Recentemente tratei um paciente com bypass gástrico. Este tratamento é feito para pacientes que sofrem de obesidade mórbida. Não vou agora referir qual era o sintoma ou o padrão clínico. Infelizmente ao longo de 3 consultas de Medicina Chinesa não surgiram grandes efeitos clínicos e o paciente desistiu das consultas, pelo que não tenho muitos dados para discutir. No entanto, este caso muito particular, fez-me levantar uma série de interrogações relativamente a novas técnicas de Medicina Ocidental (bypass gástrico) e na sua possível incompatibilização com determinados tratamentos da Medicina Chinesa (fitoterapia).

O by-pass gástrico, é uma cirurgia onde o estômago é dividido. Diminui-se o seu tamanho criando uma pequena bolsa no topo do estômago e ligando-se directamente à porção média do intestino delgado (jejuno). Pode ver nesta imagem uma fotografia esquemática da cirurgia de bypass gástrico. Desta forma espera-se combater a obesidade mórbida.

Alterações provocadas pelo by-pass gástrico

Esta cirurgia vai obrigar o paciente a fazer grandes alterações na sua dieta e na forma de comer. De acordo com o site WebMD o paciente tem de:

1 – comer muito pouco de cada vez. O novo estômago vai aguentar pouca comida de cada vez.

2 – tem de comer devagar e mastigar correctamente os alimentos. Caso contrário o paciente pode ficar com dor e vómitos.

3 – não pode beber água 30 minutos antes de comer, durante a refeição e 30 minutos depois de comer. Não vai haver espaço no estômago para líquidos e sólidos.

4 – provavelmente vai precisar de tomar vitaminas e minerais.

5 – poderá ter de evitar comer determinados alimentos com muito açúcar que podem provocar problemas como síndrome de dumping. Isto acontece porque a comida se move muito depressa do estômago para os intestinos podendo desencadear sintomas como sudação, tremores, tonturas, diarreia severa, taquicardia

[i].

Implicações do by-pass gástrico para a fitoterapia chinesa

A minha dúvida, neste momento é esta: que implicações poderá ter a técnica do bypass gástrico na eficácia de tratamentos tradicionais como a matéria médica (uso de produtos naturais de origem vegetal, animal ou mineral, com propriedades terapêuticas) vulgo fitoterapia?

Os pacientes com bypass gástrico emagrecem porque comem menos e a comida fica menos tempo no estômago sendo passada directamente para os intestinos. O paciente pode ter de tomar suplementos vitamínicos porque a comida não é totalmente digerida. Quais, então, as implicações desta terapêutica na eficácia da fitoterapia?

Os comprimidos de algumas gamas de fitoterapia são grandes e tem de ser tomados 3 de cada vez. Também convêm o paciente tomar alguns após ter o estômago cheio porque podem ser agressivos para a mucosa gástrica.

Neste caso tomar os comprimidos de fitoterapia pode incompatibilizar-se com a refeição do paciente?

Se os comprimidos de fitoterapia ficarem menos tempo no estômago podem até não ter tempo de ser agressivos para o mesmo, mas poderão ter alguma utilidade terapêutica? Ou seja, poderão os princípios activos das fórmulas ser totalmente absorvidos?

Uma diminuição no tempo de absorção poderá implicar um aumento da dose a administrar no sentido de garantir que o paciente absorve “mais ou menos” os mesmos princípios activos? E de que forma isto se poderá incompatibilizar com as diferentes refeições do paciente?

Conclusão

Com o bypass gástrico existem problemas que se colocam a nível da toma da fitoterapia e da real eficácia da mesma. É um problema recente e que não está estudado. De qualquer forma, sendo o leitor um paciente sujeito a bypass gástrico, um médico ou um acupunctor/fitoterapeuta que acompanhe este tipo de pacientes seria útil partilhar a vossa experiência no tratamento destes pacientes.

NOTAS FINAIS


[i] http://www.webmd.com/diet/weight-loss-surgery/gastric-bypass