Desabafos sobre regulamentação: uma luta imaginária
Estou farto. Não há realmente outra forma de o dizer. Estou farto de lutas intermináveis a favor de uma “regulamentação justa” que vive das lutas imaginárias que afetam o coletivo da psique dos terapeutas das TNC, onde eles representam os heróis a favor da verdade e da justiça sendo sistematicamente oprimidos pela ganância da indústria farmacêutica e dos interesses médicos.
Estou farto de lutas a favor de uma sociedade utópica e justa que na realidade não passa de uma miragem com que alguns velhos do restelo nos vendam os olhos de forma a puderem seguir com as suas próprias fantasias e interesses.
Desabafos sobre regulamentação: discursos ocos
Os nossos discursos sobre holismo na maioria das vezes são completamente ocos. A fisioterapia tem uma perspetiva mais holista do ser humano que a acupuntura e não vemos os fisioterapeutas a usar este termo cada vez que abrem a boca. A perspetiva holista da homeopatia, por seu lado, não é mais do que verborreia sobre impossibilidades físicas como “água com memória”. Nas TNC o fútil e o ignorante são expressões máximas do holismo.
Os nossos discursos sobre ter espírito aberto não são mais do que uma forma de escondermos a nossa intolerância face a ideias bem mais avançadas e de tentarmos impor, através de frases feitas, um ideal religioso retrógrada onde Deus é destronado por um qualquer ideal de consciência cósmica e a realidade se transforma em aventuras Marvel onde qualquer mortal pode voar, ter poderes telecinéticos e capacidade de dobrar o metal pela força do pensamento. Às pessoas adultas, e muito particularmente na área da saúde, deveria pedir-se o mínimo de bom senso.
Vivemos da propaganda de conseguirmos intervir e tratar pacientes que a medicina convencional não consegue. No entanto a medicina convencional está a anos-luz de distância no que concerne a intervenções clinicas. Sim, é verdade que terapêuticas não convencionais como Acupuntura, Fitoterapia ou Osteopatia podem ser de grande utilidade nos cuidados de saúde atuais mas isso não significa que consigam sequer rivalizar com a eficácia da medicina convencional. É altura de deixarmos de viver nos sonhos e olhar a realidade.
Desabafos sobre regulamentação: propaganda, falsas promessas e ignorância
Vivemos da nossa extrema competência e das vantagens das nossas terapêuticas. Mas muitas dessas vantagens não passam de propaganda e muitas dessas terapêuticas nunca conseguiram um pingo de credibilidade. A homeopatia procura viver de fantasias na água, a naturopatia engole facilmente as parvoíces da medicina quântica e muitos acupunturistas facilmente se perdem em acupunturas esotéricas que supostamente tratam problemas mentais provocados por uma qualquer má conjunção astral. Bem-vindos à Nova Idade Média. Parece que os Flinstones viajaram até ao século XXI e trouxeram na bagagem todas as ideias pré-históricas com que tentam adormecer os filhos.
O qi gong em vez de ser usado como uma arma terapêutica na prevenção de problemas na terceira idade, por exemplo, é usado para estimular a neurose espiritual de muitos terapeutas onde pensar em flores cura doenças à distância. Discursos fúteis sobre energias, espiritualidade e saúde alimentados por citações descontextualizadas de cientistas famosos (Einstein é muito usado) dão lugar a práticas ridículas onde o qi gong é mais importante que a assepsia clinica. Onde o discurso pseudocientífico sobre energias, corpos bioplasmáticos e tudo o mais se torna mais importante que conhecimento de anatomia e bioquímica. Onde as leis da física deixam de se aplicar e todo o tipo de milagres são possíveis.
Este é o mundo onde não se desinfeta a pele antes da acupuntura porque afeta o percurso da energia. É o mundo onde não se usam luvas porque assim não se consegue passar a energia. É o mundo onde o contacto com o sangue do paciente não tem problema desde que o terapeuta faça qi gong a seguir à consulta para eliminar “as energias negativas”. É o mundo onde diluições que davam para diluir o Universo inteiro tratam doenças incuráveis. É o mundo onde máquinas de diagnóstico fabulosas, com tecnologia milhares de anos avançada em relação à nossa época, diagnosticam tudo. Basta colocar umas fitas nos pulsos e diagnosticam-se hérnias cervicais, “níveis de serotonina” e até mesmo, “raios X no campo eletromagnético do paciente” (este é um problema de saúde extremamente grave!).
Este é o mundo onde a ignorância científica é abençoada. Em nome do holismo aceitam-se todos os disparates e em nome da ciência corrupta médica se destrói qualquer resquício de bom senso. Este é o mundo onde só alguns tolos querem viver mas desde que tenham acesso a tudo aquilo que realmente desprezam.
Desabafos sobre regulamentação: o meu mundo
Este não é o meu mundo. Este não deveria ser o mundo de ninguém numa sociedade desenvolvida do século XXI.
No meu mundo, quando as pessoas são enganadas com promessas de curas falsas alguém se levanta e chama a atenção. No meu mundo não se prescinde de assepsia clinica em nome de uma qualquer ideia infantil. No meu mundo pensamentos idiotas que nos fazem sentir bem não ocupam o lugar da razão. No meu mundo existe uma constante interrogação acerca da minha prática tentando sempre fundamentar-se nas melhores informações disponíveis e não em teorias de conspiração para convencer parolos.
É este mundo que me é estranho e que me conduz para uma luta por algo imaginário, a favor de um grupo de pessoas, de uma classe, que não sabe distinguir a realidade da ficção e que procura validar crenças idiotas com base em discursos democráticos e holísticos.
E esta luta imaginária não é nada mais do que eterna luta a favor de um reconhecimento muitas vezes imerecido. Um reconhecimento que muitas pessoas não desejam. Porque a nossa psique coletiva se alimenta da ideia que seremos sempre aqueles heróis ingénuos em constante luta contra o instituído. Porque com o instituído vem a obrigatoriedade de uma postura séria que não temos, nunca aprendemos a ter e, em muitos casos, simplesmente não desejamos ter. E se não queremos o instituído… não vamos nunca querer o regulamentado.
A regulamentação implica uma postura de seriedade face à sociedade que nunca tivemos. Como vamos justificar no meio universitário as fantasias propaladas pela medicina quântica muito usada por naturopatas? E pela acupuntura esotérica ou acupuntura quântica? E o que dizer sobre a necessidade de se publicarem bons estudos científicos? E o que fazer às nossas fantasias energéticas num mundo onde as nossas afirmações devem ser sustentadas em factos e lógica?
A questão não é querermos ou não esta regulamentação. O problema é que nunca vai existir uma regulamentação que seja realmente aceite. Nós preferimos viver nesta luta imaginária a defender uma regulamentação que não queremos que aconteça. Porque quando formos regulamentados desaparece o ideal infantil que nos representa como heróis ingénuos, num mundo ingrato, em luta constante contra as forças do mal… tornamo-nos parte do instituído. Tornamo-nos parte dessa indústria médica e farmacêutica corrompida pelo conhecimento científico e ganância capitalista.
Desabafos sobre regulamentação: Afinal lutamos contra o quê?
Queremos ser reconhecidos como profissionais de saúde mas exigimos que as nossas práticas não tenham o crivo científico que muitas das vezes è exigido a esses profissionais. Queremos ter os mesmos direitos e não pagar IVA mas recusamo-nos a abrir clinicas sobre as mesmas diretivas que qualquer profissional de saúde. Queremos ser levados a sério como as outras profissões de saúde mas criticamos todos aqueles que se opõem ao pensamento mágico que abunda nas nossas áreas. Criticamos a corrupção médica mas opomo-nos à regulamentação quando esta afirma que não se podem vender medicamentos nos locais de prestação de serviços. Queremos autonomia profissional mas voltamos as costas à formação técnico-científica necessária para a ter. Queremos que as nossas licenciaturas sejam reconhecidas mas só queremos ir à escola em alguns fins-de-semana ocasionais. Queremos ser regulamentados mas opomo-nos sempre ao instituído.
Afinal o que é que queremos?
Falemos da acupuntura. Como classe profissional sairia fortalecida se o esoterismo idiota que nela abunda fosse eliminado em favor de raciocínio lógico e conhecimento científico. Sairia fortalecida se os cursos existentes fossem exigentes tanto na teoria quanto na prática. Sairia fortalecida se os estudos científicos fossem lidos em vez de usados como papel higiénico.
Mas o que é que observamos nesta classe?
A maioria das escolas tem uma componente esotérica enorme em detrimento de uma formação científica. Basta pensar que a maioria dos profissionais acaba o curso a falar em energias e ainda há bem pouco tempo se ensinava em algumas escolas que não existem interações entre fitoterapia e medicação porque a fitoterapia trata a nível energético e a medicação ocidental a nível químico. Isto para não falar no ensino da anatomia que é anedótico. As matérias estão pensadas de acordo com crenças religiosas dos organizadores e não no conhecimento técnico-científico necessário para uma classe forte.
A maioria dos profissionais, são provenientes de cursos de fins-de-semana academicamente pobres. Na realidade são inadmissíveis para qualquer profissão de saúde regulamentada. Os profissionais acabam os cursos sem prática quase nenhuma em acupuntura, não sabem fazer diagnóstico, não tem noção de novas abordagens de acupuntura, nada. Os cursos são feitos a pensar no lucro dos organizadores em vez da proteção da classe.
A maioria dos profissionais acaba a licenciatura sem ler 1 artigo científico. O que para muitos também não apresenta problema porque efetivamente o artigo científico só interessa quando as suas conclusões são satisfatórias. Mas para uma classe forte seria útil ter alunos a terminarem as suas licenciaturas e com uma vasta experiência na análise de artigos científicos.
