Assepsia na acupuntura com muita energia universal
Um dos aspetos mais importantes na clínica é a assepsia na acupuntura. Por norma faço tratamentos de medicina chinesa em clínicas médicas. Estas clínicas garantem-me uma infraestrutura forte de forma a garantir a segurança do meu paciente. As clínicas médicas, tem, por exemplo, autoclaves o que me permite usar ventosas esterilizadas.
Outro aspecto importante na minha prática clínica consiste no uso de luvas (agulhas sempre descartáveis evidentemente!). Pessoalmente não faço acupuntura sem luvas. Luvas em acupuntura e ventosas esterilizadas são raridades no mundo das medicinas alternativas.
Felizmente já começo a falar com alguns leitores do meu blogue que seguem os mesmos princípios de assepsia na acupuntura. Mesmo assim a maioria dos profissionais (médicos acupuntores incluídos) não usam luvas para fazer acupuntura clinica. Não defendo que seja obrigatório. É possível fazer acupuntura chinesa de forma totalmente segura sem luvas. Mas acupuntura segura deveria sem dúvida ser o principal objectivo de qualquer profissional e, nesse caso, o uso de luvas deveria ser incontestável.
Assepsia na acupuntura é incompatível com energia universal
Além de não ser incontestável, já fui gozado por alguns colegas por usar luvas. Há uns anos numa discussão com uma colega sobre assepsia na acupuntura envolvendo o uso de luvas fui vítima da seguinte pergunta: “se usas luvas como passas a energia pela agulha?”.
Segundo parece para alguns colegas meus usar luvas é totalmente errado porque não se consegue passar a energia para a agulha de acupuntura. Fica a questão de saber se fazem chi kung descalços, uma vez que supostamente deveriam absorver a energia da terra!
As fantasias energéticas simplesmente não permitem a muitos profissionais pensarem na sua segurança ou na dos seus pacientes quando fazem acupuntura. Envolvem-nos em hábitos irresponsáveis e retiram-lhes qualquer capacidade de pensar correctamente. O problema ainda é mais grave uma vez que não se foca somente no uso de luvas.
Muitos profissionais vivem com o medo de não absorver as energias dos pacientes ou com a necessidade de libertar as energias negativas do tratamento de acupuntura e apresentam um desleixe excepcional na sua própria protecção e na do paciente.
Conheci profissionais que faziam acupuntura, retiravam a agulha colocando algodão sem dar grande atenção a como pegavam no algodão (já conheci profissionais que colocavam o dedo directamente!), faziam ventosas que ajudava a vascularizar toda a zona afectada e de seguida faziam massagem sem proteger as mãos.
Sem luvas, sem ventosas esterilizadas, sem cuidado a pegar no algodão para impedir tocar em sangue no mesmo, massagem em pele com sangue e não havia uma única consideração asseptica. Uma única questão como: “será que a minha prática é segura? Será que é responsável?”. A grande preocupação era, no final do tratamento, fazer chi kung para eliminar as energias negativas!
O problema das supostas medicinas energéticas é que o seu sentido de auto-crítica encontra-se severamente atrofiado! Assepsia na acupuntura não deveria ser contestado em momento nenhum!
Concordo. Nas extruturas dos cursos ministrados, deveria existir uma forte componente de informação quanto a doenças transmíssíveis, proteção individual, tratamento dos resíduos (agulhas, luvas, resguardos, etc), mas como não há, o pessoal nem pensa. Pensas tu e eu que somos de saúde e desde os cursos anteriores e mesmo na actividade diária há sempre a sua aplicação e melhoramento, mas mesmo assim esse tipo de observações idiotas também se passam na comunidade ocidente e as nossas boas práticas, acabam por ficar muitas vezes nos livros. Quase que temos de fazer uma luta diária e por em causa com frequencia os nossos actos para nos apercebar-mos. Isto implica treino e muita autocritica dos nossos actos. Um exemplo prático: Sou Técnica de análises clínicas e quando executo o procedimento de venopunctura, tenho uma almofada forrada com papel celulose pela auxiliar (colocada uma vez por dia por causa dos custos) e eu como acho nojento que todas as pessoas coloquem o braço no mesmo local, pedi toalhetas das mãos, para que pelo menos entre cada indivíduo, eu possa trocar o toalhete (nestes ainda não controlam a quantidade, só qualidade). Fiz a sugestão a todos e no meu caso faço esse procedimento. O que aconteçe é o seguinte, recebo piadas dos colegas por ter a mania de ser “chefe”, como se isto tenha alguma coisa a haver e a maior parte dos colegas nem me ligou. Quanto a luvas então nem se fala.
Um abraço
Lilia
Boas Lilia
Sem dúvida que existem problemas de actuação em profissionais de outras profissões de saúde. Mas infelizmente o problema é pior no mundo das “energias”… e pronto, agora pareço uma velhota de 90 anos a discutir com a vizinha e a dizer “não, a minha doença é pior que a tua” lololol
abraço
Olá Nuno, o pior é que aqui no Brasil existem escolas que se dizem “de acupuntura chinesa”, que não permitem aos alunos o uso do alcool, em nome da energia…. pode isso???
Abraços
Sou sua fã! rs
Boas Márcia
Por mim não pode… lolol
abraço
Gostaria de saber se no Brasil existe lei ou regra que normatize uso “obrigatório de luvas e agulhas descartáveis”? Se existem, quais são e onde as encontro pois é um tal de uns dizem que é obrigatório e outros dizem que não…
Boa tarde Fabricio
Por lei acho que não há nada que seja obrigatório. No fundo é uma questão de ter consciência da segurança do paciente. Para mim agulhas descartáveis são obrigatórias porque em primeiro lugar está a segurança do paciente. O uso de luvas se não é obrigatório para mim anda lá perto. hehe
Evidentemente que há pessoas que podem discordar. Acho que vai da consciência de cada um e dos seus conhecimentos de assépsia clinica.
Importante explicar a existência da chamada “acupuntura agravada”, ou seja, quando os resultados do tratamento são inversos ao esperado, e o quadro da doença se agrava. Sou uma vítima da acupuntura agravada e venho sofrendo horrores. Por que omitir efeito tão grave, por mais difícil de acontecer que seja…?
Boa tarde Erika
É verdade que alguns casos raros podem agravar com acupuntura. Mas isso nãos e chama “acupuntura agravada”. E não se omitem essas informações. O artigo simplesmente não aborda esse assunto. è sobre outra temática!
Olá Nuno,
Quero trabalhar com ventosas, porém estou com grande dificuldade de encontrar um método para esterilização das mesmas. Não consigo informações( de que temperatura elas aguentam, e se aguentam) do fabricante, e desta maneira não posso usar a auto clave. Além desta informação, você poderia me ajudar me orientando sobre outras formas de esterilização?
Obrigada por sua atenção
Boa tarde
Esterilize à temperatura normal que elas devem aguentar. Nas clinicas onde trabalhava as ventosas eram esterilizadas no autoclave.
Atentamente