O meu nome é Nuno Lemos. Sou licenciado em Medicina Tradicional Chinesa pela Universidade de Nanjing e pela Escola de Medicina Tradicional Chinesa de Lisboa (ESMTC). Fui professor de acupuntura clinica na ESMTC durante 10 anos. Construí as cadeiras de acupuntura clinica I e acupuntura clinica 2 na mesma instituição. Dedico-me à divulgação da medicina chinesa na net com quase 1000 artigos escritos! E ao longo destes anos tenho acompanhado de perto o processo de regulamentação.
Decidi escrever esta carta em resposta à carta aberta do Conselho Federativo das Medicinas Não Convencionais. Apesar de achar que estou bastante isolado decidi postar aqui as razões pelas quais eu sou a favor desta regulamentação e das portarias apesar de ainda existirem muitas dúvidas.
São várias as razões que me levam a escrever estas linhas e irei postar cada uma delas em baixo.
O que provoca a divisão das TNC
Classe com muitas diferenças
Juntos não sabemos lutar e não nos identificamos nunca. Verdade seja dita. A mistura inicial da lei (osteopatia, homeopatia, medicina chinesa, etc…) dificulta o processo de regulamentação. Misturam-se áreas válidas como osteopatia com a fantasia da homeopatia. Na acupuntura a fronteira entre uma abordagem clinica válida e a ingenuidade energética encontra-se muito esbatida!
As nossas diferenças notam-se na forma como reagimos à lei. Os osteopatas, na maioria são mais a favor sendo que muitos desejavam um exame nacional. Mas aplicar um exame nacional na área da medicina chinesa com o conhecimento a confundir-se com os interesses das capelinhas vai ser virtualmente impossível!
Os osteopatas tem mais facilidade uma vez que a formação científica base está bem desenvolvida e são a profissão com mais futuro. Deviam também ser aqueles a fazer mais esforço para esta regulamentação ir em frente!
Mas os homapatas com as ideias da água com memória, muitos acupunturistas com as fantasias energéticas e os naturopatas com a esquizofrenia da medicina quântica estão muito mais apertados. As suas crenças denunciam a sua falta de cultura e conhecimento científico. E não se enganem: sem uma formação científica sólida não vai existir nunca uma classe de saúde válida!
Depois da regulamentação (que espero venha para breve) as diferenças entre estas profissões vâo-se fazer sentir e a classe das TNC irá separar-se em várias áreas… tal como deverá ser feito. (A forma como se irão separar ou a forma como determinadas áreas se poderão juntar fica para outros artigos!)
Razões para aceitarmos esta regulamentação
Estamos a ficar sem tempo
Olhem à volta. Médicos fazem acupuntura, enfermeiros fazem acupuntura, fisioterapeutas fazem acupuntura. Os fisioterapeutas chamam “punção seca” a técnicas de acupuntura, agora começa-se a chamar “fisioterapia invasiva” ao uso da acupuntura e de técnicas associadas.
Os fisioterapeutas e enfermeiros também estão a estudar avidamente osteopatia e quiropraxia.
Com exceção da mesoterapia homeopática ninguêm se interessa por homeopatia ou naturopatia. Os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas) estão a separar o trigo do joio em termos de resultados e a estudar o que realmente tem validade.
Sem uma regulamentação rápida que proteja os interesses dos acupunturistas e osteopatas (em termos de formação e capacidade de competição no mercado com outros profissionais) rapidamente, estas áreas serão assimiladas por outras profissões. Sem esta regulamentação em poucos anos estas áreas estão acabadas.
Professor, médica, gestor
Quando o ministro da saúde era o Sr.º Correia de Campos o processo andou. Quando veio a ministra da saúde Sr.ª Ana Jorge o processo bloqueou. Agora que temos um gestor, Sr.º Paulo Macedo. o processo anda novamente.
Estamos quase em eleições e ninguêm sabe a profissão do próximo ministro da saúde!
Nós deveríamos estar a tentar acelerar o processo e não bloqueá-lo.