E são estas pessoas que nos vêm dizer que não podemos aceitar a regulamentação porque isso seria mau para a classe? A classe dos cursos de fins-de-semana? A classe onde a magia é abençoada e o conhecimento científico ridicularizado? A classe onde uma energia imaginária reina? E são estas pessoas que vêm dizer não à regulamentação em nome desta classe que defendem.
Quando a acupuntura tinha um representante vieram todas as outras escolas e associações protestar e começou a luta de capelinhas. Agora que é o ministério da saúde a tomar a dianteira o representante junta-se aos outros e protesta. Protestam a favor dos nossos direitos, da nossa classe.
Desabafos sobre regulamentação: eu, a regulamentação e a minha autonomia
Eu, como muitos acupunturistas, não quero prescindir da minha autonomia profissional. Trabalhei muito para a ter. Mas tenho noção que a maioria dos profissionais destas áreas tem formações em saúde extremamente deficitárias. Muitos não estão minimamente aptos para exercerem a profissão sem autonomia quanto mais com autonomia. Alguns até deviam ser proibidos de se chegarem perto dos doentes.
Desejo trabalhar com médicos mas espero nunca trabalhar para médicos. Não por causa dos médicos em si (conheço muitos que são excelentes pessoas) mas por causa da mentalidade retrógrada portuguesa onde o Sr. Dr.º é Deus e os outros são garçons cuja função é deslumbrar-se perante tamanha inteligência e volta e meia ir buscar um cafezinho. A minha autonomia profissional é algo que me atrai, que me dá ilusão de ter controlo sobre a minha vida. Mesmo que isso seja ilusório é algo que eu estimo e pretendo manter.
Mas quando me distancio dos meus desejos e olho para o mundo que existe, onde ignorantes pretendem regulamentar a magia, e aquele que poderia existir onde técnicos possuem boa formação científica e em alguns casos alguma autonomia… eu prefiro aquele que poderia existir mesmo sem autonomia profissional. Qualquer doente preferiria essa situação porque efetivamente ela é melhor do que a bandalheira que existe atualmente.
Regulamentados e sem autonomia profissional os acupunturistas teriam melhor formação técnica, maior formação científica e provavelmente mais saída profissional. Sem regulamentação e com autonomia temos formações técnicas fracas, conhecimento científico ridículo e uma boa parte dos profissionais desiste da profissão, trabalha em part-time ou baixa o preço das consultas para valores impossíveis viciando sistematicamente o mercado e a credibilidade da profissão. Para o doente, na maioria das vezes, seria uma bênção ter acesso a acupunturistas regulamentados.
Eu não pretendo defender a perda de autonomia profissional. Como afirmei é algo que prezo bastante. O meu ideal era ter total autonomia profissional. Mas caso não fosse possível eu preferia um sistema de autonomia parecido com a fisioterapia onde o fisioterapeuta trabalha sob a alçada médica mas também pode fazer consultas privadas com total autonomia do que o sistema atual onde qualquer pessoa pode fazer o que bem entender.
Ao longo destes dias em que tenho vindo a pensar cada vez mais sobre estes problemas coloca-se uma questão: preferia uma classe sem autonomia e com uma formação técnico-científica excelente ou uma classe com autonomia e pobre técnica e cientificamente?
Desejamos muita liberdade para fazer disparates ou preferimos pouca liberdade para atuar corretamente?
A classe das TNC é tão fabulosa que vai ser regulamentada de forma a controlar-se a porcaria que muitos profissionais fazem: obrigar a pagar impostos, fechar estábulos a que chamam clinicas, garantir o mínimo de conhecimento para exercer, controlar as fraudes sistemáticas de promessas de curas, dar possibilidade aos pacientes de poderem usar a lei para se protegerem dos abusos cometidos por muitos profissionais, etc…
A ASAE e a ERS têm mais interesse em ver as TNC regulamentadas do que muitos profissionais da área e enquanto isso exigimos direitos que mais ninguém tem. Protestamos por direitos impossíveis de obter, protestamos contra inutilidades, exigimos uma regulamentação “justa”, uma regulamentação impossível onde valores que creio justos (como a luta pela autonomia ou o acesso de outras profissões à arte) são confundidos com interesses instalados (não querer as mesmas regras no licenciamento das clinicas, querer vender fitoterapia nos locais de prestação de serviços, etc…)
Desabafos sobre regulamentação: a verdade sobre a classe das TNC?
Meia dúzia de parolos que tentam esconder a sua ignorância científica atrás de teorias da conspiração. Uma dúzia de incompetentes que acham que discursos energéticos ocos dão sentido à vida e tratam doenças. E Finalmente um mar de mamíferos placentários quadrúpedes com uma pala nos olhos incapaz de ver um mundo bem mais vasto à sua frente.
O rei vai nu e infelizmente, parece, também vão todos os seus seguidores.
Desabafos sobre regulamentação: O futuro
Não escrevo isto como uma crítica a todos os profissionais. Conheço uma série de profissionais dedicados e competentes. Não escrevo isto porque acho que as TNC são uma fraude. Algumas são realmente uma inutilidade outras tem-se mostrado válidas. Esta mistura que se observa entre inutilidades como homeopatia e tratamentos válidos como osteopatia é culpa de quem fez a lei. Mas independentemente da validade de cada uma das TNC todas devem ser regulamentadas.
Escrevo isto porque sinto que nos colocam sempre uma barreira esquizofrénica de medo em relação ao grande sonho de ser regulamentado. O medo do representante da acupuntura passou para o medo das portarias do novo projeto lei. E tudo isto em nome de uma classe profissional. E o objetivo deste medo é só um: não aceitar a regulamentação.
Esse medo serve somente para proteger interesses instalados. Os ataques ao representante da acupuntura não eram mais do que forma veladas de tentar proteger interesses económicos de quem dirigia esses ataques.
E muitos receios colocados relativamente a este novo projeto de lei também não são mais do que formas de tentar proteger interesses instalados. Com a regulamentação muitas pessoas vão deixar de poder exercer em qualquer sítio sem condições para o fazer; vão deixar de poder vender fitoterápicos nos locais de prestação de cuidados; as ervanárias vão perder os seus homeopatas, naturopatas e acupunturistas; estes vão ser obrigados a trabalhar mais de perto com outros profissionais de saúde sabendo de antemão que a sua prática será muito mais transparente do que antes; as escolas têm, muito provavelmente, os seus dias contados.
A inserção destes cursos em universidades ou politécnicos irá colocar um peso de credibilidade científica que obrigará a repensar a formação destes profissionais: com o tempo as ideias folclóricas new age terão de ser abandonadas em favor de uma linguagem técnica e científica; abordagens idiotas do paciente como o uso de pêndulos serão abandonadas. O qi gong dará lugar à anatomia. As ideias idiotas sobre energias fantásticas irão dar lugar a explicações científicas.
O mundo mágico new age em que os fundadores e grandes defensores destas áreas cresceram vai desaparecer para dar origem a um mundo onde a razão prevalece. Onde o conhecimento é abençoado e a ignorância ridicularizada. Onde o aluno é ensinado a pensar de forma lógica em vez de usar não-argumentos, onde o aluno é ensinado a estudar e a compreender estudos científicos em vez de perder o seu tempo com ideias idiotas que envolvam pêndulos.
Em alguns anos as discussões sobre cursos de fins-de-semana serão interessantes para alunos preocupados em fazer algum trabalho sobre história das TNC em Portugal. Alguns alunos ficarão de boca aberta quando ouvirem falar de como muitos terapeutas começavam a praticar sem formação, faziam promessas de cura falsas porque muitas das vezes não tinha noção da real aplicabilidade dos tratamentos que faziam, acabavam as licenciaturas sem saberem o nome dos músculos mais elementares, acupunturistas sem saber puntura e rodeados de uma data de conceitos claramente errados que defendiam com fervor religioso.
Mas antes de chegarmos a esse ponto ainda vamos assistir a um confronto pós-regulamentação. Um confronto que vai dividir a classe e criar uma nova separação entre TNC regulamentadas e TNC não regulamentadas. Um confronto entre a lógica científica com o rigor da investigação e o vitalismo energético com os seus não-argumentos e distorções científicas. E além do confronto ideológico no qual assenta a credibilidade das universidades por um lado e os sonhos religiosos das TNC por outro irá existir o confronto sociológico.
Como irão os presidentes das atuais associações lidar com o facto que já não tem poder sobre os seus associados?
Como irão lidar os terapeutas mais velhos, e em alguns casos mais respeitados, responder num sistema para o qual não estão minimamente preparados?
Como irão os dirigentes das diferentes escolas lidar com o seu fim?
Como é que muitos TNC com cédulas provisórias irão sentir-se quando observarem que o sistema existente não os vai poder defender? Que estão dependentes deles mesmos?
Como se irão comportar os profissionais das TNC mais novos uma vez libertados do sistema de filiação organizados pelos terapeutas mais velhos? Irá a luta de gerações ser algo relevante? E se sim de que forma? De que forma sairão os derrotados?
Com o tempo algumas TNC terão mais probabilidade de ser incluídas no Sistema Nacional de Saúde (SNS) que outras? A acupuntura já se encontra no SNS pela mão dos médicos. A osteopatia é de todas aquela que maior prestígio tem em termos de investigação científica. Como vai responder a homeopatia à predominância que estas terapêuticas irão ter no futuro?
A regulamentação não implica o fim do vitalismo new age. No entanto dificilmente este será incluído num sistema de ensino científico. Como irá a ideologia vitalista sobreviver num sistema de raciocínio lógico?
E não menos importante:
Como vamos responder num sistema onde trabalhamos abertamente com outros profissionais de saúde? Onde estamos sujeitos ao ridículo?
