Desabafos sobre regulamentação: uma luta imaginária

Estou farto. Não há realmente outra forma de o dizer. Estou farto de lutas intermináveis a favor de uma “regulamentação justa” que vive das lutas imaginárias que afetam o coletivo da psique dos terapeutas das TNC, onde eles representam os heróis a favor da verdade e da justiça sendo sistematicamente oprimidos pela ganância da indústria farmacêutica e dos interesses médicos.

Estou farto de lutas a favor de uma sociedade utópica e justa que na realidade não passa de uma miragem com que alguns velhos do restelo nos vendam os olhos de forma a puderem seguir com as suas próprias fantasias e interesses.

Desabafos sobre regulamentação: discursos ocos

Os nossos discursos sobre holismo na maioria das vezes são completamente ocos. A fisioterapia tem uma perspetiva mais holista do ser humano que a acupuntura e não vemos os fisioterapeutas a usar este termo cada vez que abrem a boca. A perspetiva holista da homeopatia, por seu lado, não é mais do que verborreia sobre impossibilidades físicas como “água com memória”. Nas TNC o fútil e o ignorante são expressões máximas do holismo.

Os nossos discursos sobre ter espírito aberto não são mais do que uma forma de escondermos a nossa intolerância face a ideias bem mais avançadas e de tentarmos impor, através de frases feitas, um ideal religioso retrógrada onde Deus é destronado por um qualquer ideal de consciência cósmica e a realidade se transforma em aventuras Marvel onde qualquer mortal pode voar, ter poderes telecinéticos e capacidade de dobrar o metal pela força do pensamento. Às pessoas adultas, e muito particularmente na área da saúde, deveria pedir-se o mínimo de bom senso.

Vivemos da propaganda de conseguirmos intervir e tratar pacientes que a medicina convencional não consegue. No entanto a medicina convencional está a anos-luz de distância no que concerne a intervenções clinicas. Sim, é verdade que terapêuticas não convencionais como Acupuntura, Fitoterapia ou Osteopatia podem ser de grande utilidade nos cuidados de saúde atuais mas isso não significa que consigam sequer rivalizar com a eficácia da medicina convencional. É altura de deixarmos de viver nos sonhos e olhar a realidade.

Desabafos sobre regulamentação: propaganda, falsas promessas e ignorância

Vivemos da nossa extrema competência e das vantagens das nossas terapêuticas. Mas muitas dessas vantagens não passam de propaganda e muitas dessas terapêuticas nunca conseguiram um pingo de credibilidade. A homeopatia procura viver de fantasias na água, a naturopatia engole facilmente as parvoíces da medicina quântica e muitos acupunturistas facilmente se perdem em acupunturas esotéricas que supostamente tratam problemas mentais provocados por uma qualquer má conjunção astral. Bem-vindos à Nova Idade Média. Parece que os Flinstones viajaram até ao século XXI e trouxeram na bagagem todas as ideias pré-históricas com que tentam adormecer os filhos.

O qi gong em vez de ser usado como uma arma terapêutica na prevenção de problemas na terceira idade, por exemplo, é usado para estimular a neurose espiritual de muitos terapeutas onde pensar em flores cura doenças à distância. Discursos fúteis sobre energias, espiritualidade e saúde alimentados por citações descontextualizadas de cientistas famosos (Einstein é muito usado) dão lugar a práticas ridículas onde o qi gong é mais importante que a assepsia clinica. Onde o discurso pseudocientífico sobre energias, corpos bioplasmáticos e tudo o mais se torna mais importante que conhecimento de anatomia e bioquímica. Onde as leis da física deixam de se aplicar e todo o tipo de milagres são possíveis.

Este é o mundo onde não se desinfeta a pele antes da acupuntura porque afeta o percurso da energia. É o mundo onde não se usam luvas porque assim não se consegue passar a energia. É o mundo onde o contacto com o sangue do paciente não tem problema desde que o terapeuta faça qi gong a seguir à consulta para eliminar “as energias negativas”. É o mundo onde diluições que davam para diluir o Universo inteiro tratam doenças incuráveis. É o mundo onde máquinas de diagnóstico fabulosas, com tecnologia milhares de anos avançada em relação à nossa época, diagnosticam tudo. Basta colocar umas fitas nos pulsos e diagnosticam-se hérnias cervicais, “níveis de serotonina” e até mesmo, “raios X no campo eletromagnético do paciente” (este é um problema de saúde extremamente grave!).