Os fisioterapeutas estão a dar porrada nos acupunturistas
E tudo porque tem mais formação cientifica. A única escola que eu conhecia que ensinava pontos gatilho na licenciatura era a ESMTC e sei disto porque fui eu quem reformou a matéria.
Colegas meus opunham-se a que alunos fizessem pontos gatilho no estágio. A maioria dos alunos rapidamente eaquecia os pontos gatilho. A maioria dos outros acupunturistas anda perdidos em analogias simplistas entre pontos gatilho e pontos ashi. Entretanto os fisioterapeutas estudam a sério “punção seca” no tratamento de pontos gatilho. Ao longo dos anos encontrei mais fisioterapeutas com consciência do uso da acupuntura nos pontos gatilho que os acupunturistas.
Nos últimos anos quantas inovações houve em termos de raciocínio clinico em acupuntura? Quantas técnicas inovadoras foram criadas pelos acupunturistas?
Tirando o meu trabalho na seleção de pontos de acordo com sistema nervoso e miologia funcional não vi inovação nenhuma! A maioria dos acupunturistas nem sequer tem boas noções de acupuntura elétrica e as noções de acupuntura laser são anedóticas!
Os acupunturistas aparecem com inovações como “acupuntura esotérica”, “acupuntura quântica”, “adesivos stiper”, etc… Quando não são estas criancices com astrologias e pensamentos mágicos as técnicas inovadoras não são mais do que companhas de marketing…. “Método Dr.º XPTO para depressão”, “Método Dr. XPTO para AVC”, etc…
Enquanto isso um fisioterapeuta com conhecimentos de acupuntura desenvolveu a eletrólise percutânea intratecidular. Esta técnica recente e inovadora consiste na aplicação de uma corrente galvânica de alta intensidade através de uma agulha de acupuntura. E tem realmente efeitos excelentes na recuperação de determinadas lesões músculo-esqueléticas.
Enquanto isso os acupunturistas ainda tratam tendinites com diagnósticos como “estagnação de qi do fígado” e nem sequer tratam o músculo com a tendinite.
A realidade é muito triste: os fisioterapeutas com menos formação em acupuntura estão a ter melhores resultados e a bater os acupunturistas.
Na osteopatia observa-se algo curioso em Portugal. Técnicas que andam num borderline entre fisioterapeia e osteopatia só são ensinadas a fisioterapeutas. Por exemplo: as cadeias de busquets (fisioterapeuta e osteopata) podem ser ensinadas a osteopatas na França, mas em Portugal só são ensinadas a fisioterapeutas!
Quem inova e quem tem poder para assegurar o conhecimento, tem futuro.
O problema está na ciência
Como seria um teste de química a um homeopata? E um teste de física nuclear a um naturopata que pratique medicina quântica?
Vamos pedir a homeopatas consagrados que vão estudar química como disciplina científica base para o seu curso? A medicina chinesa até agora tem sido negligente (e estou a ser simpático) quanto ao problema das interações farmacocinéticas e farmacodinâmicas com os medicamentos!
Ver um especialista em medicina chinesa, famoso e senhor da verdade, assumir que não sabe absolutamente nada acerca de bioquímica e interações farmacológicas, deve ser uma obra de arte (especialmente com a falta de humildade que existe nestas áreas)! E um acupunturista tão bom e tão famoso que mal sabe anatomia porque passa o tempo a “sentir a energia dos pontos”?
Está tudo com medo de ter de estudar cadeiras científicas e acima de tudo está tudo com medo de se vir a saber que os conhecimentos técnicos dentro de determinada área são ridiculamente pobres!
Razões para não defendermos as providências cautelares
Os naturólogos andam a brincar
Ainda não conheci um naturólogo que soubesse acupuntura. Verdade seja dita a formação é péssima. Mas acham-se no centro de tudo. Esta associação pretende defender os direitos de uma classe que eu não reconheço como tronco comum em relação a nada. Só os naturólogos é que se reconhecem como tronco comum do que quer que seja!