Concluindo os meus desabafos sobre regulamentação
As dúvidas colocadas têm lógica numa realidade onde as TNC têm bem definido o seu panorama de ação e estão protegidas por lei da invasão de outras profissões. Caso isso não aconteça estas áreas estão acabadas. No entanto caso seja feita uma proteção legal da classe devemos considerar que o fim do sistema feudal existente atualmente vai criar novos interesses, novas parcerias estratégicas e com isso, novos conflitos.
Eu espero por esses conflitos pois é um sinal que estamos regulamentados e bem direcionados para um mundo onde a razão tem mais peso que a magia. Eu vou estar do lado da ciência, com ou sem autonomia profissional, vou estar ao lado dos cursos que ofereçam a melhor formação técnico-científica. Vou estar ao lado das energias, dos pêndulos, das curas à distância quando estas se encontrarem em livros de História.
Não concordo com a inclusão da homeopatia, da naturopatia e da quiropráxia na regulamentação das TNC. Aliás, nem considero que sejam terapêuticas. A homeopatia pela total ausência de provas (e nem falo de científicas, porque aquilo não funciona mes-mo), a naturopatia porque é uma amálgama de metodologias de diagnóstico e tratamento e a quiropráxia pelos seus princípios que abusam um pouco do bom senso, médico enfim. Considero desprestigiante inclui-las no mesmo saco que a acupuntura, a fitoterapia e a osteopatia porque estas são, na minha opinião, as verdadeiras terapêuticas baseadas evidências e com resultados clínicos satisfatórios no tratamento de sintomas e patologias específicas. A acupuntura é a única que é reconhecida e praticada por médicos e os seus mecanismos estão bem explicados em termos científicos; a fitoterapia utiliza plantas com atividade farmacológica e biológica comprovada; a osteopatia porque é baseada na anatomia e na fisiologia do sistema músculo-esquelético. Não percebo, e ouvi dizer que tentaram também incluir o reiki porque lá achavam que era tão benéfico para a saúde como as outras.
Embora seja importante regulamentar essas atividades duvidosas porque muitos dos seus ativistas prometem aquilo que nunca cumprirão, extorquindo dinheiro a pessoas desesperadas e pouco informadas, dizer que a homeopatia é tão terapêutica como a osteopatia porque ambas foram regulamentadas pela mesma lei é um contrassenso, a não ser que partamos do princípio que somos enganados tanto pelo homeopata como pelo osteopata até nos provarem o contrário. Isto descredibiliza profissões sérias, desde que sejam praticadas por profissionais sérios, como as que referi. Porque razão é necessária uma formação superior em homeopatia? Estudar 3 anos para prescrever água com açúcar?
Em relação ao que escreveste, concordo com quase tudo, no entanto, penso que se tudo for sujeito a critérios de ordem médico-científica como defendes há muito que se vai perder com o passar do tempo. Perdem-se fantasias e discursos incoerentes, mas também, por exemplo, no caso da MTC, o diagnóstico tradicional baseado na diferen-ciação de síndromes que lhe é específico e único dentro das TNC. Como sabes a MTC não trata patologias (isso são os médicos que tratam, nem convém admitir o contrário), trata síndromes e o seu diagnóstico é fundamentado numa anatomia, fisiologia e patologias diferentes dos da medicina convencional. Se adotar uma atitude tradiciona-lista, para mim o diagnóstico médico de hipertensão é tão abstrato como para o médi-co cardiologia o de hiperatividade do yang do fígado. Se o ensino da MTC estiver nas mãos de instituições com afiliação meramente científica e se não houver autonomia profissional, daqui a uns anos já ninguém pode beneficiar da MTC porque já não é praticada de forma correta.
E lá terás os acupuntores a usar protocolos pré-estabelecidos de pontos sem utilizarem o menor raciocínio e diferenciação. Pensa nisso. Querer um médico a ensinar e a dizer o que tem de ser feito. É o fim. Aquilo que o bastonário da ordem dos médicos disse naquela entrevista (e que li na carta aberta que publicaste no blog) é um insulto e deixa prever o futuro das TNC.
Compartilho a opinião do Pedro….acho que está correto….e parabens ao Nuno por publicar sua opinião de maneira tão competente, clara, forte , com tanta lucidez e coerencia !!! Um abraço a todos.
qualquer acupuntor medico ou não, q diga q pratica mtc com base cientifica ou pratica unicamente tratamento da dor, enxaquecas e nauseas em contexto de tratamento oncologicos, ou se trata sinusitis, gastritis, Colon irritavel, anxiedade, depressão etc,, ou tem dupla personalidade ou é hipocrita, pois está segundo o seu raciocinio a praticar exoterismo, pois na realidade n tem “provas cientificas” para o q faz.. ,mas todos nós, terapeutas, sabemos dos resultados q se obtem nestas patologias quando enquadradas á luz dos sindromes energeticos de MTC… logo ou opta por aceitar os raciocinios presentes e instituidos ou deixa de praticar para manter a sua cuerencia… pois se ate agora so se estabeleceu o mecanismo fisiologico para o tratamento da dor, e se comprovou ESTATISTICAMENTE a eficacia nas enxaquecas e nauseas… quantos seculos teremos de esperar para podermos beneficiar os nossos pacientes Da MTC nestas Patologias… defendo a exigencia e a competencia no exercicio da profissão, mas n confundo isso com uma cientificação reducionista onde todos os adeptos deste discurso ou optam por se singir a estas tres Patologia, ou se como todos sabemos na realidade fazem todos os outros tratamentos são na realidade ums GRANDES HIPOCRITAS.
Eu no artigo menciono várias vezes a ciência. Na maioria das vezes não a menciono isoladamente mas sim juntamente com a técnica. Eu explico melhor:
conhecimento técnico: saber punturar, conhecer os termos técnicos da MTC, por exemplo.
Ciência: conhecer os estudos científicos existentes e problemas associados, conhecer os mecanismos de ação neuroendócrina e neruofisiológioca da acupuntura, por exemplo. O pedro referiu que a fitoterapia é útil e está provado que as plantas tem principios ativos com ação no organismo. E tem toda a razão. Mas quantas escolas tem cadeiras de bioquímica a abordar esses mecanismos? Quantas escolas ensinam ativamente quais as interações conhecidas atualmente? quantas escolas dão esse ensino aplicado à prática dos especialistas de MTC, por exemplo? Esta formação científica é crucial se queremos ser respeitados.
Eu nunca afirmei que só se devam utilizar tratamentos comprovados cientificamente. Existem uma série de tratamentos que se encontram num limbo onde não sabemos se realmente funcionam ou não. E não há nenhuma profissão de saúde que só utilize tratamentos comprovados cientificamente.
Mas a maioria tem tratamentos que se encontram devidamente comprovados. Nas nossas áreas é exatamente o oposto: acupuntura para deixar de fumar em 2 sessões com 96% de sucesso, água para curar todas as doenças, medicina quântica, cura prânica, acupuntura esotérica, etc…
Ou seja nós usamos tratamentos que vendemos como se fossem úteis e que estão provados que não funcionam ou que são fraudes completas. Tratamentos como a acupuntura esotérica, acupuntura quântica ou diagnósticos de acupuntura baseado na medicina quântica só demonstram uma classe sem conhecimento técnico e cientifico.
O exemplo da resposta do vitor é um claro exemplo da falta de formação técnica e científica.
Para o Victor a falta de provas científica é esoterismo. Nunca afirmei nada semelhante nem nunca se afirmou isso em ciência.
Por outro lado fala em “síndromes energéticos” o que denota a abordagem mágica comentada no artigo e a falta de conhecimentos técnicos. Isto sim é esoterismo.
A forma como coloca as doenças todas no mesmo saco é paradigmático do afastamento relativamente aos estudos científicos senão saberia que a depressão leve e moderada parece responder bem à acupuntura. A depressão major não. Não existem provas conclusivas mas existem evidências científicas cada vez mais fortes que sustentam o uso da acupuntura na depressão leve e moderada.
Nestas áreas exigir discursos baseados em conhecimento técnico e cientifico é quase sempre classificado como “cientificação reducionista” o que é bastante triste para uma classe que se quer apresentar como séria e capaz de aceitar as responsabilidades que vem com a autonomia profissional. E com a “cientificação reducionista” vem a aceitação silenciosa de todo tipo de fraudes.
Não creio que se perca o diagnóstico da MTC. Pelo menos não totalmente. Num curso com forte componente técnica provavelmente acabam-se aqueles diagnóstico de vão de escada: estagnação de qi do fígado para tudo numa escola, vazio de qi do baço para tudo noutra escola.
Num sistema mais transparente como é o ensino nas universidades públicas onde a critica e a diversidade de opiniões é mais aceite e onde as verdades não são instituídas por aquilo em que queremos acreditar acredito que o ensino do diagnóstico sairia muito mais desenvolvido do que está atualmente: não iriam existir misturas de diagnóstico com astrologias, acaba-se o diagnóstico baseado na intuição do paciente ou na leitura do seu “campo energético”, acaba-se o diagnóstico baseado no pêndulo, mais tempo para o ensino do diagnóstico baseado em casos e não somente numa descrição rápida lida num livro, mais tempo de treino no desenvolvimento do interrogatório, mais discussão e análise da verdadeira importância de determinados métodos de diagnóstico (língua, pulso, palpação, etc…) com diferenciação de casos onde podem ser mais importantes, abordar o interrogatório para definir o diagnóstico ou para definir a nossa ação terapêutica, etc…
Por exemplo muitas pessoas não se apercebem desta última parte que eu referi. Muitas vezes, no que concerne à acupuntura, o interrogatório efetuado não é relevante para se instituir o diagnóstico mas tão somente para se estabelecer o tratamento. Mas esta diferença passa despercebida e incompreendida para a maioria das pessoas.