Este é o mundo onde a ignorância científica é abençoada. Em nome do holismo aceitam-se todos os disparates e em nome da ciência corrupta médica se destrói qualquer resquício de bom senso. Este é o mundo onde só alguns tolos querem viver mas desde que tenham acesso a tudo aquilo que realmente desprezam.

Desabafos sobre regulamentação: o meu mundo

Este não é o meu mundo. Este não deveria ser o mundo de ninguém numa sociedade desenvolvida do século XXI.

No meu mundo, quando as pessoas são enganadas com promessas de curas falsas alguém se levanta e chama a atenção. No meu mundo não se prescinde de assepsia clinica em nome de uma qualquer ideia infantil. No meu mundo pensamentos idiotas que nos fazem sentir bem não ocupam o lugar da razão. No meu mundo existe uma constante interrogação acerca da minha prática tentando sempre fundamentar-se nas melhores informações disponíveis e não em teorias de conspiração para convencer parolos.

É este mundo que me é estranho e que me conduz para uma luta por algo imaginário, a favor de um grupo de pessoas, de uma classe, que não sabe distinguir a realidade da ficção e que procura validar crenças idiotas com base em discursos democráticos e holísticos.

E esta luta imaginária não é nada mais do que eterna luta a favor de um reconhecimento muitas vezes imerecido. Um reconhecimento que muitas pessoas não desejam. Porque a nossa psique coletiva se alimenta da ideia que seremos sempre aqueles heróis ingénuos em constante luta contra o instituído. Porque com o instituído vem a obrigatoriedade de uma postura séria que não temos, nunca aprendemos a ter e, em muitos casos, simplesmente não desejamos ter. E se não queremos o instituído… não vamos nunca querer o regulamentado.

A regulamentação implica uma postura de seriedade face à sociedade que nunca tivemos. Como vamos justificar no meio universitário as fantasias propaladas pela medicina quântica muito usada por naturopatas? E pela acupuntura esotérica ou acupuntura quântica? E o que dizer sobre a necessidade de se publicarem bons estudos científicos? E o que fazer às nossas fantasias energéticas num mundo onde as nossas afirmações devem ser sustentadas em factos e lógica?

A questão não é querermos ou não esta regulamentação. O problema é que nunca vai existir uma regulamentação que seja realmente aceite. Nós preferimos viver nesta luta imaginária a defender uma regulamentação que não queremos que aconteça. Porque quando formos regulamentados desaparece o ideal infantil que nos representa como heróis ingénuos, num mundo ingrato, em luta constante contra as forças do mal… tornamo-nos parte do instituído. Tornamo-nos parte dessa indústria médica e farmacêutica corrompida pelo conhecimento científico e ganância capitalista.

Desabafos sobre regulamentação: Afinal lutamos contra o quê?

Queremos ser reconhecidos como profissionais de saúde mas exigimos que as nossas práticas não tenham o crivo científico que muitas das vezes è exigido a esses profissionais. Queremos ter os mesmos direitos e não pagar IVA mas recusamo-nos a abrir clinicas sobre as mesmas diretivas que qualquer profissional de saúde. Queremos ser levados a sério como as outras profissões de saúde mas criticamos todos aqueles que se opõem ao pensamento mágico que abunda nas nossas áreas. Criticamos a corrupção médica mas opomo-nos à regulamentação quando esta afirma que não se podem vender medicamentos nos locais de prestação de serviços. Queremos autonomia profissional mas voltamos as costas à formação técnico-científica necessária para a ter. Queremos que as nossas licenciaturas sejam reconhecidas mas só queremos ir à escola em alguns fins-de-semana ocasionais. Queremos ser regulamentados mas opomo-nos sempre ao instituído.

Afinal o que é que queremos?