A base da medicina tradicional chinesa, da homeopatia ou da osteopatia não é a naturologia. E porque esta tem a mania de pegar em tudo e decidir aplicar como se fosse deles não significa que realmente saibam o que estão a fazer ou que tenham capacidade para o fazer.
Como acupunturista prefiro trabalhar de perto com outros profissionais de saúde em quem confio (médicos, fisioterapeutas, osteopatas, etc…) do que com naturopatas.
O naturólogo quer substituir o médico de família
O naturólogo quer tomar o papel do médico de família das TNC e acham mesmo que é possível tal artimanha! Isto não vai acontecer e se a regulamentação depende da satisfação das falta de realismo dos naturólogos então nunca iremos ter uma regulamentação.
Defender interesses instalados
Um processo de regulamentação que exija formação científica e técnica a todos nunca será aceite pelas TNC pelo simples facto que a maioria dos seus intervenientes não a tem.
Os interesses instalados vivem do diz e não do faz. Os interesses instalados não querem demonstrar conhecimento que não possuem. Não estão na disposição de abandonar o statuos quo de “todo poderosos” e demonstrar que merecem realmente esse statuos quo.
Os interesses instalados não querem perder dinheiro com a regulamentação. As escolas atuais vão acabar, as associações que existem atualmente vão desaparecer, o poder que os líderes dessas associações tem sobre os seus associados vai diminuir grandemente, os franchisings vão conhecer o seu fim, as licenciaturas em fim de semana e online tem os dias contados.
Ou seja, este processo de regulamentação, apesar de justo, vai provocar perda de dinheiro e poder de influência aos tubarões atuais. Por isso começam a surgir providências cautelares para atrasarem a regulamentação.
Os donos da verdade, os todo-poderosos das TNC só irão aceitar uma regulamentação que mantenha o seu papel dominador, que proteja os seus interesses pessoais (ego, dinheiro, etc…), que defenda o seu estatuto acima da lei.
A passagem de uma fase em que se cria a lei para a fase de “vivier de acordo com a lei” está a afetar muitos postos estabelecidos.
Os mais novos contra os mais velhos
Se os mais novos apoiam indiscriminadamente os mais velhos nestas debandas irão destruir o seu futuro. Não tenham dúvidas. Muitos terapeutas mais velhos opôem-se a estas portarias porque simplesmente não tem nada para lhes mostrar.
Falta humildade a muita gente para admitir que não sabe, que precisa aprender, especialmente depois de décadas a venderem-se como senhores da verdade.
Mas para os mais novos estas portarias serão excelentes futuramente. Vão garantir que podem pertencer e crescer numa classe com uma formação base idêntica e com uma forte componente científica.
Apoiar, com assinaturas e dinheiro, associações que em nome da democracia e da justiça social pretendem garantir direitos adquiridos (mas não merecidos) de uns poucos tubarões vai ser um ato de suicídio coletivo que muitos TNC jovens irão cometer nos próximos tempos.
Soluções
O medo é real
Eu sei que o medo que sentem é real. Eu sei que o medo em relação ao desconhecido, o medo em relação aos nossos inimigos (mesmo que imaginários) é real. Mas lidar com esse medo destruindo o nosso futuro é suicídio!
Eu sei que as associações prendem os alunos na sua própria realidade. Há escola de medicina chinesa onde só se podem ensinar determinadas gamas de fitoterapia e um professor que fale de outras gamas ou é repreendido ou é imediatamente despedido.
Existem associações onde qualquer critica ao seu lider norte-coreano é tratada com exclusão e expulsão!
Muito do medo é provocado pelas próprias associações que defendem os interesses dos seus líderes e são, na maioria das vezes completamente inúteis!
Muito do medo é falso e a forma de lidar com ele não é a destruição do nosso futuro enquanto classe profissional! Lidem diretamente com o medo. Aceitem-no!
Estratégias
Há várias estratégias que podem ser seguidas para lutar por esta regulamentação. Deixo aqui algumas para discussão.
1 – não apoiar de qualquer forma associações que tentem parar este processo de regulamentação!