Relativamente ao diagnóstico queria dizer mais uma coisa: ele não é assente em anatomia. O diagnóstico da MTC é claramente um diagnóstico fisiológico, baseado na relação formada entre diferentes sintomas. Existem sem dúvida coisas que terão de ser ensinadas para se compreender parte do discurso da MTC assim como a sua história que não são cientificas. Mas com o tempo o mais provável é usarmos o que funciona com explicações racionais e abandonarmos o que não funciona e as explicações irracionais ou mais tradicionalistas.
Quanto à homeopatia, Pedro, a minha opinião tem vindo a mudar. Pelo menos desde a altura em que fui hospitalizado com uma pielonefrite aguda e a médica me prescreveu perto de 2 litros de homeopatia por dia. Mas não creio efetivamente que seja necessário grande formação técnica ou cientifica para prescrever água.
Infelizmente, após regulamentação, acredito que muita gente venha confundir a regulamentação com comporvação científica. Isso será feito por toda a gente. A regulamentação vai ser usada para se tentar comprovar a homeopatia ou qualquer outro tratamento falso.
O nuno devo dizer que concordo com a inclusão de formação nos planos curriculares das licenciaturas de disciplinas da medicina convencional, mas sempre como complemento, com o intuito de se estabelecer uma linguagem comum de entendimento se queremos algum dia estabelecemos pontes para num futuro trabalharmos em conjunto e também preencher as lacunas da MTC, mas o mesmo poderia dizer relativamente a medicina convencional. Agora devo dizer q a sua competência em MTC deixa mt a desejar… Independentemente do seu raciocínio “cientifico”, pois para alguém que exerce a mais de 10 anos ainda ter duvidas relativamente a existência de CHI… é no mínimo ridículo, o que nos conduz a conclusão que é defacto mt fraco naquilo q faz…Como possivelmente 90% dos acupunctores concordaria comigo, pois para alem das evidencias do nosso dia a dia, Eminências da nossa área como Van Nghi – Medico de medicina convencional e de MTC, tradutor dos Classicos do Chines Arcaico, o prof, Carlos NOgueira Peres Medico e prorf de medicina no 5º ano da faculdade de Santiago de Compustela e Acupunctor, Giovani Macioça sobejamente conhecido autor, o propio Jose Faro, Peter Deadman, etc, podia estar aqui a tarde toda a mencionar sumidades… mas acima de tudo a nossa prática diária, Alguém q se dedica a esta Arte ao fim de 10 anos ainda negar a existência de CHi, Atesta bem a sua incompetencia.
Teria um gosto enorme em contrapor os meus resultados clínicos apoiados em no sistema teórico com uma tradição de 5000 anos na sua acupunctura “moderna”.
Abraço
Eu não tenho dúvida nenhuma que muitas pessoas, especialmente no Ocidente acreditam na existência do Qi. Não tenho minima dúvida que provavelmente 90% dos acupuntores me acha incompetente por não acreditar na existência do Qi.
Também não tenho a minima dúvida que a maioria dos acupuntores ocidentais não sabem nada sobre cultura chinesa. Senão saberiam que o Qi é um ideograma que expressa uma ideia. Ideia essa que pode significar coisas diferentes em contextos diferentes. Ou seja: não tem lógica falar da existência do Qi como algo concreto. O mesmo acontece com o Yin e o Yang.
Será que o Yin e o Yang existem? Cientistas deram-se ao trabalho de os procurar em laboratório porque alguêm que percebe muito de MTC decidiu começar a falar em energias negativas e positivas que circulam no corpo. Mas os conceitos de yin e yang são ideogramas que expressam ideias com significados diferentes em contextos diferentes. O yin pode significar mulher ou lua. A mulher e a lua existem. Mas será que o ideograma yin é uma realidade concreta em si? Não. É um ideograma que num dado contexto pretende passar um determinado significado. É esse significado nesse contexto que temos de perceber e não fazer traduções de vão de escada que violam completamente o significado do ideograma.
E a existência de tantas sumidades ocidentais a defender coisas ridículas como essa só mostra bem como o meu artigo tem razão: a classe está infetada com ideias esotéricas. Os termos técnicos de MTC são sistematicamente manipulados para se adequarem a essas crenças esotéricas.
Existirem 90% de acupuntores que não concordem comigo até acredito. Que isso seja um sinal de conhecimento técnico é que já é outra coisa.
E o que está aqui em causa até era o seu discurso energético e não a minha ideia sobre Qi. E tenho a certeza absoluta que muitas sumidades ocidentais aceitarão publicamente a sua opinião sobre sindromes energéticos e qi como energia, etc… Também não tenho dúvidas que a elite de especialistas de MTC, sinólogos e tradutores das principais universidades chinesas não concordam minimamente. Mais: discordam abertamente desse tipo de traduções. Para tal basta começar a estudar as obras técnicas bilingues dessas universidades.
E você não pode contrapor os seus resultados clinicos apoiados num sistema teórico com uma tardição de 500 anos com a acupuntura moderna por várias razões:
1 – o tempo que dura a tradição não é sinónimo de qualidade.
2 – os seus protocolos são muito diferentes dos protocolos ou da forma como era feita acupuntura há 500, 1000 ou 2000 anos.
3 – essa mesma tradição está cheia de momentos anti-acupuntura (dinastias pré e pós Song por exemplo)
4 – os seus resultados clinicos, por importantes que sejam no seu dia a dia (os meus também são) não foram avaliados independetemente e são claramente inviesados pelas suas crenças pessoais.
5 – muito da acupuntura “moderna” consegue efetivamente provas que funciona: trigger points, por exemplo.
abraço
Se o nuno se acha no direito em dizer que Chi são ideias ridiculas e esotericas quando n tem mecanismo explicativo e cientifico que justifique o funcionamento da acupunctura na grande parte dos sindromas que trata, so por uma questão de convicção pessoal pode adoptar esse tipo de critica, pois na ausencia de teoria cientica que justique o mecanismo funcional, o NUno prefere chamar nomes e tecer julgamentos,em vez de trabalhar com uma teoria que esta na base dos resultados clinicos q obtem, se na realidade existisse uma justificação cientifica ai teria toda a logica o seu discurso, e estou a dizer isto descartanto toda a observação empirica que me corrobora a teoria q sustenta a explicação energetica, assim so posso concluir q o seu discurso se deve a algum preconceito ou poderá ser tambem a forma q encontrou de se diferenciar dos restantes acupuntores, tem todo o direito mas ao menos que seja logico, pois se na realidade a ciencia não explica, então a teoria do chi tem tanta validade como qualquer outra que apresente os mesmos resultados (n conheço) logo se lhe é defacto impossivel compreender a logica subjante, a postura logica seria estabelecer um distanciamento, e dizer q sabe por q funciona e q para si ate pode ser bruxaria,lolol,para mim é perfeitamente logico, mas as capacidades de cada um são fruto da hereditariedade e percurso de vida…Assim a conclusão a tirar é que chama nomes gratuitamente o n diz muito bem do seu caracter.
Eu nunca afirmei “que Chi são ideias ridiculas e esotericas”. Isso é uma manipulação grotesca e mal intencionada daquilo que escrevi.
Nunca designei o Qi como ridículo. O Qi, volto a repetir (já era altura de aprender!), é um ideograma que expressa uma determinada ideia. Essa ideia pode ter significados diferentes consoante o contexto que se emprega.
Ou seja como ideograma, o Qi não tem existência da mesma forma que algo concreto, como a lua ou o próprio vitor, tem. Portanto a sua cr´ticia de eu não acreditar no Qi não tem lógica. É um ideograma não é algo concreto.
O que é ridículo é o facto de vir criticar-me porque não acredito no Qi como algo concreto quando falamos de um ideograma.
E nunca afirmei que o conceito de qi era esotérico. Esotérico é a crença que existe uma espécie de energia universal que está presente em todo o lado e que os chineses designavam de qi. Não só é esotérico como altamente ignorante. Mostra que não conhece a cultura chinesa.
“quando n tem mecanismo explicativo e cientifico que justifique o funcionamento da acupunctura na grande parte dos sindromas que trata”
atualmente existem mecanismos que explicam a ação da acupuntura numa série de sintomas. De qualquer forma não é necessário um mecanismos explicativo para provar que funciona. E quando fala em sindromes deveria falar antes em sintomas. Porque efetivamente um sindrome possui vários sintomas: uns respondem à acupuntura, outros nem por isso.
“descartanto toda a observação empirica que me corrobora a teoria q sustenta a explicação energetica”
A explicação energética não é mais do que imaginação pobre aliada a ignorância extrema. Fico feliz por a partilhar conosco porque efetivamente dá toda a razão de ser ao meu artigo.
“então a teoria do chi tem tanta validade como qualquer outra que apresente os mesmos resultados”
O qi é um ideograma, não é uma teoria. Não tem lógica o que escreveu. Você não pode pegar num ideograma, transformá-lo como que por magia em “teoria”, compará-lo sem nenhuma fundamentação com outras teorias que supostamente nem existem num argumento totalmente descontextualizado e depois afirmar que por causa disso tem tanta validade quanto as outras.
Isto é um exemplo claro da necessidade de um ensino com uma forte componente científica na nossa área. É por causa deste tipo de discursos que eu preferia uma classe com menos autonomia profissional mas mais conhecimento técnico-cientifico do que a situação atual.