Falemos da acupuntura. Como classe profissional sairia fortalecida se o esoterismo idiota que nela abunda fosse eliminado em favor de raciocínio lógico e conhecimento científico. Sairia fortalecida se os cursos existentes fossem exigentes tanto na teoria quanto na prática. Sairia fortalecida se os estudos científicos fossem lidos em vez de usados como papel higiénico.

Mas o que é que observamos nesta classe?

A maioria das escolas tem uma componente esotérica enorme em detrimento de uma formação científica. Basta pensar que a maioria dos profissionais acaba o curso a falar em energias e ainda há bem pouco tempo se ensinava em algumas escolas que não existem interações entre fitoterapia e medicação porque a fitoterapia trata a nível energético e a medicação ocidental a nível químico. Isto para não falar no ensino da anatomia que é anedótico. As matérias estão pensadas de acordo com crenças religiosas dos organizadores e não no conhecimento técnico-científico necessário para uma classe forte.

A maioria dos profissionais, são provenientes de cursos de fins-de-semana academicamente pobres. Na realidade são inadmissíveis para qualquer profissão de saúde regulamentada. Os profissionais acabam os cursos sem prática quase nenhuma em acupuntura, não sabem fazer diagnóstico, não tem noção de novas abordagens de acupuntura, nada. Os cursos são feitos a pensar no lucro dos organizadores em vez da proteção da classe.

A maioria dos profissionais acaba a licenciatura sem ler 1 artigo científico. O que para muitos também não apresenta problema porque efetivamente o artigo científico só interessa quando as suas conclusões são satisfatórias. Mas para uma classe forte seria útil ter alunos a terminarem as suas licenciaturas e com uma vasta experiência na análise de artigos científicos.

E são estas pessoas que nos vêm dizer que não podemos aceitar a regulamentação porque isso seria mau para a classe? A classe dos cursos de fins-de-semana? A classe onde a magia é abençoada e o conhecimento científico ridicularizado? A classe onde uma energia imaginária reina? E são estas pessoas que vêm dizer não à regulamentação em nome desta classe que defendem.

Quando a acupuntura tinha um representante vieram todas as outras escolas e associações protestar e começou a luta de capelinhas. Agora que é o ministério da saúde a tomar a dianteira o representante junta-se aos outros e protesta. Protestam a favor dos nossos direitos, da nossa classe.

Desabafos sobre regulamentação: eu, a regulamentação e a minha autonomia

Eu, como muitos acupunturistas, não quero prescindir da minha autonomia profissional. Trabalhei muito para a ter. Mas tenho noção que a maioria dos profissionais destas áreas tem formações em saúde extremamente deficitárias. Muitos não estão minimamente aptos para exercerem a profissão sem autonomia quanto mais com autonomia. Alguns até deviam ser proibidos de se chegarem perto dos doentes.

Desejo trabalhar com médicos mas espero nunca trabalhar para médicos. Não por causa dos médicos em si (conheço muitos que são excelentes pessoas) mas por causa da mentalidade retrógrada portuguesa onde o Sr. Dr.º é Deus e os outros são garçons cuja função é deslumbrar-se perante tamanha inteligência e volta e meia ir buscar um cafezinho. A minha autonomia profissional é algo que me atrai, que me dá ilusão de ter controlo sobre a minha vida. Mesmo que isso seja ilusório é algo que eu estimo e pretendo manter.

Mas quando me distancio dos meus desejos e olho para o mundo que existe, onde ignorantes pretendem regulamentar a magia, e aquele que poderia existir onde técnicos possuem boa formação científica e em alguns casos alguma autonomia… eu prefiro aquele que poderia existir mesmo sem autonomia profissional. Qualquer doente preferiria essa situação porque efetivamente ela é melhor do que a bandalheira que existe atualmente.

Regulamentados e sem autonomia profissional os acupunturistas teriam melhor formação técnica, maior formação científica e provavelmente mais saída profissional. Sem regulamentação e com autonomia temos formações técnicas fracas, conhecimento científico ridículo e uma boa parte dos profissionais desiste da profissão, trabalha em part-time ou baixa o preço das consultas para valores impossíveis viciando sistematicamente o mercado e a credibilidade da profissão. Para o doente, na maioria das vezes, seria uma bênção ter acesso a acupunturistas regulamentados.