2 – determinadas classes a favor da regulamentação (osteopatas por exemplo) deveriam tentar distanciar-se e criar o seu próprio processo de regulamentação.
3 – discutir a apoiar publica e ativamente este processo de regulamentação.
4 – criar grupos de pessoas, independentemente da área, para apoiar esta regulamentação, mesmo que isso implicasse um ataque a outras associações de forma tentar impedir que estas tentassem bloquear o processo de regulamentação!
Olá Nuno,
Eu sou Naturopata, após um curso de 4 anos de “tempo inteiro” ministrado pela EAN, e Acupunctora, após uma pós-graduação em Acupunctura que tirei no ISLA/IMT. Entretanto também tirei um curso de Biofísica Quântica para usar máquina de Medicina Quântica! Fiz vários estágios (um deles durante 2 anos do qual fiz uma investigação) e já trabalho há 9.
Poderia sentir-me atacada pelas suas palavras… Mas não!!!
Subscrevo quase inteiramente.
Mais derradeiramente desde a minha monografia de final de curso percebi que não há investigação de suporte para a maioria dos casos, apenas no estrangeiro (especialmente da Alemanha: infos recolhidas pela comissão E; os estudos recolhidos pelo GERA, entre outros). Quem quiser praticar em consciência percebe bem as suas palavras.
Ainda assim faria algumas observações:
– A lógica da Naturopatia ser um corpo comum pode compreender-se. No nosso curso aprendemos um pouco de todas as matérias (Osteopatia, Homeopatia, Acupunctura, Chi kung, entre outras) de forma genérica. Portanto, sempre que me chega alguém que eu não consigo tratar, aconselho quem saiba mais do que eu: um osteopata, um acupunctor (sim, um acupunctor, porque sei que há técnicas que não domino…), um médico, o que for necessário!
(- Conseguiria explicar-lhe Naturopatia de forma a que a ache válida… mas, pronto, aceito o que diz pelo que já assisti. Mas, acredite, também há quem tente fazer as coisas correctamente!)
– Acerca da Medicina Quântica em específico, vou dar-lhe um exemplo simples: diariamente uso um carro e acredito profundamente que a compreensão da sua mecânica não me faria conduzir melhor ou pior, cumprir ou não as regras do trânsito… assim é a medicina quântica, uso-a exclusivamente para reduzir o stress (tal como aprovado pelo FDA, nos EUA) e melhorar a capacidade de concentração. (Sobre tudo o resto, guardo sérias reservas.) Estudei sobre biofísica e até tenho um diploma mas não considero saber física nuclear. Poderia até aprender com todo o gosto, mas o mais importante para mim seria: nunca vender gato por lebre, se é que me entende!
– Todo o seu discurso é impregnado de uma assertividade dura, que eu compreendo profundamente. Mas também percebo os vários motivos que nos trouxeram aqui…
Quanto ao seu objectivo com a realização da carta aberta, nada tenho a acrescentar. O mesmo não posso dizer relativamente a alguns dos seus exemplos.
Primeiro. Dar a entender que acupuntura e punção seca são a mesma coisa simplesmente porque se utiliza a agulha de acupuntura em ambas é como dar a entender que um talhante e um médico são a mesma coisa simplesmente porque ambos vestem de branco. A punção seca é uma técnica que se traduz na utilização da agulha como mero instrumento para principios/métodos de Fisioterapia, que em nada têm que ver com acupuntura.
Segundo. Efectivamente alguns fisioterapeutas estudam osteopatia. No entanto, a realidade é que não só esse estudo não faz do fisioterapeuta um melhor profissional de saúde como prejudica deliberadamente a Fisioterapia, já que existe a capitalização, por parte das escolas, dos fisioterapeutas enquanto professores de osteopatia (o inverso – osteopatas como professores de Fisioterapia – não se verifica). Assim, a osteopatia tem conseguido “parasitar” tanto a validade ciêntifica como a idêntidade profissional da Fisioterapia, tentando a sua transferência para o mundo de fantasia dos “enlightened bonesetters”.
Cumprimentos.