Eu percebo que no teu caso seja mais importante a autonomia profissional e não tanto o ensino da profissão. Usas a ciência na acupuntura e portanto defendes um ensino baseado em evidências científicas. Mas como sabes a acupuntura é provavelmente a terapêutica mais sujeita a interpretações subjetivas e cada um faz o que bem entende. Mas no caso da fitoterapia chinesa, o assunto é diferente. A classificação das plantas é diferente, a combinação das plantas e a prescrição das fórmulas estão sujeitas à interpretação correta dos sintomas e ao conhecimento da fisiopatologia de acordo com a MTC. Não há muitas possibilidades para criar teorias em função de crenças pessoais, é por isso que muitos alunos depois de terminarem os cursos não prescrevem fitoterapia: preferem inventar ou associar teorias à prática da acupuntura. Portanto, é fundamental que o ensino preserve ao menos as teorias subjacentes às terapêuticas em causa e que não as substituam pelas científicas, como no caso da fitoterapia chinesa.
Outro exemplo é a anatomia em MTC que está ligada ao trajeto interno e externo dos meridianos. É ela que explica a manifestação de alguns sintomas e a relação entre os órgãos. Portanto, fundamenta o diagnóstico porque este não consiste em apenas recolher os sintomas clínicos mas também em compreender a sua manifestação dentro das teorias de base. Há muitos diagnósticos de estagnação de qi do fígado e vazio de qi do baço porque não se entende a abrangência do diagnóstico. Pessoalmente, considero a teoria dos meridianos desatualizada, e talvez nem seja assim tão importante a partir do momento em que dominamos o diagnóstico pela diferenciação de síndromes, mas penso que é absolutamente imprescindível o seu ensino para que os alunos compreendam, não apenas o raciocínio tradicional da MTC, mas igualmente o mecanismo patológico relacionado com a manifestação dos sintomas. E nenhum livro de fisiologia ou patologia da medicina convencional poderá substituir os da teoria básica de MTC para explicar esses mecanismos. Daí a importância da autonomia do profissional de MTC, do ponto de vista prático e intelectual, porque se no futuro existir um trabalho conjunto entre profissionais de saúde, se o diagnóstico for da exclusividade dos médicos os efeitos pretendidos através da fitoterapia, por exemplo, não serão obtidos. E depois de quem é a culpa? É das TNC que não convencem e que baseiam-se em teorias arcaicas.
O que escrevi não significa que não concordo quando dizes que a ciência pode beneficiar algumas das terapêuticas, dando-lhes maior credibilidade e eficácia. Penso que sim. Seria interessante, por exemplo, alargar a seleção dos pontos de acordo com a miologia funcional a outros músculos ou a áreas de músculos onde não existem pontos tradicionais, colocar agulhas nos ventres e nas inserções musculares, jogar com a profundidade da agulha para trabalhar os músculos mais profundos, substituir ou complementar a teoria dos meridianos com as cadeias miofasciais do corpo, etc. Há muito que pode ser feito, muita investigação que poderia beneficiar as terapêuticas em si se houvesse rigor e coerência, apanágios da metodologia científica.
Eu não compreendo a razão pela qual a questão da autonomia é mais importante que o ensino da profissão. Para mim são as duas igualmente importantes. Se tiver de escolher uma, escolho o ensino da profissão porque são as bases que fazem uma profissão forte.
Eu defendo um ensino baseado nos melhores conhecimentos técnicos e científicos. Dei alguns exemplos na minha resposta anterior.
“Mas como sabes a acupuntura é provavelmente a terapêutica mais sujeita a interpretações subjetivas e cada um faz o que bem entende.”
Daí a importância de fazer as coisas com conhecimento técnico e científico. Por exemplo vários estudos científicos começam a chamar a atenção para um aspeto relevante: a forma como se pensa a acupuntura pode ser um fator importante.
Eu nunca falei em alterar o ensino da fitoterapia ou do pensamento subjacente à prescrição: a nãos er que se desenvolva um sistema melhor é claro. O que digo é que o ensino da fitoterapia não deve ser desfasado da ciência.
Dou-te um exemplo: neste momento há estudos relevantes a falar sobre a presença de determinados princípios ativos em plantas classificadas de determinada forma. Uma questão: será possível descortinar a chave bioquímica por trás da classificação de drogas, caso ela exista? Há estudos que parecem indicar que sim.
Em termos futuros vão sobreviver as teorias subjacentes aos tratamentos que se mostrarem mais eficazes. É por isso que o ensino com uma forte componente científica, em termos de teorias base ou de metodologia de investigação, é tão importante.
Dificilmente o trajeto dos meridianos internos e externos se poderá considerar anatomia. O diagnóstico em MTC fundamenta-se na análise dos sintomas e na relação que estes formam uns com os outros. Obviamente que essa leitura está dependente de teorias base que não são cientificas. A questão de base é esta: essas teorias são um ponto de partida e não um ponto de chegada. Se se mostrarem inválidas ou se se descobrir teorias científicas mais válidas essas teorias tem os dias contados. E há formas de investigar essa questão. Um exemplo:
1 – Paciente com dor tipo facada, agrava há noite e melhora com movimento.
2 – Tenho os sintomas base da estase de sangue. Sei que é estase de sangue porque o Fígado armazena o sangue há noite e como tal os sintomas agravam há noite. A dor tipo facada e melhorar com movimento são típicas da estase de sangue.
3 – Para esta estase de sangue vou usar drogas ou fórmulas especificas.
O que é que eu tenho aqui trocado miúdos:
1 – forma de classificar sintomas
2 – explicação desses mesmos sintomas por uma cultura desenvolvida mas sem conhecimentos científicos
3 – observação clinica que determinado tipo de drogas tratam determinado tipos de dor
Questão: as teorias base usadas “explicam” o meu método de funcionamento. Foram para isso que elas foram criadas. Mas se se provar que essas drogas tratam realmente aquele tipo de dor e que tem uma explicação lógica bioquímica então achas normal que se abandone as explicações mais tradicionais não cientificas?
Este é o caminho do futuro. Não te estou a dizer que essas teorias serão abandonadas com a regulamentação. Estou a afirmar que elas são um ponto de partida de trabalho. Com a regulamentação e a imposição de um ensino onde impere a curiosidade e co conhecimento científicos é isto que irá acontecer. E é isto que deve acontecer.
Pelo contrário na ausência de regulamentação e como as coisas estão atualmente o que temos são meia dúzia de pessoas a manipularem conceitos que não entendem (qi, yin, yang, etc…) a praticarem algo que nunca conseguiram perceber (medicina chinesa) e a defender a sua prática na idade da coisa (5000 anos de tradição, etc…) como Vitor fez no seu último comentário.
Defender o obscurantismo, baseado na tradição não é futuro para ninguém.
Eu concordo contigo quando referes o problema da autonomia. Em relação à fitoterapia a ausência de autonomia vai ser um pouco estranha: não há médicos a prescreverem fitoterapia, portanto, para quem é que vão trabalhar os fitoterapeutas? Os homeopatas vão ter um problema semelhante: quase médicos nenhums prescrevem homeopatia.
E perde-se liberdade de ação. Por outro lado essa liberdade de ação só deveria ser dada a pessoas com conhecimento para a terem. Temos aqui o problema que mencionei no artigo: pretendemos ter muita liberdade para fazer disparates ou pouca liberdade para agirmos corretamente?
Relativamente ao último parágrafo acho que concordamos inteiramente. Mas deixa-me somente chamar a atenção para um problema: sem metodologia e pensamento científico estamos acabados. Vão existir outras profissões de saúde a fazerem os mesmos tratamentos e a usarem metodologia científica para ver qual é o mais eficaz e isso vai-lhes dar vantagem. Enquanto isso muitos de nós vão andar perdidos com más conjunções astrais e disparates quânticos. Essas profissões vão dar um nome diferente às suas técnicas, vão tentar segurá-las, e vão ganhar aos pontos em termos de eficácia clinica.
Dou-te um exemplo prático: os fisioterapeutas neste momento fazem um curso de “punção seca para trigger points”. Punção seca é acupuntura e trigger points deveria ser obrigatório para qualquer acupuntor. Em Portugal os poucos acupuntores que tiveram trigger points a sério nas aulas foram meus alunos. A maioria não sabe o que faz, pelo contrário, andam perdidos com acupuntura esotérica e acupuntura quântica.
Uma vez uma aluna minha veio falar comigo em privado e agradecer-me por ter ensinado trigger points. Uma doente estrangeira tinha ido tratar-se com ela e ficou aliviada por ela saber que sabia trigger points. Ainda não tinha encontrado um acupuntor português que soubesse tratar trigger points. No estrangeiro os acupuntores sabem trigger points e a dor desta paciente estava associada a isso. Outros preferem andar a contar estrelas…
Pergunta rapida, ensinar acupunctura a fisioterapeutas num curso flash de fim semana, não é dar um proprio tiro no pé no que diz respeito ao querermos profissionais a serio desta area, formados com teoria basica e diagnostico de acordo com a mtc?
Como é que se ensina/passam os principios da mtc para estes profissionais em 2 dias?
E com esta regulamentação não serao eles os escolhidos para os centros de saude para praticar uma acupunctura (sintomatica) ao inves de um profissional que realmente estudou anos, fez estagio, tese…e sabe tratar de acordo com difrenciação de sindromes?!
E agora é passado a frente por um outro profissional que tirou um seminario de 2 dias?!
Boa…
Triger points qq um compra um livro e estuda!
Fazer diferenciação de sindromes e puncturar de acordo com o diagnostico presente…não se aprende em 2 dias!
Boa noite Joana
Fez algumas questões bastante pertinentes. Passo agora a responder:
1 – em primeiro lugar o curso de acupuntura para fisioterapeutas não é 1 fim de semana mas sim 6.
2 – não é uma licenciatura é uma formação avançada. Ou seja os fisioterapeutas não são acupuntores. São fisioterapeutas com alguns conhecimentos muito especificos de acupuntura.
3 – a formação não está vocacionada para a diferenciação de síndromes: coisa que os fisioterapeutas nem sequer aprendem. O curso está feito de forma a seleccionar pontos de acordo com miologia funcional e sistema nervoso no tratamento da dor e recuperação neuro-muscular: ou seja os fisioterapeutas já tem a base anatómica para seguir o raciocínio da seleção de pontos.