Eu não pretendo defender a perda de autonomia profissional. Como afirmei é algo que prezo bastante. O meu ideal era ter total autonomia profissional. Mas caso não fosse possível eu preferia um sistema de autonomia parecido com a fisioterapia onde o fisioterapeuta trabalha sob a alçada médica mas também pode fazer consultas privadas com total autonomia do que o sistema atual onde qualquer pessoa pode fazer o que bem entender.

Ao longo destes dias em que tenho vindo a pensar cada vez mais sobre estes problemas coloca-se uma questão: preferia uma classe sem autonomia e com uma formação técnico-científica excelente ou uma classe com autonomia e pobre técnica e cientificamente?

Desejamos muita liberdade para fazer disparates ou preferimos pouca liberdade para atuar corretamente?

A classe das TNC é tão fabulosa que vai ser regulamentada de forma a controlar-se a porcaria que muitos profissionais fazem: obrigar a pagar impostos, fechar estábulos a que chamam clinicas, garantir o mínimo de conhecimento para exercer, controlar as fraudes sistemáticas de promessas de curas, dar possibilidade aos pacientes de poderem usar a lei para se protegerem dos abusos cometidos por muitos profissionais, etc…

A ASAE e a ERS têm mais interesse em ver as TNC regulamentadas do que muitos profissionais da área e enquanto isso exigimos direitos que mais ninguém tem. Protestamos por direitos impossíveis de obter, protestamos contra inutilidades, exigimos uma regulamentação “justa”, uma regulamentação impossível onde valores que creio justos (como a luta pela autonomia ou o acesso de outras profissões à arte) são confundidos com interesses instalados (não querer as mesmas regras no licenciamento das clinicas, querer vender fitoterapia nos locais de prestação de serviços, etc…)

Desabafos sobre regulamentação: a verdade sobre a classe das TNC?

Meia dúzia de parolos que tentam esconder a sua ignorância científica atrás de teorias da conspiração. Uma dúzia de incompetentes que acham que discursos energéticos ocos dão sentido à vida e tratam doenças. E Finalmente um mar de mamíferos placentários quadrúpedes com uma pala nos olhos incapaz de ver um mundo bem mais vasto à sua frente.

O rei vai nu e infelizmente, parece, também vão todos os seus seguidores.

Desabafos sobre regulamentação: O futuro

Não escrevo isto como uma crítica a todos os profissionais. Conheço uma série de profissionais dedicados e competentes. Não escrevo isto porque acho que as TNC são uma fraude. Algumas são realmente uma inutilidade outras tem-se mostrado válidas. Esta mistura que se observa entre inutilidades como homeopatia e tratamentos válidos como osteopatia é culpa de quem fez a lei. Mas independentemente da validade de cada uma das TNC todas devem ser regulamentadas.

Escrevo isto porque sinto que nos colocam sempre uma barreira esquizofrénica de medo em relação ao grande sonho de ser regulamentado. O medo do representante da acupuntura passou para o medo das portarias do novo projeto lei. E tudo isto em nome de uma classe profissional. E o objetivo deste medo é só um: não aceitar a regulamentação.

Esse medo serve somente para proteger interesses instalados. Os ataques ao representante da acupuntura não eram mais do que forma veladas de tentar proteger interesses económicos de quem dirigia esses ataques.

E muitos receios colocados relativamente a este novo projeto de lei também não são mais do que formas de tentar proteger interesses instalados. Com a regulamentação muitas pessoas vão deixar de poder exercer em qualquer sítio sem condições para o fazer; vão deixar de poder vender fitoterápicos nos locais de prestação de cuidados; as ervanárias vão perder os seus homeopatas, naturopatas e acupunturistas; estes vão ser obrigados a trabalhar mais de perto com outros profissionais de saúde sabendo de antemão que a sua prática será muito mais transparente do que antes; as escolas têm, muito provavelmente, os seus dias contados.