E depois do que você escreveu tanto sobre acupuntura como osteopatia não tenho dúvidas que usa bata branca e trabalha num talho!
Boa tarde, chamo-me Ana Filipa Esteves sou licenciada em Fisioterapia pela Universidade Atlântica e fiz o curso de Osteopatia ( 6 anos) pela Escuela de Osteopatia de Madrid exclusiva a fisioterapeutas . Portanto trabalho como fisioterapeuta desde 2006 e como Osteopata desde 2011.. Ao longo do tempo vamos adquirindo experiência e sabedoria com a nossa prática clínica mas também nos vamos apercebendo de qual o melhor caminho a seguir no que diz respeito à recuperação do paciente que nos aparece na consulta. Sou uma pessoa extremamente sensata e humilde a ponto de afirmar com toda a minha convicção que quanto mais sabemos mais temos vontade de saber e aprender mas com a conjugação destes 2 cursos eu consigo obter resultados extraordinários com os meus pacientes, se me fosse possível ainda tiraria o curso de medicina para ter a autonomia de prescrever exames, actuar mais ao nível da fase aguda e claro para ainda adquirir mais conhecimentos. E mais, atenção não podemos confundir uma reabilitação de uma PTA ou PTJ, ligamentoplastia LCA ou uma recuperação de uma fractura, já para não falar na fisioterapia respiratória e neurológica com casos que me aparecem nas consultas de osteopatia tais como cervicalgias, dorsalgias, lombalgias, ciatalgias, cruralgias, nevralgias, desequilíbrios da bacia, hérnias discais, tendinites, alterações posturais… enfim é um mundo em que o conhecimento tem que ser mais profundo do que o conhecimento que nos é dado pelo curso de fisioterapia, nestes últimos casos é onde a osteopatia vai ter sem duvidas muito mas muitos mais resultados ah mas não estamos a falar apenas de manipulações estamos a falar também de técnicas articulatórias, miofasciais, de energia muscular, viscerais, cranianas e muitas mais…. Só quero que as pessoas percebam que eu e os meus colegas Fisios e Osteos não somos melhores que ninguém mas se nos aparecer um caso clínico sabemos dizer olhe o senhor tem que fazer fisioterapia ou osteopatia ou ainda as duas em conjugação 😉 Por favor parem esta guerra…..
Por isso posso afirmar que sou melhor profissional de saúde sem dúvida por ter tirado Osteopatia e pela minha escola ter tão boas referencias a nivel mundial já para não falar da prática baseada em evidencias cientificas, mas atenção para mim todos os dias são uma luta porque a maior parte dos meus pacientes não sabe o que um osteopata faz a não ser que já tenha recorrido a um e eu tenho que explicar que não é nada de alternativo, que não sou uma endireita 😉 etc Os meus professores todos eles eram fisioterapeutas e osteopatas D.O o que quer isto dizer que publicaram um artigo cientifico.
Mas temos que nos mexer realmente porque nas finanças não existe esta profissão; e estão a colocar a osteopatia, homeopatia, naturopatia, acupunctura, tudo no mesmo saco e é errado.. A homeopatia e naturopatia são medicinas que tem por base os medicamentos naturais e homeopáticos dos quais eu não posso falar porque não entendo nada, mas de certeza que a natureza tem propriedades que ajudam ou tratam doenças mas eu não posso falar do que não sei…
Se na nova regulamentação existe uma pontuação para a experiência clínica eu só passei recibos como fisioterapeuta ao longo destes anos falta-me a comprovação desde 2011 de que exerço Osteopatia e sendo assim não tenho pontuação suficiente para obter a cédula profissional lol uma licenciatura de 4 anos depois um curso de Osteopatia de 4375 h e alguns anos de experiência poupei-me se eu não obtenho a cédula profissional então não sei…. o que dirão as pessoas que não são licenciadas em fisioterapia e estudam 2 anos de osteopatia 😉
Grande Nuno Lemos ainda bem que tirei o curso de acupuctura para fisioterapeutas contigo pois para além de seres um excelente professor com os teus conhecimentos és de certeza um grande profissional 😉 e ainda bem que existem pessoas como tu a lutarem pela ciência e a não se calarem perante o nosso futuro….