4 – o que é problemático é saber que estes fisioterapeutas conhecem formas de pensar a acupuntura que muitos acupuntores não conhecem. Isso já é mais problemático.
5 – está a focar-se muito na diferenciação de síndromes. isso nem sequer é o mais importante na acupuntura. E depois de tanta coisa acerca do ensino de diagnóstico e teoria básica eu espero mesmo que não me venha dizer que é de um curso de fim de semana. lol
6 – este curso afeta os acupntores? provavelmente sim. Poderá tirar alguns doentes que os fisioterapeutas consigam tratar com acupuntura. Sem dúvida. Mas dificilmente estes fisioterapeutas serão escolhidos para irem para os centros de saúde tratar doentes com acupuntura. A lei é muito especifica nesse assunto:
“O acesso às profissões referidas no artigo 2.º depende da titularidade do grau de licenciado obtido na sequência de um ciclo de estudos que satisfaça os requisitos fixados,”
Eu ainda nãos ei quais vãos er esses requisitos mas dificilmente irão ser 6 fins de semana. Se forem estamos todos felizes da vida. Ou não.
“são considerados os termos de referência da Organização Mundial da Saúde para cada profissão, após a audição da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior e da Direção-Geral da Saúde”
Nãos ei o que diz a OMS sobre o assunto. Mas quase de certeza absoluta que não contempla formações avançadas como licenciaturas.
“O exercício das profissões referidas no artigo 2.º só é permitido aos detentores de cédula profissional”
Por outro lado esta lei é sobre a regulamentação. Entre regulamentar e aceitar indiscriminadamente no Sistema Nacional de Saúde vai uma grande distância. Acha mesmo que depois da regulamentação vão abrir consultas de homeopatia, acupuntura, naturopatia, etc… pelos centros de saúde nacionais? Se sim, está a sonhar.
7 – Não compreendi: para si a acupuntura não é sintomática? Se não é sintomática então o que é que ela trata?
8 – “Triger points qq um compra um livro e estuda” Eu uso pdf e
infelizmente a maioria nem pdf nem livros.
9 “Fazer diferenciação de sindromes e puncturar de acordo com o diagnostico presente…não se aprende em 2 dias” licenciaturas de fins de semana era o que queria dizer?
10 – os fisioterapeutas que eu ensino, com aquilo que lhes ensino, tem uma postura mais séria face a um doente e àquilo que podem fazer por ele do que muitos acupuntores. Não há promessas de cura falsas, não há diagnósticos de vão de escada justificados numa qualquer energia, não há pêndulos para um qualquer diagnóstico eletromagnético, etc…
Boa tarde,
Ja existem alguns centros de saude que tem consultas de acupunctura ministrados por medicos, saiu na grande reportagem na sic!
🙂
A meu ver é um passinho muito leve para que um fisioterapeuta que tire um curso de 12 dias (intensos va) consiga mais facilmente concorrer a uma vaga que posteriormente venha a existir em concurso publico, do que um acupunctor que tenha tirado um curso numa escola onde se fala da existencia do qi, e se punctura de forma asseptica…mas sem luvas de latex!
Independentemente de no artigo ainda nao estar explicito nada certo acerca deste assunto! ( o que é sem duvida preocupante).
Um fisioterapeuta para exercer profissão tem ele tambem que tirar curso superior, exactamente o que consta no dito documento.
Afirmar que um fisioterapeuta ao final de 12 dias de curso sabe mais sobre punctura (mesmo sendo sintomatica) do que um acupunctor que se dedicou entre 3 a 5 anos diarios ao estudo da profissão (penso que é o minimo das escolas de mtc) , parece-me além de irónico bastante descabido e ate mesmo ilusório. Que raio de acupunctores andara o Choy e a ESMTC a pseudo-formar?!
Eu tambem tenho varios pdfs e livros de trigger points, e são sem duvida fantasticos, principalmente os que vêm com bonecos a preto e branco!
Mas a minha pratica clinica não depende deste tipo de tecnica. Caso contrario estaria bastante limitada. Dou bastante importancia a diferenciaçao de sindromes porque foi assim que me foi ensinado e foi assim que me foi reforçado na China.
Quer dizer que os chineses andam todos errados…
Interrogatorio- dif de sindrome- orgao afectado- diagnostico! E dai escolha de pontos, plantas e massagem se necessario.
Impossivel aprender isto em 6 fins de semana!
E não sei a que proposito veio as maquinas e pendulos e esquemas electromagneticos…, eu não utilizo nada disso!
E tambem nao utilizo luvas de latex para puncturar…acho que realmente por mais bonita que fique essa imagem profissionalmente…a verdade é que não se sente o importante…o ponto!
Nuno de qualquer forma acredito que os fisioterapeutas que esta a ensinar nos tais 6 fins semana, realmente saiam com conhecimento de acupunctura…nomeadamente nos trigger points…so acho que isso não chega e acaba por denegrir igualmente a profissão de acupunctor! Tal como o tipo que faz diagnostico no vão de escada ou utiliza maquinetas…
Boa noite Joana
De acordo com o que li já são dadas perto de 3000 consultas pro ano em hospitais portugueses. Essas consultas de acupuntura são dadas por médicos.
Após regulamentação se a acupuntura for inserida no SNS qualquer pessoa para trabalhar lá (com excepção dos médicos) tem de ter a cédula profissional de acupuntor. Mais uma vez a cédula é passada a pessoas com uma determinada formação que ainda vai ser definida em portaria.
Mas é uma formação de licenciatura. A lei diz que: “O acesso às profissões referidas no artigo 2.º depende da titularidade do grau de licenciado obtido na sequência de um ciclo de estudos” Um curso daqueles não confere grau de licenciado.
No artigo não se fala disto porque efetivamente esta formação não dá direito a licenciatura. Isto não tem nada a ver. Um fisioterapeuta não faz uma formação de 6 fds e vai concorrer a concurso público para acupuntor. Até porque os fisioterapeutas não estão interessados em ser acupuntores. Eles estão interessados em continuar a ser fisioterapeutas.
“Afirmar que um fisioterapeuta ao final de 12 dias de curso sabe mais sobre punctura (mesmo sendo sintomatica) do que um acupunctor que se dedicou entre 3 a 5 anos diarios ao estudo da profissão (penso que é o minimo das escolas de mtc) , parece-me além de irónico bastante descabido e ate mesmo ilusório. Que raio de acupunctores andara o Choy e a ESMTC a pseudo-formar?!”
Eu não disse que eles sabiam mais acupuntura. Eu disse que els sabiam determinadas técncias que infelizmente a maioria dos acupuntores não domina. Eu afirmei que “estes fisioterapeutas conhecem formas de pensar a acupuntura que muitos acupuntores não conhecem”
E isto está longe de ser ilusório. É bem real e mostra o nível de formação que existe em Portugal. Piosso mesmo garantir-te que os fisioterapeutas que tiram o meu curso tem mais prática e facilidade em puntura em muitos locais do corpo do que muitos acupuntores portugueses. E isto não é ilusório. Pelo contrário.
Quanto à ESMTC posso garantir-te que os alunos tem de passar por mim e dificilmente o fazem sem saber acupuntura. Obviamente que a minha opinião é sempre muito parciasl uma vez que sou eu que estou em causa.
Os chineses não andam todos errados. E eu nunca afirmei que os trigger points são a única coisa que vale a pensa saber. Vou tentar explicar-me melhor:
1 – trigger points são essenciais em clinica.
2 – acupuntura pode ser pensada em sindromes mas na verdade o que vês os chineses fazerem é adaptarem a teoria dos meridianos aos síndromes. A base do pensamento da acupuntura está nos meridianos e não nos síndromes.
3 – os síndromes são essenciais para a prescrição de fitoterapia e não de acupuntura.
4 – miologia funcional, sistema nervoso, trigger points e sistema de meridianos são 4 das formas base essenciais para saberes resolver muitos problemas só com acupuntura. Na dor e recuperação neuro-muscular, por exemplo, os síndromes só são mesmo relevantes para a fitoterapia.
“Interrogatorio- dif de sindrome- orgao afectado- diagnostico! E dai escolha de pontos, plantas e massagem se necessario.
Impossivel aprender isto em 6 fins de semana!”
Concordo totalmente. Em 6 fds ou em licenciaturas de fds. Noto só um pequeno problema no que referiste. Tu não fazes o tratamento com base no diagnóstico. O teu tratamento é definido pelos princípios terapêuticos. São coisas muito diferentes.
“E não sei a que proposito veio as maquinas e pendulos e esquemas electromagneticos…, eu não utilizo nada disso!”
Eu nunca disse que usavas. Eu criticava a falta de formação da área e as confusões que se fazem sistematicamente com estas misturadas de pêndulos e tudo o mais. Era uma critica à prática de muitos acupuntores mas não era uma critica a ti em particular.
“E tambem nao utilizo luvas de latex para puncturar…acho que realmente por mais bonita que fique essa imagem profissionalmente…a verdade é que não se sente o importante…o ponto!”
Sentir o ponto? Agora entraste na parte esotérica e menos racional da coisa. A verdade é que volta e meia os pontos sangram e se não tivermos cuidado o mais provável é entrarmos em contacto com o sangue do paciente. O sangue pode ficar escondido entre os cabelos o ponto pode sangrar sem darmos conta ou simplesmente é mais simples, por exemplo, fazer manipulações nos pontos gatilho onde uma agulha poide ser inserida e retirada algumas vezes se estiveres protegida. Caso contrário a probabilidade de entrares em contacto com o sangue do paciente é alta.
