Este texto foi publicado dia 15 de Julho no blogue Zhenjiu, escrito pelo Alessandro. É um excelente blogue com assuntos variados e muito interessantes que eu aconselho ao leitor, especialmente, agora que vai fazer 1 ano de vida. Este texto não é da autoria do Alessandro mas sim do médico brasileiro Dr. Rodolfo Marcio Lapa Bontempo.

Em todas as sociedades se encontram lutas corporativas que pretendem dar poder a um determinado grupo sobre todos os outros. Por isso alguns leitores irão achar que este texto se adapta perfeitamente à Ordem dos Médicos portuguesa e, em particular, à acupunctura médica. O movimento e as ideias são as mesmas, só muda a nacionalidade. A única diferença que poderá encontrar entre estes dois países de língua portuguesa é que, em Portugal, ainda nenhum médico decidiu manifestar-se publicamente.

MEDICINA  TRADICIONAL – FEBRAMET

ESCLARECIMENTO À POPULAÇÃO

A Medicina Tradicional e as corporações médicas reacionárias

Como médico e membro do Sindicato dos Médicos de Brasília, venho fazer alguns esclarecimentos importantes ao povo do magnânimo estado do Rio Grande do Sul, quanto à questão da Medicina Tradicional – MT, em matérias pagas em jornais e rádio, de autoria do SIMERS –  Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul.

A Medicina Tradicional não é uma especialidade médica ou sistema médico isolado, mas um conjunto de práticas integradas, composto por uma filosofia milenar, adotada e difundida mundialmente pelo órgão máximo de saúde do planeta, a Organização Mundial de Saúde (OMS). O Brasil, como signatário e país membro da OMS, adotou a Medicina Tradicional, haja vista a publicação das Portarias 971 e 853, do Ministério da Saúde, que lançou em 2006 o Programa Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) e a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterapia, ambas com base na MT. Da Medicina Tradicional fazem parte importantes práticas como a fitoterapia, a acupuntura, a homeopatia, a Medicina Antroposófica, a massoterapia e dezenas de outras.

Mas é importante saber também que, por conceito, a MT engloba também a medicina científica e recursos farmacológicos, dentro de um protocolo bem definido e técnico.

As colocações feitas recentemente pelo SIMERS, contra a MT, são infundadas e demonstram um espírito retrógrado, reacionário, proveniente de uma instituição que desconhece a realidade não só brasileira, mas do mundo da saúde atual. É tipicamente, também, uma atitude desesperada de um órgão que representa o corporativismo médico em sua ânsia de reserva de mercado, lutando contra uma força inevitável, inexorável, que é a inclusão de outros profissionais da área nas ações e programas de atenção à saúde, tanto públicos quanto privados. Isso já estava previsto, principalmente porque as entidades médicas mais conservadoras estão observando o crescimento da MT no Brasil, sendo que citamos como exemplo a iniciativa de São Paulo, onde as práticas complementares e integrativas de saúde são livremente oferecidas no serviço público. Também o Rio de Janeiro, no mês passado, transformou em Lei o mesmo sistema e a população já pode se beneficiar com métodos não convencionais de medicina. É importante lembrar que a acupuntura e a homeopatia, também são especialidades médicas, assim como de outras profissões da saúde.

Cito como de suma relevância a brilhante matéria do Arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings em defesa dos princípios e dos aspectos democráticos e sociais da Medicina Tradicional. Obscura, porém a atitude do SIMERS que quando diz que “a Medicina é uma só”, se contradiz profundamente ao discriminar a MT. Essa postura reflete o completo desconhecimento do conceito de MT que, justamente, propõe a integração dos modelos médicos. Uma pena que essa instituição – que representa os médicos – esteja adotando essa atitude e, ao observarmos a insistência com que deflagram essa sombria campanha contra a MT, só se expõe ao ridículo perante uma população que está identificada culturalmente com as bases filosóficas da MT. O que exige crítica (e está sendo criticado) é o modelo médico vigente, com bases farmacológicas, que obedece cegamente os interesses do lado negro da indústria farmacêutica, a influenciar o ensino e a prática médica em direção a limitar as ações médicas ao uso de remédios, em sua maioria sintomáticos.

Numa época de “desmedicalização” das ações de saúde, fica deslocada e anacrônica essa reação – desnecessária – de entidades médicas que demonstram, assim, carência de informações atualizadas, de consciência cívica e, fundamentalmente, de responsabilidade social.

Não há mais como impedir a difusão de uma nova doutrina de saúde que hoje ganha o mundo, como direito inalienável dos povos da Terra. E toda instituição que se opuser a isso não terá sucesso ou futuro e acabará indo para a lata do lixo da História.

Dr. Rodolfo Marcio Lapa Bontempo CRM-DF 15.458

Médico Sanitarista

Presidente da FEBRAMET

Federação Brasileira de Medicina Tradicional

Brasília – DF