A inserção destes cursos em universidades ou politécnicos irá colocar um peso de credibilidade científica que obrigará a repensar a formação destes profissionais: com o tempo as ideias folclóricas new age terão de ser abandonadas em favor de uma linguagem técnica e científica; abordagens idiotas do paciente como o uso de pêndulos serão abandonadas. O qi gong dará lugar à anatomia. As ideias idiotas sobre energias fantásticas irão dar lugar a explicações científicas.

O mundo mágico new age em que os fundadores e grandes defensores destas áreas cresceram vai desaparecer para dar origem a um mundo onde a razão prevalece. Onde o conhecimento é abençoado e a ignorância ridicularizada. Onde o aluno é ensinado a pensar de forma lógica em vez de usar não-argumentos, onde o aluno é ensinado a estudar e a compreender estudos científicos em vez de perder o seu tempo com ideias idiotas que envolvam pêndulos.

Em alguns anos as discussões sobre cursos de fins-de-semana serão interessantes para alunos preocupados em fazer algum trabalho sobre história das TNC em Portugal. Alguns alunos ficarão de boca aberta quando ouvirem falar de como muitos terapeutas começavam a praticar sem formação, faziam promessas de cura falsas porque muitas das vezes não tinha noção da real aplicabilidade dos tratamentos que faziam, acabavam as licenciaturas sem saberem o nome dos músculos mais elementares, acupunturistas sem saber puntura e rodeados de uma data de conceitos claramente errados que defendiam com fervor religioso.

Mas antes de chegarmos a esse ponto ainda vamos assistir a um confronto pós-regulamentação. Um confronto que vai dividir a classe e criar uma nova separação entre TNC regulamentadas e TNC não regulamentadas. Um confronto entre a lógica científica com o rigor da investigação e o vitalismo energético com os seus não-argumentos e distorções científicas. E além do confronto ideológico no qual assenta a credibilidade das universidades por um lado e os sonhos religiosos das TNC por outro irá existir o confronto sociológico.

Como irão os presidentes das atuais associações lidar com o facto que já não tem poder sobre os seus associados?

Como irão lidar os terapeutas mais velhos, e em alguns casos mais respeitados, responder num sistema para o qual não estão minimamente preparados?

Como irão os dirigentes das diferentes escolas lidar com o seu fim?

Como é que muitos TNC com cédulas provisórias irão sentir-se quando observarem que o sistema existente não os vai poder defender? Que estão dependentes deles mesmos?

Como se irão comportar os profissionais das TNC mais novos uma vez libertados do sistema de filiação organizados pelos terapeutas mais velhos? Irá a luta de gerações ser algo relevante? E se sim de que forma? De que forma sairão os derrotados?

Com o tempo algumas TNC terão mais probabilidade de ser incluídas no Sistema Nacional de Saúde (SNS) que outras? A acupuntura já se encontra no SNS pela mão dos médicos. A osteopatia é de todas aquela que maior prestígio tem em termos de investigação científica. Como vai responder a homeopatia à predominância que estas terapêuticas irão ter no futuro?

A regulamentação não implica o fim do vitalismo new age. No entanto dificilmente este será incluído num sistema de ensino científico. Como irá a ideologia vitalista sobreviver num sistema de raciocínio lógico?

E não menos importante:

Como vamos responder num sistema onde trabalhamos abertamente com outros profissionais de saúde? Onde estamos sujeitos ao ridículo?

Concluindo os meus desabafos sobre regulamentação

As dúvidas colocadas têm lógica numa realidade onde as TNC têm bem definido o seu panorama de ação e estão protegidas por lei da invasão de outras profissões. Caso isso não aconteça estas áreas estão acabadas. No entanto caso seja feita uma proteção legal da classe devemos considerar que o fim do sistema feudal existente atualmente vai criar novos interesses, novas parcerias estratégicas e com isso, novos conflitos.

Eu espero por esses conflitos pois é um sinal que estamos regulamentados e bem direcionados para um mundo onde a razão tem mais peso que a magia. Eu vou estar do lado da ciência, com ou sem autonomia profissional, vou estar ao lado dos cursos que ofereçam a melhor formação técnico-científica. Vou estar ao lado das energias, dos pêndulos, das curas à distância quando estas se encontrarem em livros de História.