Não usar luvas porque não se sente o ponto é só mais um exemplo do ensino esotérico existente e da falta de conhecimento relativamente à história e aupunturas chinesas.
O ponto é uma convenção social que chama a atenção para uma determinada região do corpo. Deixo-te alguns links caso queiras le-los:
http://acuforma.com/sentir-o-qi-condicionalismo-psicologico-e-cepticismo-informado/
http://acuforma.com/sentir-pontos-de-acupunctura-um-caso-real/
http://acuforma.com/topografia-de-pontos-e-a-esmola-do-pobre/
Eu não ensino trigger points aos fisioterapeutas. Eu ensino a seleccionar pontos de acordo com miologia funcional e sistema nervoso no tratamento da dor e recuperação neuro-muscular. E os fisioterapeutas não são acupuntores. Eles fazem uma formação avançada que não é licenciatura.
Há vários problemas que denigrem a profissão do acupuntor: (1) LICENCIATURAS fracas dadas em fds com componentes práticas anedóticas e teóricas fracas, (2) acupuntores que não sabem pensar em acupuntura seja tradicional chinesa ou moderna, (3) falsas promessas de cura, (3) crenças em energias e esoterismos sem qualquer tipo de fundamento, (4) formação científica extremamente deficiente.
Fisioterapeutas que sabem tratar ciáticas pensando em sistema nervoso dificilmente vão denegrir a acupuntura. E dificilmente isto tem alguma coisa a ver com máquinas milagrosas ou diagnósticos incompetentes.
Boa noite Nuno, não tenho muito tempo para reflectir e responder com coerencia, mas vou só salientar 2 aspectos:
1º Faço tratamentos a fisioterapeutas e enfermeiros que devido tambem aos bons resultados que tem observado nos tratamentos, mal tenham oportunidade vão tirar acupunctura (sim querem mesmo estudar e mudar para a acupunctura)…por isso a historia dos fisioterapeutas nao quererem ser acupunctores…não é bem assim!
2º Em todos os hospitais da China por onde passei, numca mas numca vi ninguem puncturar com luvas! E tambem numca ninguem referiu que para se sentir um ponto de acupunctura teria que se acreditar em esoterismos?!
Devo de salientar que ha dias vi o Choy numa revista (nao me recordo qual) em que aparecia com uma daquelas maquinetas que detecta os pontos…nao me parece que isso seja uma invençao esoterica (apesar de na minha opiniao a maquina ser treta), e tambem nao tou a ver o Choy como um esoterico!
Mas pronto isso sou eu!
Quanto ao sangramento…se se vai realizar uma sangria…sim sem duvida!
Ou no caso de fazer tecnicas agressivas especificas que necessitem de sangramento…mas regra geral…considero bonito para fotografia, mas pouco funcional.
Cumpr.
Boas Joana
Relativamente ao que referiste:
1 – é evidente que existem outros profissionais de saúde em serem acupuntores. Existem profissionais de saúde em todas as escolas de MTC. Eu tenho alunos fisioterapeutas, enfermeiros, técnicos de análises clinicas, etc… Os médicos tem uma especialização própria, ou seja, também há médicos que querem ser acupuntores.
Mas quando fisioterapeutas querem ser acupuntores procuram cursos que ofereçam conteúdos mais diversificados. Para eles não é suficiente aprender a tratar dor e a fazer recuperação neuro-muscular. Também querem estudar medicina interna por exemplo.
A maioria dos fisioterapeutas com quem falo nos meus cursos não está interessado ems er acupuntor. Está interessado em ter outra ferramenta de trabalho junto da fisioterapia e outras formações (osteopatia é muito comum nos fisioterapeutas).
De qualquer forma volto a relembrar que dificilmente uma formação avançada em acupuntura de 6 fds será considerada uma licenciatura. Muito dificilmente mesmo.
2 – eu também nunca vi os acupuntores na China a usar luvas. E isso significa o quê? Também nunca os vi a usar guia para inserirem as agulhas mas pelos vistos até parece que dá muito jeito. E também já os vi a fazerem sangria sem luvas, para dentro de um alguidar com o jornal do dia a servir de apoio e material de limpeza para os pés. E em alguns hospitais que estive a preocupação com a limpeza e a assépsia era minima. Colegas meus assistiram a acupuntores que colocavam as agulhas e a seguir punham-se a fumar ao pé do doente. Talvez possamos começar a fazer o mesmo.
Usar luvas é bonito para a fotografia? Nem vou comentar isso. Usar luvas na acupuntura é tão funcional quanto a própria acupuntura: chegas lá com treino.
É tudo uma questão de bom senso. Se usares 20 agulhas por paciente e tiveres 20 pacientes por semana inseres 400 agulhas numa semana, 1600 agulhas num mês, 19200 agulhas por ano. Se 5% destas agulhas forem na cabeça isso significa que são perto de 1000 agulhas.
Se 10% dos pontos sagrarem significa que ao final do ano são 1.920 pontos. Se em 10% destes casos não te aperceberes que o ponto ainda está a sangrar e lhe tocares são 192 pontos de contacto com sangue Se em 10% destes casos por acaso tiveres algum pequeno corte no dedo são 19 incidentes em que entraste em contacto com o sangue do paciente tendo uma ferida. Vamos só contar com este último valor. Ao final de 10 anos de trabalho tens 190 incidentes perigosos. Pergunta: destes 190 pacientes quantos tinham SIDA?
Já agora: um paciente chega à clinica e diz-te que é seropositivo. Usas luvas a fazer acupuntura para te precaveres do contacto com o sangue do paciente? ACHAS que deverias usar luvas? Se sim então assume que todos os teus pacientes são um risco para ti pois muitos deles não te vão dizer que tem doenças transmissiveis pelo contacto com o sangue.
Outro exmplo: hoje enquanto estava a dar uma consulta punturei pontos na cabeça (20VG, 8VG, etc…). Tirei agulhas passei algodão. Num ponto onde notei sangramento coloquei algodão mais um pouco para fazer pressão. Enquanto eu tirei o algodão, notei que havia sangramento e coloquei novamente o algodão, parte desse sangue ficou no cabelo da paciente. Resultado: a minha luva tinha uma pequena marca vermelha.
Eu chateio muito com esta questão por uma simples razão: as nossas noções de assepsia clinica são inexistentes. Já por várias vezes notei colegas de diferentes escolas (não é uma critica a uma escola em particular. Isto é geral) a tirarem a agulha e a colocarem o dedo desprotegido no ponto. Muitas vezes o algodão que usam é pequeno, depois pegam-lhe indiscriminadamente incluido o local que está contaminado com sangue, etc…
O uso de luvas numa situação clinica de potencial contacto com o sangue do paciente é bom senso. Não é preciso ir à China para ter bom senso. E em termos de assepsia é totalmente contrapruducente ir à China.
3 – sentir o ponto é esoterismo? Na maioria dos casos, sim. Sentir o ponto pode estar associado às crenças energéticas new age em que uma pessoa tem de sentir a energia do ponto (creio não ter sido isto o que tu querias dizer) ou pode estar associado a uma crença esotérica chinesa que esta na origem da compreensão do que é um ponto de acupuntura: supostamente uma forma de contacto com o interior do corpo da mesma forma que os povos primitivos pensavam que as cavernas eram formas de entrar em contacto com a Terra.
A questão é esta: o que significa sentir o ponto? O ponto de acupuntura, na maioria das vezes é uma convenção social. Ele tem uma descrição anatómica precisa no sentido de chamar a atenção para uma área do corpo. A palpação da área pode ser importante (não pretendo com isto tirar valor à palpação enquanto método de diagnóstico) mas o que é que isto se relaciona com o teu sentir o ponto sem luvas proque as luvas afetam? Para fazer palpação de uma área eu posso faze-lo com luvas sem problema nenhum.
É que quando falas em não usar luvas porque afeta a capacidade de sentir o ponto estás a usar o argumento das energia new age e não a palpação clinica necessária para um diagnóstico ou para encontrar zonas de maior tensão ou fraqueza muscular.
Portanto o que é que significa para tis entir o ponto?
4 – essas “maquinetas” detetam a corrente elétrica presente nos sistema nervoso. Por isso é muito usada em locais do corpo onde o sistema de meridianos corresponde exatamente ao sistema nervoso. 70% dos pontos de acupuntura mais importantes encontram-se nos principais troncos nervosos (7C no nervo cubital, por exemplo). E muitos pontos de acupuntura parecem apresentar alterações de condutividade elétrica. Eu fico sempre com um pouco de receio relativamente a esses métodos porque o bias associado aos mesmos é muito grande. Por exemplo pequenas alterações de pressão na ponta do aparelho e dá valor diferente.
Não é uma invenção esotérica. É somente um aparelho de leitura de corrente ao longo dos nervos.
“e tambem nao tou a ver o Choy como um esoterico!”
Não! Então e aquela história das energias? Eu dou-te um exemplo de um acupuntor profundamente esotérico sem qualquer noção dos conceitos base da MTC (se encontrares semelhanças com o Choy diz-me).
Cumpr.
Boas
Em 2004 recorri aos serviços de acunpuctura .
Na epoca fui atendida por um excelente profissional que me foi indicado por um amigo. O Mario , acunpuctor com formação academica e percurso semelhante ao do Nuno . Fiz dezenas de sessões pois “viciei-me” no bem estar e qualidade de vida que recuperei após meses de sofrimento (resultado de histerectomia total). Recusei-me ficar “entregue aos bichos” como diz o povo. Entenda-se aqui como “bichos ” ficar à mercê do “culto” do medicamento para me “curar” das sequelas fisicas e mentais , resultantes da intervenção cirugica .
