturas de fim de semana a cursos avançados

Actualmente existem cursos de formação para acupuntores, pós-graduações, mestrados, etc… Diferentes empresas oferecem formação em áreas muito semelhantes como acupuntura e cancro ou áreas completamente diferentes como formações específicas para tratar dor ou para cosmética.

As licenciaturas de fim de semana, por seu lado, e a ausência de regulamentação, por outro, também tem um papel importante a desempenhar nesta evolução. Contribuem para sobrelotar o mercado com profissionais cuja formação não é suficiente para puderem exercer e que estão sistematicamente à procura de formações complementares que lhes permitam compensar essas falhas.

A juntar a estas formações encontram-se formações próprias para profissionais de saúde que desejam aprender acupuntura e inseri-la nos seus tratamentos. Pós-graduações para enfermeiros, formações avançadas em acupuntura para fisioterapeutas, mestrados e pós-graduações em acupuntura para médicos, etc… estas classes profissionais estão cada vez mais interessados em associar a acupuntura ao seu arsenal terapêutico.

Nos próximos anos o ensino da acupuntura vai começar a alterar radicalmente de cursos de licenciatura para cursos de pós-graduações dados por empresas privadas que vão sobreviver às escolas de acupuntura tradicional de tempo inteiro (ou que poderão ajudá-las a sobreviver). Após estes anos intermédios, na ausência de regulamentação, e com o aumento de profissionais de saúde com grande formação na área de acupuntura a formação por parte dos acupuntores não convencionais ficará mais limitada e com menos espaço de manobra. O futuro das escolas de acupuntura tradicional parece estar dependente da capacidade destas se adaptarem a um novo tipo de clientes.

As vantagens competitivas dos profissionais de saúde (não pagam IVA, não precisam estar limitados somente à prática privada, podem associar a acupuntura a outros tratamento, apesar do paciente só ter ido por causa dos tratamentos convencionais, etc…), o maior número de profissionais, e a posterior inclusão dos tratamentos em serviços públicos (hospitais, centros de saúde, etc…) vão fazer com que a formação em acupuntura para profissionais não convencionais se torne prescindível. As pós-graduações e outros tipos de formações vão pelo mesmo caminho.

Essas formações, para acupuntores, vão quase todas sofrer do mesmo problema base de qualidade. E os profissionais que as fazem não têm capacidade competitiva com os profissionais de saúde. Sem regulamentação o ensino da acupuntura em Portugal, com excepção da formação para profissionais de saúde, vai acabar! O futuro das escolas de acupuntura tradicional não parece promissor.

Conclusão sobre o futuro das escolas de acupuntura tradicional

O futuro das escolas de acupuntura tradicional está ameaçado. Em particular as licenciaturas a tempo inteiro tal como estão modeladas hoje. Existem várias condicionantes presentes que colocam em causa o futuro das escolas de acupuntura tradicional. Muitas licenciaturas de fim de semana que enchem o mercado de profissionais com necessidades de formação diferentes e interesse passivo por parte de várias profissões de saúde em incorporar a acupuntura no seu arsenal terapêutico.

Isto colocará em causa o futuro das escolas de acupuntura tradicional pois ninguém vai estar a estudar durante 5 anos para não ter trabalho. Ou as escolas de acupuntura tradicional se sabem adaptar a esta nova realidade ou acabam por desaparecer.