É por ai que começa a ilusão Ana. É acreditar que o mundo da Fisioterapia termina com a Licenciatura quando na realidade seria necessário viver mais do que uma vida para aprender tudo o que a profissão tem para nos oferecer. Existem pós-graduações, mestrados, doutoramentos, etc… Outra ilusão é acreditar que a osteopatia aporta algo de novo quando nenhum dos seus conceitos e técnicas são novidade à Fisioterapia (o facto de estes não serem transmitidos na Licenciatura é outra questão). Como é lógico, não se pode comparar um curso de 6 anos que capitaliza conteúdos e bases da Licencatura de Fisioterapia (só para fisioterapeutas) com a própria Licenciatura. Em 6 anos de estudo poderia ter feito um mestrado e um doutoramento e dar cartas sobre o tema em qualquer parte do mundo. Acreditar que “não podemos confundir a reabilitação de uma PTA ou PTJ, ligamentoplastia LCA ou uma recuperação de fractura, já para não falar na fisioterapia respiratória e neurológica, com casos tais como cervicalgias, dorsalgias, lombalgias, ciatalgias, cruralgias, nevralgias, desequilíbrios da bacia, hérnias discais, tendinites, alterações posturais” é infelizmente só mais uma manifestação de lavagem cerebral. Nenhum osteopata terá melhores resultados, em qualquer dos casos, que um fisioterapeuta de excelência. A verdadeira desilusão para muita gente é que a excelência não se conquista apenas com a Licenciatura. É apenas o primeiro passo…
Boas Ana
Sobre a nova regulamentação. Se tens formação base feita e cursos com horas suficientes teóricas e estágios (como tudo indica que sim) tens o suficiente para ter a certidão profissional definitiva ou provisória. Não te preocupes em comparar anos mas sim horas letivas pois é isso que conta. Um osteopata com uma formação inferior a 1000 horas, por exemplo, não recebe qualquer ponto. Pelo menos tal como está neste sistema de pontos.
Se receberes a provisória, em princípio, se as coisas forem bem feitas, com o teu currículo dificilmente te vão pedir para estudar mais ou qualquer outra coisa. Pela forma como o sistema de pontos está feito acho que é para terem mais facilidade em se saber o que exigir ao candidato: formação cientifica, formação técnica, estágio, prova de conhecimento, etc…
O teu problema ao passar os recibos é idêntico ao de muita gente. Tenho colegas com anos de experiência mas como fugiram aos impostos e segurança social oficialmente não tem qualquer ano de prática.
De qualquer forma se as coisas forem para a frente isto não será impedimento para ninguém. Facilmente conseguiremos fazer algum tipo e estágio profissional ou demonstrar conhecimento prático.
As terapêuticas todas foram colocadas no mesmo saco pela lei que agora é regulamentada. O problema base não é a regulamentação mas a lei que lhe dá origem. E como existem áreas completamente díspares com ideias e interesses diferentes acabam por se atrapalhar uns aos outros.
Também fiquei feliz por te ter como aluna. O teu gosto por aprenderes acupuntura ou osteopatia de certeza que te dão novas ferramentas para te tornares uma terapeuta mais completa.
Abraço
Realmente não vale a pena perder tempo com conversa fiada…porque eu não sei qual é a sua formação de base é fisioterapeuta? Se eu tivesse interesse na área da respiratória ou neurologia de certeza que teria tirado um mestrado nessa área, mas não é o caso… porque gosto daquilo que faço e os meus pacientes reconhecem o meu trabalho. Mestrados e doutoramentos são investimentos sem retorno no nosso pais e as pessoas querem resultados imediatos, como tal, a terapia manual e o raciocinio clinico inerente à osteopatia, e a acupunctura são para mim neste momento os instrumentos de trabalho com resultados de excelência reconhecidos pelos meus pacientes que é o mais gratificante.
Estou a falar para a Fi.
Muito obrigado Nuno pelos esclarecimentos.