Há poucos meses atras, recebi tratamentos de fisioterapia numa clinica em Lisboa, por “indicação ” do seguro de acidente de trabalho (parti a mão), estando muito stressada nessa fase ,e apesar do seguro não comparticipar (burros ignorantes palermas!!!) resolvi agendar uma sessão de acunpuctura . Atende-me o Nuno Lemos. Nota 10 (na escala de 1 a 9..)
Resumindo: deixo aqui o meu testemunho: na qualidade de “veterana”, conhecedora dos efeitos beneficos de tratamentos de acunpuctura que o Nuno é um dos excelentes profissionais que temos na praça , quer a nivel etico quer na competencia e conhecimento que tem do seu trabalho de acunpuctor.Parabens ao Nuno pelo seu blogue .
PS- Lamento muito não ter podido continuar . Motivos financeiros. Somente por isso.
Obrigado Ana
oh joana, acho q devias recapitularas tuas questoes de assepsia. é grave e da-me volta ao estomago ouvir tantas barbaridades da tua parte. puntura um medico ou um enfermeiro sem luvas q nunca mais lhes poes os olhos em cima. eu vejo em ambiente de estagio na mina faculdade pessoas sem luvas e q vao buscar o algodaozinho para limpar o sangue. isto revela
, na minha opiniao falta de profissionalismo pois tu nunca sabes o q o paciente tem, raras as vezes abrem o jogo contigo. tenho pacientes la no estagio da faculdade q so na 4º ou 5º consulta dizem q sao seropositibos ou que tem hepatite. eu uso luvas porque felizmente tenho amor proprio, tive um professor qe me incentivou a tal ( o nosso amigo Prof lemos) e os meus conhecimentos sao suficientes para perceber que luvas sempre. tu nao ves nenhum enfermeiro injetarte o que qer que seja sem luvas, ou um medico tb. passa por estas pequenas coisas, que depois a legalizaçao nao vai pa frente pk ha medicos que reparam nestes pormenores. uma vez mais digote, começa a usar luvas pois isso é muito grave
QUe tamanha estupidez achar que não usar luvas é falta de profissionalismo!? E maior estupidez achar que isso está relacionado com falta de acreditação ou regulamentação profissional!?
Talvez sejam estas batalhas de argumentos idiotas que são travadas desde que dois acupuntores começaram a trabalhar no mesmo território que põem em causa a nossa integridade inteletual e profissional. E o mesmo se aplica às instituições de ensino e formação.
Basta usar uma pinça com algodão para retirar as agulhas ou limpar o sangue para não ser preciso usar luvas.
Boas Pedro
Na minha opinião a falta de assepsia é falta de profissionalismo e é mau Lara aprofissão. Já estudei enfermagem e sou mestrado em medicina nuclear e nunca vi um procedimento onde houvesse probabilidade de contacto com sangue do paciente ser feito sem luvas.
A aversão ao uso de luvas e ignorância relativamente à assepsia clinica é uma consequência da influência de ideologias energéticas e falta de formação adequada.
A falta de regulamentação está associada a uma série de coisas: fraca formação cientifica, discursos fantasistas sobre energias imaginárias, promessas de curas falsas não sabendo sequer fazer a distinção entre tratamentos válidos ou não, falta de assépsia, etc…
Ficaria muito difícil aos médicos ou a quem quer que fosse opor-se à regulamentação se tivéssemos tudo isso.
Argumentos idiotas? A sério? E é isso que coloca em causa a nossa credibilidade? Leitura fenomenal. Pelo menos do pontos e vista de uma pessoa que usa argumentos idiotas.
Quer dizer: luvas não mas pinça com algodão na boa. Muito mais prático. Obviamente que se fosse assim tão fácil as luvas não seriam necessárias para nada. Já pensaste que o sangue pode ficar mal limpo? Já pensaste que podes achar que já parou o sangramento quando na realidade não parou? Já pensaste que há pontos que não começam logo a sangrar? Jápensaste que volta e meia vais agarrar no algodão contaminado? Já pensaste que a limpar o sangue não estás efetivamente a desinfestar ou esterilizar a zona e muito provavelmente vais tocar na queda zona (massagem, ventosas, palpação, etc…)
«Obviamente que se fosse assim tão fácil as luvas não seriam necessárias para nada.» Bem, que eu saiba não estamos a fazer cirurgias, em análises laboratoriais ou num ambiente hospitalar, pelo que o uso de luvas é desnecessário. Não quero com isto dizer que não se devem usar, apenas que existem alternativas. Se usares uma pinça com algodão para desinfetares o ponto e para limpá-lo quando retirares a agulha nunca tocas no algodão com sangue. Limpas e pões no lixo, a tua mão segura apenas na pinça. Claro que se fores lá pôr o dedo em cima depois… Concordo que a falta de assepsia é falta de profissionalismo mas não que a falta de profissionalismo é devida à não utilização de luvas.
«A falta de regulamentação está associada a uma série de coisas: fraca formação científica, discursos fantasistas sobre energias imaginárias, promessas de curas falsas não sabendo sequer fazer a distinção entre tratamentos válidos ou não, falta de assepsia, etc… Ficaria muito difícil aos médicos ou a quem quer que fosse opor-se à regulamentação se tivéssemos tudo isso». Vai cantar o fado para outro lado! Como se o problema de fundo dos médicos e da comunidade científica em geral em relação as TNC estivesse ligada ao que referiste! Devias ponderar ao menos no escreves, sabendo tão bem como eu a posição da ordem dos médicos no que diz respeito à regulamentação das TNC. Tudo isso pôde e pode ainda ser resolvido com formação adequada e investigação séria, mas não se verificou ainda porque não é aí que reside o cerne da questão. São pormenores…
«Argumentos idiotas? A sério? E é isso que coloca em causa a nossa credibilidade? Leitura fenomenal. Pelo menos do pontos e vista de uma pessoa que usa argumentos idiotas.» São argumentos idiotas porque são tão estéreis como as luvas de latex que tanto gostas. Não é um pormenor a «guerra das estrelas» entre os profissionais e as instituições das TNC. Se não há sequer consenso e respeito entre os profissionais que credibilidade passamos nós para o exterior? Têm havido muitas discussões nos últimos 10 anos mas o comboio não saiu da gare. O mundo das TNC é um mundo de idiotas, onde cada um defende-se a si mesmo atacando o outro. Os médicos não se atacam uns aos outros, já reparaste. E não é por terem «formação adequada e assepsia». Se atacas um colega de profissão pões-te a ti e à tua profissão em causa. E não é por trabalhares em clínicas médicas e adotares uma visão científica na acupuntura que te dá maior credibilidade aos olhos dos médicos. Estás no mesmo saco que os outros!
As luvas não são usadas só em meio hospitalar, em análises clinicas ou em cirurgias. Elas são usadas smepre que uma determinada prática pode colocar uma pessoa em contacto com o sangue de outra pessoa. É lamentável que te recuses a aprender isto. Até as esteticistas usam luvas em muitos dos seus procedimentos. É vergonhoso ver que as esteticistas tem mais cuidados de assépsia que acupuntores. E não não existem alternativas às luvas. O exemplo que usaste é aplicado a uma situação muito particular e nem sequer é prático. Obviamente deixaste de lado a maioria dos exemplos que usei. Eu compreendo-te perfeitamente.
Eu vou cantar um pouco de fado.
Em primeiro lugar tu fazes o mesmo erro de muitos acupuntores e confundes sistematicamente comunidade científica com comunidade médica. Comunidade cientifica não se opõe às medicinas complementares. Ela opôe-se a determinadas medicinas complementares (homeopatia) ou ao abuso que se faz de outras (acupuntura), por exemplo.
E sim o problema da comunidade científica relativamente às TNC está associado ao que eu referi: afirmações sem provas a sustentá-las (acabam em promessas de curas fantásticas), discursos disparatados sobre energias imaginárias, falta de formação científica que culmina nos disparates sistemáticos que se observam nas nossas áreas.
Obviamente que a com,unidade médica tem um interesse particular em dominar as áreas da saúde e a nossa área tem algumas particularidades: autonomia profissional, prescrição de produtos que podem interagir com remédios sendo duas das mais importantes.
Mas a verdade é que seria muito dificil à comunidade médica opor-se à nossa regulamentação se a nossa classe fosse caracterizada pelos principios idiotas que tu tanto desprezas: boa formação científica, boa formação técnica, boa formação em termos de assepsia, não andasse a vender curas milagrosas a todos os cantos, etc…
Porque é que achas que a nossa regulamentação vai no sentido de controlar as atividades da classe profissional? O artigo 8, por exemplo, fala da promessa de curas falsas. Porque será?
Os argumentos usados são estéreis? Felizmente para mim qualquer profissão de saúde regulamentada não acha o mesmo. Porque para qualquer profissão de saúde um discurso científico coerente, o abandono de ideias imaginárias religiosas, o uso de uma boa linguagem técnica e uma prática segura são consideradas pilares. Infelizmente na nossa área parecem ser ideias idiotas ou argumentos estéreis.
Mas é preferível focarmo-nos somente nas teorias da conspiração. É o lobo mau chamado ordem dos médicos 100% responsável pela nossa situação. Já agora não te esqueças de dizer que além de gostares de viver à conta de teorias da conspiração também não gostas de luvas por causa das tuas ideias energéticas e isto é só uma forma de atacares algo sem teres de defender aquilo que realmente desejas e não consegues: discursos energéticos idiotas e estéreis. Deixa para lá as luvas… vamos brincar com o pêndulo.
As guerras que existem na nossa área também existem noutras áreas. As divisões na nossa área são mais visiveis por causa da falta de regulamentação, por causa dos diferentes campos esotéricos e idiotas que se pretendem afirmar sem nunca se terem de provar, por causa das diferentes formações (efetivamente a base de uma comunidade profissional é a sua formação base e é realmente lamentável que não saibas isto) que existem, etc…